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Opinião

Quais as vantagens de regulamentar a proteção e o uso de dados sigilosos?

O tratamento mais seguro e cuidadoso dos dados de usuários traz mais confiança e ajuda a conter qualquer tipo de vazamento de dados que uma organização está sujeita

Camillo Di Jorge *

Publicada em 30 de maio de 2018 às 16h26

O uso de dados coletados de maneira duvidosa de 87 milhões de pessoas inscritas no Facebook levantou uma discussão importante sobre privacidade e utilização de informações online. No entanto, a propriedade e o sigilo desses dados já estão sendo discutidos em diversos países e a legalização de seu uso está se tornando realidade em muitos deles. Na União Europeia, por exemplo, entrou em vigor esse mês o GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados), conjunto de normas que visa proteger as informações pessoais dos cidadãos da região.

O texto da norma estabelece os direitos dos indivíduos e obrigações das empresas que lidam com dados online de seus usuários, e prevê multas na casa dos milhões de Euros para quem infringir o direito à privacidade. O Regulamento se aplica inclusive a empresas estrangeiras. Ou seja, uma empresa privada ou pública brasileira que possua relação com clientes ou parceiros europeus, necessita respeitar o GDPR. Portanto, sempre que houver tratamento de dados pessoais de um indivíduo da União Europeia, mesmo que seja um serviço gratuito, ele estará sujeito às normas do Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Apesar de parecer bastante restrito, o regulamento é um passo extremamente importante para aumentar exponencialmente a segurança dos usuários da região, pois, a partir de agora, haverá consequências previstas em lei para lidar com o tratamento de informações pessoais, o que tem feito com que muitas empresas revejam seus termos de uso e políticas de privacidade.

Segundo levantamento da IBM, 80% das companhias afetadas já estão diminuindo a quantidade de informações pessoais que guardam, 78% estão reduzindo o número de pessoas que têm acesso às informações de usuários e 70% estão excluindo dados que não necessitam.

O fato é que as empresas devem encarar isso positivamente, pois o tratamento mais seguro e cuidadoso dos dados de usuários traz mais confiança e ajuda a conter qualquer tipo de vazamento de dados que uma organização está sujeita. Inclusive, de acordo com mesma pesquisa, as empresas realmente estão vendo esse movimento pela segurança e privacidade da forma correta: 84% das companhias acreditam que o GDPR pode ser um diferencial positivo ao seu público, enquanto 76% crê que trará mais confiança para a relação com seus usuários, o que pode incidir em mais oportunidades de negócios.

O ponto positivo para as empresas brasileiras que atuam na Europa é que, ao se adequar ao GDPR a empresa passa a cuidar melhor dos dados dos usuários e clientes. Muitas destas empresas, inclusive, já estão adequando suas políticas de privacidade e termos de uso a essa nova realidade. Essa adequação pode ajudar a evitar grandes vazamentos de dados, pois, quanto mais cuidado com a informação dos usuários e clientes, menores são as chances de que estes dados caiam em mãos erradas.

Toda essa movimentação no sentido da privacidade e sigilo digitais vai ao encontro das necessidades crescentes de milhões de pessoas, que cada vez mais têm tido receio de ver suas informações pessoais expostas publicamente. O governo brasileiro está a par desta situação, por isso o Senado está discutindo o projeto de lei que estabelecerá regras de proteção de dados pessoais (o PLS 330/2013) no país. A lei trata do uso, armazenamento, tratamento de informações pessoais por terceiros, além de exclusão definitiva destes dados, quando solicitado.

proteçãodedados

Todo esse movimento dos governos acontece em meio a diversos problemas de vazamentos de informações. Isso não só é desgastante e prejudicial ao usuário como também às empresas, que podem sofrer com prejuízos financeiros, seja por pagar multas, perder clientes ou ter queda no valor das ações devido à perda da credibilidade. 

A regulamentação da proteção e sigilo de dados pode ser uma maneira positiva de prevenção, já que envolve o armazenamento de menos informações e muito mais cautela no uso e compartilhamento delas. Na prática, isso quer dizer que quando você compartilha informações com uma empresa online, ela não pode dividi-los com mais ninguém. Por isso, o GDPR e a PL brasileira podem significar um novo momento não só para quem realiza transações online, mas até para o usuário que acessa as redes só por lazer, pois garante mais segurança e privacidade durante a navegação.

 

 

 

(*) Camillo Di Jorge é Country Manager da ESET

 

 



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