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Opinião

Principais desafios de uma cultura data-driven na realidade brasileira

A necessidade de constante validação da realidade por meio dos dados pode impactar muito toda a nossa sociedade

Leonardo DIas *

Publicada em 04 de maio de 2018 às 09h29

Nos últimos anos, qualquer pessoa que tenha acompanhado as novidades e tendências do mundo digital já ouviu falar em data driven e suas várias aplicações. A ampla gama de soluções em análise de dados pode ser relevante em todos os aspectos do mundo corporativo. Com o objetivo de gerar insights ou criar data products, as empresas cada vez mais têm a oportunidade de destrinchar os problemas cotidianos ou inovar e encontrar novos caminhos para maiores margens ou receitas.

É preciso amadurecer. As decisões não podem ser tomadas sem um melhor conhecimento dos dados. Os dados é que precisam impactar as decisões, e não o contrário. A cultura de que a falta de informação e a intuição podem influenciar positivamente não passa mais por validações reais. As corporações se depararão inevitavelmente com estes e outros desafios durante a transformação digital.

data-driven culture é uma ideologia. Seu dogma é de que tudo pode ser metrificado, como já era ensinado na escola pitagórica. Esse resgate da importância do número está trazendo à tona novas percepções sobre as decisões corporativas. O correto uso dos dados permite encontrar correlações e predições do futuro. Não há melhor fator de decisão do que a previsão do futuro. Daí a necessidade de cálculos cada vez mais complexos, envolvendo cada vez mais dados e uma maior quantidade de algoritmos.

Não se trata de confiança cega: todo modelo de inteligência artificial é sempre construído com a sua própria validação. Estamos falando de precisões acima de 80% sempre para conseguir confiar nessas decisões. No fundo, esse cenário de constante teste e validação matemática é que levará a nossa sociedade a ainda maiores avanços tecnológicos, serviços digitais de ponta e produtos cada vez mais inovadores e enriquecedores.

Se hoje já conseguimos prever com probabilidade a chuva que cai em cada bairro e em cada horário, isso ocorre porque fomos capazes de juntar dados no passado sobre números de pressão atmosférica, temperatura, umidade, velocidade do vento, direção do vento e temperatura das massas de ar em deslocamento para poder chegar a um nível de precisão que temos hoje. Se isso foi possível em uma ciência, a meteorologia, imagina o que não é possível de se fazer em todos os negócios que existem.

datadriven

Bancos poderiam prever em tempo real qual transação é fraude e qual não é. Empresas de telecom saberiam identificar problemas de faturamento antes do processo de garantia de receita. Sistemas de segurança detectariam ameaças humanas ou tecnológicas, bombas ou espiões, com identificação facial de alta precisão. O mundo estaria transformado e as decisões seriam muito melhores, seja na identificação de criminosos, seja na criação de produtos inovadores e lucrativos.

A cultura data-driven, portanto, deve ser uma filosofia de vida nas organizações das mais diversas. Seja organização política ou empresarial, a necessidade de constante validação da realidade por meio dos dados pode impactar muito toda a nossa sociedade. Vidas podem ser salvas com diagnósticos mais precisos e as pessoas podem ter mais valor em seus serviços, tornando a vida mais fácil, mais simples e mais segura.


(*) Leonardo Dias é co-fundador da Semantix



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