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Opinião

Transparência, proatividade e influência, características essenciais para CIOs

O CIO precisa trazer os assuntos de tecnologia para discussões relevantes para o negócio, de forma compreensível para seus pares. É preciso falar “de igual para igual”, e estar aberto a críticas e sugestões

Danilo Zimmermann *

Publicada em 30 de outubro de 2017 às 08h40

O papel estratégico do CIO dentro das organizações já é uma realidade. Com a presença cada vez mais forte da tecnologia e da inovação nos processos e projetos desenvolvidos pelas empresas, novos modelos de negócio surgem e com eles um novo perfil de executivo de TI, que vai muito além do entendimento e visão de novas tecnologias.

Em algumas indústrias em que o uso de tecnologia é vital para o negócio - como o mercado financeiro e de meios de pagamento, por exemplo – a relação do CIO com a estratégia do negócio tem se estreitado cada vez mais. O número de empresas que tem um CIO com assento permanente em seus boards tem aumentado. O que é ótimo.

Foi-se o tempo em que o CIO era somente um gestor técnico, que tinha a responsabilidade de manter em operação toda a infraestrutura tecnológica de uma empresa. A área de tecnologia, em muitas empresas, já não é simplesmente uma área de suporte ao negócio, mantendo uma relação de fornecedor e cliente interno. E o perfil do CIO tem mudando também.

Além de conhecer as novas tecnologias e suas implicações para o negócio, o CIO precisa cada vez mais ter um perfil de estrategista, e para isso entender profundamente do negócio é um ponto de partida essencial. A partir de uma visão holística da empresa e do setor, ele não se restringe mais ao cotidiano operacional da área de TI.

Exemplo da ampliação de visão destes executivos e da relevância que possuem dentro das companhias podem ser vistos nos movimentos feitos por instituições mundialmente renomadas, que têm investido significativamente em cursos voltados para profissionais desta área. E o aprendizado vai muito além da parte mais técnica: a neurociência passa a ser um campo de estudo para estes executivos, auxiliando a compreender e diagnosticar a relação entre o tipo de liderança da empresa e o sucesso de iniciativas de inovação vinculadas à estratégia.

CIO

Pesquisa recente da Deloitte, que entrevistou 1,2 mil CIOs em 48 países, identificou três perfis de profissionais: operadores confiáveis, instigadores de mudanças e cocriadores de negócios. No Brasil, o estudo indica que apesar de muitos executivos ainda priorizarem as questões operacionais, há uma tendência de migração de CIOs para as áreas de negócios.

Neste processo de migração, três questões são fundamentais para o CIO: a transparência, a proatividade e a influência. Quando o CEO confia um cargo estratégico ao CIO no board da companhia, este último tem que responder à altura.

O CIO precisa trazer os assuntos de tecnologia para discussões relevantes para o negócio e de forma compreensível para seus pares. Em outras palavras, é preciso falar “de igual para igual”. E isso significa também estar aberto a críticas e sugestões em sua área.

Também é importante que ele mantenha uma relação de muita proximidade e confiança com o CEO, antecipando tendências e mitigando riscos, sugerindo novas estratégias de negócios - transitar entre as áreas comerciais, financeiras, entre outras da organização, influenciando positivamente os caminhos a serem tomados, também passa a ser algo esperado deste importante líder.

Pesquisas indicam que os CIOS estão mais antenados em tecnologias como mobile, cloud computing, IoT, analytics, e inteligência cognitiva - justamente aquelas que terão maior impacto para os negócios nos próximos anos. A aproximação do CIO do CEO nas empresas também é um forte indício de que as transformações digitais já estão em curso atualmente.

O ritmo em que a transformação irá afetar empresas já estabelecidas de forma significativa pode variar a depender da indústria/negócio, mas não há dúvida de que ela irá acontecer. Por isso é importante se mexer rápido, senão outro o fará. E nesta jornada, o protagonismo e papel de liderança do CIO são peças fundamentais.

 

(*) Danilo Zimmermann é diretor executivo de TI & Operações da Alelo



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