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Opinião

O Brasil e o Global Pulse do YPO sobre a Confiança na Economia

Nosso país conta com uma “Janela de Respiro” nos próximos meses, o que faz com que nossos juros ainda altos, em relação ao resto do mundo, nos torne atraentes a investidores de curto prazo

Wesley Montechiari Figueira *

Publicada em 10 de novembro de 2017 às 15h34

O YPO, Young Presidents` Organization é uma organização mundial de presidentes de empresas com cerca de 25 mil participantes de todos os continentes, áreas de atuação e faturamento anual acima de US$ 10 milhões. Se fosse um país, o YPO estaria entre as 5 maiores economias do mundo. Isso dá a esse grupo uma visão única sobre a economia global.  Uma pesquisa feita pelo YPO há muitos anos, chamada Global Pulse, ou “o pulso global”, de fato dá a medida da percepção dos empresários no mundo todo sobre a economia em sua região. As médias, portanto, são bastante confiáveis. No Brasil são mais de 600 YPOers de diversos estados da união, com visões únicas, particulares sobre a economia, e que criam uma visão bastante acurada, e frequentemente “prevê” tendências de mercado.

Como YPOer e como auditor, tenho me beneficiado desta visão para entender para onde o mercado vai, ou por que o mercado acena de uma forma diferente da percepção dos “players”.

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O gráfico acima demonstra a variação na confiança na economia global, pela visão de milhares de empresários mundo afora. Pode-se observar um aumento gradual da confiança, até o final de 2016, e uma ligeira percepção de estagnação nesta confiança ao longo de 2017. É fruto, mais especificamente, da queda na percepção dos norte-americanos sobre a economia global desde a posse de Donald Trump. Paradoxalmente, apesar de todo o barulho causado pela mídia, e pelo próprio Trump, do ponto de vista político, indicadores gerais de economia daquele país só crescem, como o Dow Jones, que mede a valorização de uma cesta de ações da Bolsa de Nova York, ou os índices decrescentes de desemprego, compra de casas, etc. É uma visão política que parece tingir a percepção econômica, mesmo na cabeça de grandes empresários.

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Acima pode-se verificar que duas áreas, principalmente, influenciam o índice de confiança de forma acentuada – MENA (Oriente Médio e Norte da África) e Estados Unidos. A Europa exibe uma situação ainda mais controversa, com os países fora da Zona do Euro vendo sua confiança crescer, desde mínimas históricas, até quase alcançar a antes mais confiante Europa do Euro. 

Onde se lê América Latina (sem México), leia-se majoritariamente Brasil, ou seja, o Brasil influenciou positivamente no índice, nos últimos trimestres, ou pelo menos deixou de ser uma fonte de constante preocupação. A despeito das trapalhadas políticas, corrupção e outros fatores, fica cada vez mais claro que Brasília, desde que a economia seja tocada com um mínimo de decência, influencia pouco no dia a dia econômico do país. Essa confiança toda se reflete no valor do US$, desvalorizado em relação ao R$, e do Euro, que tem mantido seu poder de compra relativamente mais alto, em relação à nossa moeda.

O Brasil conta com essa “Janela de Respiro” nos próximos meses, o que faz com que nossos juros ainda altos, em relação ao resto do mundo, nos torne atraentes a investidores de curto prazo, mas também a investimentos de médio e longo prazos. É de se imaginar o que o país poderia estar fazendo, criando empregos, crescendo, se tivéssemos um mínimo de racionalidade nas contas públicas, um legislativo minimamente decente e reformas tão necessárias, embora tão combatidas (ininteligivelmente), como as da Previdência e Tributária.

 

(*) Wesley Montechiari Figueira é Sócio Diretor da empresa Russell Bedford Brasil e é YPOer – Capítulo de Curitiba



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