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Opinião

Com a Inteligência Artificial como fica a privacidade dos dados?

As empresas precisam estar cientes de que ao adotar IA não significa que elas estarão se abrindo mais ou menos e nem que estarão mais ou menos seguras do que antes

Weber Canova *

Publicada em 26 de janeiro de 2018 às 15h25

A velocidade do surgimento de novas tecnologias - e de adoção delas - é cada vez maior. Essa evolução traz um crescimento exponencial de superfícies possíveis de ataques, ao mesmo tempo em que oferece inúmeras oportunidades às empresas. Diante do imenso volume de dados que precisam ser processados, algoritmos avançados simplificam a análise e a tomada de decisão. E aumentam o receio em relação à segurança e à privacidade dos dados.
 
Acreditamos que a Inteligência Artificial é uma tecnologia com um funcionamento muito similar ao Waze, que se diferencia do GPS e outros apps de mapas e rotas porque é baseado na colaboração entre os usuários. Eles não compartilham informações pessoais, como cor ou placa do carro, mas partilham dados relevantes sobre o trajeto, como velocidade do trânsito, acidentes e, até mesmo, o preço do combustível em um posto de gasolina. Essas informações beneficiam a todos.
 
É exatamente isso o que acontece com a IA. Os dados continuam sendo das empresas usuárias, mas todas se beneficiam de um processo acelerado de evolução da tecnologia. Isso porque a mesma plataforma pode ser usada por inúmeras empresas e, como ela tem capacidade de aprendizado, quanto mais é usada, mais inteligente fica. Portanto, se a máquina aprender a calcular o churn de uma companhia, essa inteligência será compartilhada e, a partir dali, todos os usuários se beneficiam deste aprendizado.
 
Mais do que isso, o compartilhamento de informações também possibilita um benchmarking do mercado em geral – e não só em relação a uma empresa específica. Essa colaboração ajuda as organizações a conhecerem melhor o mercado em que atuam e tomar decisões mais precisas visando um crescimento sustentável.
 
Porém, acreditamos que, assim como no Waze, precisa haver um equilíbrio entre privacidade e colaboração. A privacidade é fundamental para segurança das informações das companhias e para uma maior adoção da Inteligência Artificial, enquanto a colaboração é a chave para evolução da plataforma, Se não houver cooperação, esse processo será muito lento.
 
Outra questão que preocupa os gestores é a segurança das informações. Com a digitalização dos negócios, haverá mais sistemas e coisas conectados e, com isso, portas abertas para ataques. No caso de Inteligência Artificial, assim como em outros sistemas, uma das formas de garantir a segurança dos dados é o controle de acesso a eles por meio de políticas e senhas.
 
privacidade
 
É possível, por exemplo, determinar restrições de acesso por pessoas, cargos ou áreas. Além disso, a tecnologia permite definir quais aplicações ou, até mesmo, campos poderão ser visualizados pelos usuários. Para se ter uma ideia, no setor de saúde, essa restrição permitiria que apenas o médico tivesse acesso aos seus exames. Em uma empresa, o campo em que está o CPF poderá ser visualizado apenas pela área de cobrança.
 
Embora exista um anseio enorme em relação aos benefícios de tecnologias inovadoras, como a Inteligência Artificial, há, ainda, muito receio em relação a elas. Porém, as empresas precisam estar cientes de que ao adotar IA não significa que elas estarão se abrindo mais ou menos e nem que estarão mais ou menos seguras do que antes. A tecnologia impacta o poder de inteligência das organizações e adotá-la pode ser fundamental para a sobrevivência da sua empresa no mercado.
 
 
(*) Weber Canova é vice-presidente de Tecnologia da TOTVS

 



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