Recursos/White Papers

Opinião

Regulamentação de marketplaces: todos ganham com as novas regras do Bacen

A regulação é uma consequência natural da maturidade do mercado de pagamento eletrônico e do crescimento dos marketplaces online

Igor Senra *

Publicada em 07 de novembro de 2018 às 08h03

Desde o dia 28 de setembro, passou a valer a nova regulamentação do Banco Central para marketplaces. A norma prevê a integração dos marketplaces à Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) para liquidação das transações devidas para os seus vendedores. É importante dizer que essa regulação só toca os marketplaces que se envolvem no fluxo financeiro entre o comprador e o vendedor e não aqueles só os aproximam.

Mas o que isso significa? Explico. Quando alguém coloca um produto ou serviço para vender em um marketplace e o pagamento da compra é feito diretamente para o marketplace, este se torna responsável por receber o dinheiro pago pelo comprador e fazer  o repasse do dinheiro ao vendedor.

A regulação é uma consequência natural da maturidade do mercado de pagamento eletrônico e do crescimento dos marketplaces online.

A medida tem o objetivo de mitigar um risco sistêmico, isso é, que uma empresa que não repasse os valores devidos para os seus vendedores não inicie um dominó de problemas, em que a primeira empresa em dificuldades deixa de pagar o seu fornecedor, que passaria a ter dificuldades e por razão disso também não pagaria seus fornecedores, que também entrariam em dificuldades e por aí vai… E, na tentativa de achar um equilíbrio, a nova regra é válida apenas para marketplaces que movimentaram mais de R$ 500 milhões no último ano, visto que marketplaces que transacionem valores menores que esse dificilmente causarão um impacto significativo no mercado como um todo.

Vale dizer que isso não é totalmente uma novidade e que, também, o Banco Central não queria fazer alguma regra especificamente válida para os marketplaces. Essa regulação foiescrita em 2013 e nela o Banco Central não mencionava especificamente o nome "marketplace", embora deixasse claro que qualquer instituição que participasse do fluxo financeiro deveria se adequar às regras.

As mudanças que dizem respeito à regulação trazem uma resistência inicial, visto que exigem custos e adequações importantes em processos do negócio, mas mesmo assim entendo que ela deve ser vista com bons olhos.

Será possível aumentar mais a segurança a toda uma cadeia, evitando que a falta de responsabilidade de um dos agentes coloque em risco o dinheiro dos outros.

Sem a adequação, esses marketplaces perderão a possibilidade de fazer transações via cartão de crédito, o que, nos dias atuais, representaria um enorme impacto nas suas transações.

marketplace

Grandes motores do empreendedorismo (ainda mais em momentos de crise financeira), os marketplaces já são responsáveis por movimentar mais de R$ 1 trilhão por ano e ganham importância a cada dia. Seja por fusões, venda de ações ou mudança de direcionamento da marca, é certo que o futuro do e-commerce brasileiro passa pelo protagonismo dos marketplaces. Por isso, é preciso conscientizar os agentes e disseminar informações sobre a mudança que, sem dúvida, é mais um marco para que todos desfrutem das vantagens do comércio online com mais segurança para todos.

 

 

(*) Igor Senra é diretor geral da Wirecard Brasil



Reportagens mais lidas

Acesse a comunidade da CIO

LinkedIn
A partir da comunidade no LinkedIn, a CIO promove a troca de informações entre os líderes de TI. Acesse aqui