Recursos/White Papers

Opinião

Você sabe o que é Hyper Agile?

E como o conceito junta gestão e tecnologia, visando o sucesso e a maior longevidade das organizações?

Carlos Costa *

Publicada em 05 de fevereiro de 2018 às 08h24

A duração média de vida das organizações reduziu para metade nos últimos 40 anos. Da lista original das 500 maiores empresas, publicada em 1955 pela revista Fortune, apenas 12% ainda constam da lista mais recente.

Qual o segredo da longevidade destas empresas? Qual a razão de tamanha mortalidade e de tanta nova empresa entrar nesta famosa lista? E qual a fórmula mágica de juventude organizacional para o futuro próximo?

Mark J. Perry, professor de economia e finanças da Universidade de Michigan, diz que este processo de destruição criativa é o combustível da prosperidade econômica.

Mas terá mesmo que ser assim? Haverá uma forma eficaz capaz de contrariar esta tendência de envelhecimento organizacional acelerado?

A “organização líquida”
Antes de 2005, o planejamento linear funcionava bem. Hoje em dia, no entanto, algo novo está acontecendo. As organizações estão em grande transformação e desenvolvem-se de diferentes maneiras, em diferentes áreas, com diferentes velocidades, para se adaptarem rapidamente a novos desafios.

Onde anteriormente tínhamos estruturas muito pesadas e rígidas, vemos agora uma orientação mais flexível. São as chamadas “organizações líquidas”.

Desde as startups tecnológicas, até às empresas mais tradicionais de energia, telecomunicações, finanças, agronegócio, calçado ou turismo, existem muito bons exemplos de sucesso nesta nova forma de planejamento não linear, mais proativo e ágil, com sucessivas guinadas de direção.

Até nas instituições públicas, habitualmente mais rígidas, conceitos como “mobilidade especial”, “ajuste direto”, “proposta economicamente mais vantajosa” ou “acordo de serviços” são novidades que vieram para ficar. As condições do mercado e da sociedade mudam a um ritmo cada vez maior, e por isso novas normas, leis e mecanismos reguladores são criados constantemente.

Os sistemas de informação e o software ocupam um lugar de destaque nas organizações líquidas, para se manterem sempre na linha da frente. Daí a crescente procura por plataformas de desenvolvimento mais ágeis e produtos de software de gestão prontos para evoluir, de acordo com as suas necessidades específicas, com custos moderados, assim que são instalados.

O que é o “Hyper Agile”
O desenvolvimento “Hyper Agile”, conceito criado por Damon Poole, pretende dar uma resposta aos novos desafios no desenvolvimento ágil de software. A grande diferença, agora, é que não é necessário cumprir todas as boas práticas clássicas do manifesto para ser considerado Agile.

É uma metodologia mais abrangente e menos fundamentalista, que reúne o melhor de vários mundos. Está projetada para escalar, suavemente, de pequenas para grandes equieas e maximizar o potencial da organização a partir de uma perspectiva de retorno de investimento (ROI).

Assenta em iterações curtas, forte automação, paralelismo massivo, hierarquia e prioridades de desenvolvimento, estimativa, prototipagem, controle de qualidade e mérito. Resumidamente:

Automação massiva e Iterações curtas – Semelhante ao desenvolvimento ágil tradicional, o “Hyper Agile” baseia-se em iterações curtas no processo e usa a automação em todo o lado que seja possível. Estas práticas permitem um feedback prematuro para eventual mudança nos requisitos, permitindo criar um produto final melhor e aumentando a flexibilidade do negócio.

“Massively Parallel Virtual Pipelining” ‒Este é o processo que visa quebrar o ciclo de vida do desenvolvimento em tantas etapas separadas quanto possível, mesmo em locais diferentes, permitindo um alto grau de atividade assíncrona que, por sua vez, facilita iterações curtas.

Hierarquia ‒ Uma hierarquia de desenvolvimento é simplesmente uma representação das dependências entre grupos que inclui etapas do processo, como integração, garantia de qualidade e revisões de código. Abrange uma série de práticas recomendadas, incluindo múltiplos níveis de isolamento, gatekeepers, checkpoints e move-se sempre de um bom estado conhecido para um bom estado conhecido.

Prioridades ‒ As prioridades são atribuídas colocando todos os itens planeados numa única lista. O primeiro item é o de maior prioridade e o último é o item de prioridade mais baixa. Isto é conhecido como backlog na metodologia Scrum Agile.

Esta prática simplifica muito o planejamento do projeto, mantém as equipes focadas no objetivo e ajuda a evitar o aparecimento de novos requisitos.

Estimativa ‒ À primeira vista, pode parecer que a estimativa é uma tarefa relativamente simples e mundana. Mas não é bem assim. Tem a sua ciência. Damon Poole recomenda que se use o conhecido método PERT. Use a estimativa de tempo de duração mínima, adicione três vezes a esperada, depois a estimativa máxima e divida a soma por cinco.

Definição prévia de testes e prototipagem ‒ Se a pessoa responsável por programar os testes está em dificuldades, é provável que esteja pouco claro o que é que é suposto o software fazer. E, se não está claro o que o software deve fazer, é pouco provável que possa satisfazer o usuário final.

Assim, faz sentido definir os testes primeiro e desenvolver protótipos para reduzir a probabilidade de inconformidades.

Controle de qualidade ‒ Uma das objeções frequentes ao Agile está relacionada com a qualidade. Uma vez que não há uma boa maneira de determinar a qualidade exata de um produto, é difícil comparar empiricamente uma iteração contra outra iteração para ajudar a determinar se uma iteração está pronta para entrega.

Auditorias para avaliar o grau de maturidade desta qualidade pelo CMMI (Capability Maturity Model Integration) são uma boa solução.

Meritocracia ‒ Permite aos analistas e programadores contribuir fora de suas áreas tradicionais, criar confiança nas suas capacidades e permitir que elas gravitem naturalmente nas áreas onde elas são mais efetivas. A transparência, por exemplo, é uma ideia que vem da comunidade open source, que promove uma discussão aberta e uma trajetória clara, desde o início até a entrega.

Podem ser usados fóruns e wikis. O uso de sistemas de registro e tratamento de problemas é algo que pode manter todos na mesma página.

“Fake Agile” ‒ Apenas algum cuidado. Quando um determinado novo conceito ou ideia se torna moda, todos os grandes velhos fabricantes tentam contestá-lo. Depois, não conseguindo, acabam por segui-lo, inicialmente apenas usando o seu poder de marketing, sem grandes alterações em seus  produto.

Por exemplo, nos automóveis, assim que o elétrico ganhou maior notoriedade todas as marcas criaram conceitos de ecologia como o start stop, o híbrido, ou o GPL. Mas atenção, essas inovações não são zero-emission (0% CO2). Uma coisa é um veículo que reduz a poluição e outra é o veículo que não polui.

De igual modo, atenção aos fabricantes de software que estão contestando ou a anunciando “agilidade”, apenas para se colarem ao conceito que está na moda. De agilidade podem não ter nada, a não ser alguns truques de marketing.

Esperemos que este novo conceito, “Hyper Agile”, possa ajudar a separar melhor o joio do trigo.

agile

Acelerar
O desenvolvimento de software está acelerando, de forma exponencial. É melhor nos prepararmos. Acredito que só uma nova abordagem, baseada em modelação e geração automática de código, nomeadamente as chamadas plataformas no code, poderá dar a resposta adequada a estas novas exigências de desenvolvimento de software “Hyper Agile” e de gestão de organizações líquidas.

Em todas as organizações, mesmo as mais tradicionais, o negócio e a tecnologia estão cada vez mais ligados (DevOps) e, com a acelerada mudança nos processos, o desenvolvimento de software vai ter que ser ainda mais rápido. Previsões (da IDC) apontam que, em 2021, 20% das aplicações de negócio serão criadas por developers não tradicionais.

Por isso fala-se agora em “Hyper Agile”, um conceito que junta gestão e tecnologia, como a via para o sucesso e maior longevidade das organizações. De acordo com as previsões anteriormente citadas, cerca de 50% do PIB mundial será proveniente de operações alicerçadas no digital, e os novos serviços exigirão uma velocidade mais ágil do que nunca.

O que é uma gestão “Hyper Agile” então?
Numa gestão “Hyper Agile” falamos, essencialmente, de capacidade de adaptação à mudança ainda mais rápida, do mercado, dos clientes, dos acionistas e dos colaboradores. Citando Claus Rydkjær, CEO de uma consultoria, “os líderes do futuro têm que ser progressivamente mais ágeis, definindo a direção e o campo de jogo e atuando de maneira solidária.

Os colaboradores terão que ser mais proativos e assumir responsabilidades. A liderança “Hyper Agile” é fundamental em todas as dimensões.

Os líderes devem, já hoje, encontrar formas de adaptar o seu estilo a este novo paradigma para se manterem relevantes no futuro.

Como o software é o sistema nervoso de cada organização, a gestão “Hyper Agile” vai obrigar a desenvolvimentos contínuos e muito mais rápidos.

Votos de um 2018 com muita agilidade, longevidade e boas tecnologias.

 

(*) Carlos Costa é diretor de marketing e de desenvolvimento de negócios com parceiros da Quidgest



Reportagens mais lidas

Acesse a comunidade da CIO

LinkedIn
A partir da comunidade no LinkedIn, a CIO promove a troca de informações entre os líderes de TI. Acesse aqui