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Opinião

Encare a Edge Computing como parte fundamental das soluções de Internet das Coisas

Antes de termos uma noção real de como será nosso mundo recém conectado e das oportunidades de negócios que a IoT criará, precisamos saber alocar os recursos certos para gerenciá-los

Leonel Oliveira *

Publicada em 03 de agosto de 2018 às 11h11

Já passamos da metade de 2018, um ano em que nos habituamos aos assistentes virtuais. Ficamos felizes em ter o Amazon Alexa ou Google Assistant em nossas casas e utilizá-los para organizar nossas listas de compras, agendas, acender e apagar as luzes e muito mais.

Por outro lado, o passo adiante na Internet das Coisas (IoT) não é nosso conforto pessoal ao conversarmos com máquinas e deixá-las realizar nossas tarefas domésticas. O que esperamos realmente é que essas máquinas conversem entre si em um mundo cada vez mais conectado, repleto de cidades inteligentes automatizadas com dispositivos integrados.

Estamos há muito tempo fazendo publicidade da IoT, mas agora, parece que a tendência está finalmente começando a tomar forma no mundo, e também no Brasil. Com a aprovação da linha de crédito de R$ 1,5 bilhão pela FINEP – Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa – para ações ligadas à internet das coisas, o mercado brasileiro terá um cenário desafiador nos próximos anos. Para se encaixar no Finep IoT, as empresas precisam desenvolver soluções e aplicações em Saúde, Indústria, Agronegócio e Desenvolvimento Urbano.

Em outros lugares do mundo isso já está acontecendo. Na Austrália, por exemplo, 52 projetos já foram realizados pelo Programa Cidades Inteligentes e Subúrbios, que demonstraram apenas algumas das iniciativas locais. Algumas são atualizações inteligentes para a tecnologia que já usamos, como, por exemplo, ver o número de assentos disponíveis em um ônibus em tempo real via aplicativo. Outros são mais inovadores e prometem ter um impacto direto nas vidas do cidadão comum.

Mas, antes de termos uma noção real de como será nosso mundo recém conectado e das oportunidades de negócios que a IoT criará, precisamos saber alocar os recursos certos para gerenciá-los. Com a IoT, os volumes de dados são muito maiores do que podemos imaginar de forma realista e, em cima disso, estamos gerando todos os dias mais dados do que nunca.

O processamento de dados é algo geralmente deixado para “a pessoa de TI” solucionar, mas é algo que, se os líderes de negócios querem fazer parte, precisam começar a definir agora. Há várias maneiras de processar dados, mas todas elas se conectam a um data center ou a um equipamento no escritório.

Os data centers são ferramentas essenciais para todas as tecnologias. Eles administram e armazenam nossos programas e, sem eles, não poderíamos fazer algo simples como enviar um e-mail, por exemplo, quanto mais criar um sistema complexo de dispositivos conectados entre si. Tradicionalmente, os data centers são tidos como máquinas grandes, caras e desajeitadas, mas, como tudo na tecnologia, modernizaram-se ao longo dos anos e ficaram menores, mais potentes e práticos, prontos para atender às demandas digitais de hoje.

Imagine uma identificação facial em tempo real utilizada em um evento. Digamos que existam mil câmeras em ação, trabalhando em tempo real, identificando dezenas de milhares de faces de diferentes ângulos, criando dados ao longo do evento e integrando-se a outras tecnologias, como rádios policiais e serviços no estádio. Hoje, ainda não temos largura de banda necessária para processar tudo isso nas redes tradicionais, para funcionar de maneira eficiente. Você poderia executar essa demanda em um grande núcleo ou data center público. Atrasos ou “latência”, não são opções nesse cenário.

Então qual seria a solução? A resposta é a computação edge (borda ou ponta), a partir da qual conseguimos aproximar a computação dos dispositivos. A ´borda´ refere-se aos dispositivos que se comunicam entre si. Pense em dispositivos móveis, sensores ou qualquer coisa remota com uma linha web para outros dispositivos. A computação de ponta, na maior parte, refere-se a centros de dados de bordas menores, que processam os dados que precisamos para ações como reconhecimento facial em larga escala.

edgecomputing

Neste exemplo, o data center de ponta estaria localizado ali mesmo no local do evento, processando os dados em tempo real. Naturalmente, ele também estaria conectado a outros recursos, como um ambiente de nuvem pública ou privada. Mas o “trabalho pesado” seria feito localmente, onde a ação ocorre. Definitivamente, a Edge Computing não é a parte mais interessante ou charmosa da revolução da IoT, mas talvez seja a peça fundamental para que realmente aconteça uma revolução.


(*) Leonel Oliveira é Country Manager da Nutanix no Brasil

 



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