Recursos/White Papers

Opinião

Por que as integrações P2P falham tanto?

Componentes cruciais para soluções de integração incluem elasticidade, resiliência, tolerância a falhas, além de capacidades de monitoramento e de gerenciamento de desempenho. Sua equipe interna dá conta?

Stephan Romeder *

Publicada em 06 de novembro de 2017 às 07h00

Com toda a ênfase dada à Transformação Digital e os benefícios que ela proporciona, as indústrias não podem deixar os sistemas departamentais se tornarem o gargalo da inovação.

O compartilhamento de informações permite aos setores industriais alcançar novos níveis de eficiência. Com a Internet Industrial das Coisas (IIot) revolucionando a produção ao impulsionar o uso de dispositivos inteligentes e conectados nas fábricas, há muito mais oportunidades para se ajustar as operações com uma melhor integração de dados e processos.

Ainda assim, a resistência à mudança, o nível de risco envolvido e o investimento exigido são algumas das razões pelas quais a maioria dos departamentos de TI adia projetos de integração de sistemas. Quando eles decidem avançar, muitos gerentes optam pelas integrações ponto-a-ponto (P2P) para economizar no curto prazo. Mas quando outros sistemas precisam ser adicionados, acabam gerando custos mais altos e uma arquitetura de sistemas que é um pesadelo para gerenciar.

Fazendo as Coisas com Suas Próprias Mãos
Muitas organizações têm pessoal experiente e prontamente disponível, então é grande a tentação de enfrentar o desafio da integração com sua equipe interna. Quando as infraestruturas incluem apenas alguns componentes, por exemplo, integrando um sistema de planejamento de recursos corporativos (ERP) com um sistema de controle de produção (MES), os custos do projeto costumam ser baixos. E como é assim que a TI avalia o sucesso, o P2P ainda é a abordagem mais comum hoje em muitos casos.

No entanto, cada nova conexão P2P de baixo custo adicionada tem efeito de composição sobre o custo total da vida útil da infraestrutura de TI. Toda conexão nova deve ser desenvolvida, implementada e mantida para compartilhar dados com todos os outros dispositivos, componentes e sistemas da rede.

Assim, a cada novo módulo ou sistema adicionado, os desenvolvedores são confrontados com uma curva de aprendizado de compreensão, modificação e, em seguida, testes de cada nova conexão. O resultado é uma teia de aranha de conexões que leva mais tempo para ser adaptada a cada novo requisito, forçando os departamentos de TI a se concentrarem mais na integração e menos na criação de aplicativos que ofereçam suporte a seus usuários empresariais.

O custo do modelo P2P aumenta exponencialmente à medida que o tamanho da rede aumenta, de forma linear, ao mesmo tempo que se introduz riscos de segurança e regulamentação.

Integração de sistemas é sempre abrangente
Outra razão pela qual as integrações P2P falham é que as organizações de TI estão geograficamente dispersas. Os dados organizacionais já não são armazenados e gerenciados em data centers corporativos. Em vez disso, estão espalhados em todos os lugares. Isto é especialmente relevante para qualquer projeto.

Tomemos, por exemplo, a complexidade dos sistemas IIoT, onde há necessidade de conectar-se a vastas redes de sensores, controladores, balizas, smartphones, tablets e outros dispositivos. É necessário haver um mecanismo para compartilhar dados de forma transparente entre CRM, ERP e sistemas financeiros e de produção de back-end e com a capacidade de escalabilidade para processar um aumento nos volumes de dados. Gerenciar todas essas conexões usando uma arquitetura de integração P2P seria impossível.

Enquanto isso, os desenvolvedores de aplicativos, os serviços de TI da linha de negócios (LOB) e os usuários empresariais estão cada vez mais envolvidos com o trabalho de integração. O Gartner chama essa nova situação de “integração generalizada”. Isso significa que mais pessoas precisam de acesso a ferramentas para ajudar a viabilizar o processo de integração de dados.

integracaop2p

Flexibilidade de terceiros
As plataformas de integração são uma alternativa melhor à integração ponto a ponto, pois fornecem um ambiente mais flexível, que corresponde aos desafios da transformação digital. As plataformas de integração têm a vantagem de serem otimizadas para lidar com as camadas tecnológicas de um fornecedor (especialmente aquelas que possuem conectores e capacidades certificados por fornecedores), mas também são otimizadas para integrar as demais camadas. Então, se você está pensando em integrar tecnologias de vários fornecedores ou quiser manter suas opções abertas para o futuro, as ferramentas agnósticas podem fornecer os melhores recursos.

Outros componentes cruciais para soluções de integração incluem elasticidade, resiliência, tolerância a falhas, além de capacidades de monitoramento e de gerenciamento de desempenho. A necessidade de garantia de entrega de mensagens significa que o monitoramento é vital. Se um sistema falhar durante a transmissão, a ferramenta de integração precisa reconhecer quando pode reenviar a mensagem. Além disso, os recursos de monitoramento fornecem aos sistemas a capacidade de armazenar automaticamente transmissões que não puderam ser enviadas e recursos adicionais para lidar com picos repentinos na demanda.

Antes de resistir à necessidade de investir na integração de sistemas, tanto em termos de ferramentas quanto horas de projeto, é útil lembrar que os processos de negócios serão melhorados e poderão trazer benefícios financeiros significativos. Por exemplo, uma empresa farmacêutica usou uma plataforma de integração para rastrear quantidades químicas e números de lote em cada etapa do processo de fabricação para acelerar o cumprimento dos regulamentos. A integração de equipamentos especializados com equipamentos de back office também reduziu os estoques devido à melhor previsão da demanda.

Manter o foco nos benefícios de longo prazo e utilizar uma infraestrutura flexível pode resultar no melhor ROI ao longo do tempo de cada projeto de integração. A integração de sistemas a longo prazo torna a TI um facilitador, não um obstáculo para a transformação digital dos fabricantes.

 

(*) Stephan Romeder é Managing Director da Magic Software Europe



Reportagens mais lidas

Acesse a comunidade da CIO

LinkedIn
A partir da comunidade no LinkedIn, a CIO promove a troca de informações entre os líderes de TI. Acesse aqui