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Desenvolvedor de aplicativo móvel: sua empresa ainda vai ter um

No mundo móvel, esse profissional ganha a cada dia as atenções dos recrutadores. Vale a pena investir nele este ano

Déborah Oliveira

Publicada em 03 de janeiro de 2013 às 09h00

Smartphones e tablets invadiram as vidas pessoal e profissional e tornaram-se o vício do século. O uso desses dispositivos impulsionou a criação de lojas de aplicativos que oferecem de jogos a soluções corporativas. Somente para aparelhos que rodam Android e iOS são mais de 700 mil produtos disponíveis. E essa marca tende a aumentar.

O mercado de pequenas polegadas está fazendo uma carreira emergente decolar: a de desenvolvedor de aplicativos móveis. Esse profissional está em alta em razão do aumento acelerado da base de celulares e deverá ser um dos mais requisitados em 2013.

Somente no primeiro trimestre de 2012, nos Estados Unidos, o site de carreiras Elance.com registrou salto de 52% no número de vagas para desenvolvedores móveis. Oportunidades na área estão crescendo duas vezes mais rápido do que o mercado global de trabalho. 

A tendência está abrindo portas também no Brasil e a temporada de caça por pessoas no setor já começou. “Empresas querem talentos com forte conhecimento técnico e habilidade para pensar na tecnologia em linha com a demanda”, afirma Jairo Okret, sócio-sênior da Korn/Ferry, provedora global de soluções para a gestão de talentos.

Mas o desafio por aqui é encontrar esses profissionais. O que é preciso para ingressar nesse universo? Como o assunto é novo, muitas organizações apostam na capacitação dentro de casa, ou incentivam o autodesenvolvimento. 

A Resource IT Solutions, especialista em soluções para TI, conta com mais de cem desenvolvedores, sendo que 15% trabalham com a criação de aplicativos móveis. À frente desse time está André Nascimento, gerente-executivo de Operações, responsável pela área de Delivery de Projetos e Desenvolvimento de Sistemas da Resource. 

Segundo ele, para ser um desenvolvedor móvel de sucesso é preciso, em primeiro lugar, ter um bom raciocínio lógico, boa formação técnica e entender a evolução tecnológica das plataformas. Também é necessário ficar de olho no lançamento de aparelhos. 

O executivo percebe que os jovens desenvolvedores tentam entender um pouco de cada linguagem de programação, como C++, Java, .NET e HTML5, e pecam por não dominar nenhuma. “Conheça todas, mas foque em uma”, ensina. “Embora existam muitas soluções, ele tem de saber o conceito, o que é orientação a objetos, padrões, engenharia de software etc”, detalha. “Há muito material na internet que pode ajudar nessa tarefa”, completa.

Na Resource, a estratégia adotada foi buscar os melhores profissionais internamente e incentivá-los a ler sobre o tema, participar de eventos e cursos. Nesse segmento, é preciso aprender sozinho, diz. “É uma área dinâmica e todos estão no mesmo momento de busca de conhecimento.”

“Não adianta ficar sentado. Tem de ser antenado, multidiscplinar, interessado, generalista e ao mesmo tempo especialista”, lista Marcelo Vieira, coordenador de desenvolvimento da célula SAP da Resource.

Outro item de atenção é o conhecimento dos aplicativos móveis disponíveis. “Perguntamos se o candidato a uma vaga na Resource usa Instagram, WhatsApp entre outros”, comenta Nascimento. Como a literatura no segmento é, em sua maioria, em inglês, ele afirma que a fluência na língua é vital para esse talento.

Comunicação é habilidade que vale ouro. “A forma de falar e de se posicionar faz toda a diferença”, acredita Bruno Pina, responsável pela área de Pré-Vendas da Resource.

Desenvolvedor há 15 anos, Rafael Siqueira, diretor de TI da MapLink, enxergou oportunidade na área quando ainda era estudante. Abandonou o curso de Engenharia Mecatrônica na Escola Politécnica da USP no último ano para fundar o Apontador, empresa de serviços de mapas e rotas na web. Desde 2000, ele cria soluções para operadoras de celular. “Sempre estive ligado ao mundo móvel de alguma forma”, relata.

Siqueira é autodidata. “Encontro muito material de referência na internet para começar”, afirma. “O desafio é o pioneirismo, trabalhar com tecnologias que não temos referência no mercado”, completa. 

Recentemente, ele e sua equipe foram responsáveis pelo desenvolvimento de um aplicativo móvel do MapLink para o Windows 8. O aplicativo informa a condição das principais rotas, trecho a trecho, além de agregar notícias e alertar sobre incidentes ao longo do percurso. 

Danilo Bordini, gerente de Novas Tecnologias da Microsoft, acredita que o desenvolvedor nunca teve tantas oportunidades quanto agora. Ele diz que para atuar na área, é preciso conhecer os conceitos de usabilidade, confiabilidade e escalabilidade. 

“Com dedicação, é possível aprender. É necessário ter uma base, mas a lógica de programação é aplicada da mesma forma no mundo móvel”, sintetiza. Para ele, a questão agora é se preocupar com alguns detalhes que não existiam antes: tela menor, interface, layout, experiência do usuário, cloud etc. 

Ivan Mirisola, consultor sênior de Mobilidade na SAP Brasil, concorda que, hoje, o principal fator de sucesso de uma aplicação é o grau de maturidade da interface. “Essa fase é crítica para o desenvolvedor”, diz.

Não só as oportunidades têm fisgado os profissionais, mas o salário também. Um desenvolvedor de soluções móveis pode receber de 3,5 mil reais até 10 mil reais, de acordo com profissionais do mercado. Vieira, da Resource, diz que em sua equipe há um funcionário que aos 23 anos ganha 10 mil reais. “Como há escassez, esses talentos vão custar 30% a 40% a mais para a empresa”, completa Nascimento.

Capacitação

Bordini aconselha que o desenvolvedor móvel participe de cursos e estabeleça uma rede de contatos para trocar ideias e tirar dúvidas. “Iniciamos uma série de treinamentos. O MSDN, por exemplo, tem o objetivo de criar uma comunidade para desenvolvimento de Windows 8, soluções web, nuvem ou mobilidade e troca de informações”, relata. 

No MSDN, há um cardápio com uma série de materiais disponíveis em português para interessados no tema. Além de academias que oferecem certificados para os participantes e cursos online (leia mais no quadro da  página 25). 

A SAP também possui um centro de apoio e suporte aos desenvolvedores. “O SAP Community Network traz alguns benefícios para esse profissional. Ele pode, por exemplo, conhecer nossa plataforma móvel por 30 dias e realizar testes com ela”, afirma Fabian Valverde, gerente de Soluções de Mobilidade da SAP Brasil. Os treinamentos na área, prossegue, vão desde a administração da plataforma até a modificação de aplicações. (D.O.) 

Para aprimorar a carreira

A indústria, em linha com a demanda, criou especializações para profissionais interessados em desenvolver soluções móveis. Veja alguns deles.

Microsoft

• Na página www.microsoft.com/brasil/apps, há diversos links para quem quiser desenvolver apps online e ainda um passo a passo para iniciar a criação. 

Ao final, os aplicativos podem ser publicados no Marketplace do Windows Phone.

• O site www.microsoftvirtualacademy.com também reúne treinamentos e capacitações em diversas tecnologias, incluindo Windows 8. Há aulas presenciais por meio do Microsoft Innovation Center. Consulte http://www.microsoft.com/pt-br/default.aspx para mais detalhes.

SAP

• No site http://scn.sap.com/community/mobile, é possível encontrar tutoriais sobre a solução de desenvolvimento móvel da SAP, a Sybase Unwired Platform (SUP). O espaço também reúne guias e projetos de exemplo, além de blogs que descrevem a experiência dos desenvolvedores. Requer registro.

• No www.sapmobileappspartnercenter.com , o profissional tem acesso aos passos para criar apps usando a plataforma de mobilidade da SAP, bem como ter acesso ao calendário de treinamentos.

 


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