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Opinião

O que aprendemos com o Bitcoin?

Para atuar no mercado de moedas virtuais é necessário avaliar uma gama de variáveis que estão atreladas ao ativo, principalmente os profissionais e empresas envolvidas, bem como a sua usabilidade

Paulo Perrotti *

Publicada em 10 de janeiro de 2018 às 07h40

Nestes últimos meses, muito se falou a respeito da valorização das moedas virtuais e como elas tornaram tanta gente rica em tão pouco tempo, gerando uma comoção quase esquizofrênica, que povoou os noticiários do mundo inteiro. Uma das histórias mais conhecidas, e também curiosas, se passou em 22 de maio de 2010, quando um programador chamado Laszlo Hanyecz comprou duas pizzas usando 10 mil unidades de uma moeda digital ainda pouco conhecida, chamada Bitcoin. Hoje, 10 mil Bitcoins valem mais de R$ 550 milhões!

Enfim, aqueles que de alguma forma previram essa valorização conseguiram, de fato, gerar fortuna, apostando principalmente no estado da arte da tecnologia e na própria beleza dessa inovação, chamada hoje de Internet de Valores, que é a possibilidade de trafegar e transferir ativos por meio da rede mundial, utilizando uma rodovia chamada Blockchain.

O lastro do Bitcoin está na sua tecnologia e também na forma como ela se disseminou na sociedade. De toda forma, o Bitcoin foi o primeiro a atingir status de moeda virtual forte e valorizada e, agora, desfruta de reconhecimento, sendo que qualquer moeda virtual é confundida com ela, tanto em sua essência quanto na nomenclatura.

 Mas, e aqueles que ganharam dinheiro com a valorização do Bitcoin? O que de fato aconteceu? O que foi feito neste período nada mais é que uma espécie aposta de valorização no câmbio. Simples assim! Ou seja, aqueles que compraram Bitcoins foram meros especuladores, apostando que este ativo valorizasse no decorrer do tempo, comparado ao ouro, diamante ou à prata ou qualquer outro ativo (commodity) que já conhecemos, regulamentado por alguma agência mobiliária devidamente constituída e reconhecida.

bitcoinouro

Entretanto, a beleza das moedas virtuais vai muito além do Bitcoin e é isso que a sociedade tem de aprender. Existe uma demonização de qualquer moeda virtual, seja Bitcoin,Ethereum, Ripple, dentre as mais famosas, pois elas remetem a uma especulação que não é salutar. Na verdade, é muito pouco perto do que elas podem oferecer. Existe um preconceito a respeito das moedas virtuais e devemos trabalhar para mostrar ao mundo todo o potencial dessa tecnologia.

Para quem não sabe, é possível criar e emitir uma moeda virtual gratuitamente, pois toda a tecnologia é aberta e está disponível para quem quiser utilizá-la. Mas o que, de fato, traz valor, é o projeto que está por trás de cada moeda virtual. É o que se chama de Reputation Coins, ou seja, o que vale hoje não é apenas a sua tecnologia, mas a reputação que ela tem no mercado.

Ou seja, para atuar no mercado de moedas virtuais é necessário avaliar uma gama de variáveis que estão atreladas ao ativo, principalmente os profissionais e empresas envolvidas, bem como a sua usabilidade. A última coisa a ser analisada deveria ser a sua valorização, uma vez que a moeda virtual só terá importância se o projeto em que ela foi concebida for realmente um sucesso.

Dentre as iniciativas positivas do mercado brasileiro, encontra-se a BOMESP (Bolsa de Moedas Digitais Empresariais de São Paulo), criada a partir da Niobium Coin, que possibilitará que qualquer empresa crie e emita a sua própria moeda virtual, com reputação e usabilidade próprias, desenvolvida por meio de um projeto específico, com lastro e de forma profissional, operando no mundo das moedas virtuais com paridade diante do Bitcoin, do Ethereum, do Ripple e do próprio Niobium Coin.

A moeda virtual não vive por si só. Por isso, é necessário aprender como ela foi criada, para que serve e qual será a sua utilidade. Quando fazemos isso, estamos atuando como verdadeiros investidores. Caso contrário, seremos meros especuladores.

 

(*) Paulo Perrotti é sócio de Perrotti e Barrueco Advogados Associados e Presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá



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