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Opinião

Digital, só, não adianta. Busque um mindset inovador

A inovação acontece a partir do momento em que questionamos o modo como fazemos as coisas

Antonio Loureiro *

Publicada em 30 de outubro de 2017 às 09h00

Se você nasceu a partir do ano 2000 e gosta de fotografia, dificilmente vai se lembrar da ansiedade que nós, da geração anterior, sentíamos ao ir buscar as revelações de um filme com 12, 24 ou 36 poses. Imaginávamos quantas haviam queimado e quantas realmente eram boas. Recordações impressas e que hoje quase não se veem. Foi a partir de 1990 que os métodos analógicos começaram a se tornar obsoletos e esse é o nosso ponto de partida. As máquinas digitais foram lançadas, mas a Kodak demorou muito para entender, e aceitar, essa nova demanda.

O que podemos chamar de ‘Case Kodak’ é hoje um dos maiores exemplos de que a falta de inovação pode acabar com os negócios. Fundada em 1888, a empresa entrou com um pedido de concordata em 2012, deixando de existir da maneira como eu e tantos outros profissionais a conhecemos nos áureos tempos.

Inovação não é sinônimo de digital
Hoje, já vemos que grandes empresas têm investido o seu tempo e dinheiro no desenvolvimento de parcerias com startups, ou ainda inaugurando ambientes favoráveis ao desenvolvimento de novas ideias. Acontece que tudo isso, apesar de ser um bom começo, está longe de ser o ideal.

Mais do que nunca é preciso compreender que inovação, ou melhor, o mindset da inovação não está necessariamente ligado à disrupção digital, mas está sim conectado ao questionamento, à dúvida sobre como as coisas são feitas e o que é possível fazer para melhorá-las, visando alavancar a qualidade de vida do ser humano no planeta, e de preferência de forma sustentável. A tecnologia, nesses casos, chegou para coroar a ideia. E aqueles que não se atentarem a isso, correrão sérios riscos.

Um exemplo: creio que você ou a sua família, já precisaram viajar, e ao cotar o preço dos hotéis na região buscada se depararam com altos valores. A ideia de alugar uma casa até ocorreu, mas você não conhecia ninguém disponível ou disposto a isso. Foi então que Brian Chesky, Joe Gebbia e Nathan Blecharczyk, surgiram com o Airbnb. Para você ter uma ideia, no Brasil, a ferramenta já conta com um milhão de usuários.

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O mindset inovador
Antes de começarmos, é importante deixar claro que essa iniciativa tem que partir da cúpula da empresa. E vale a pena frisar que algumas companhias ainda carregam em sua diretoria, profissionais acostumados ao ritmo do passado, em que a inovação real levava cerca de cinco ou dez anos.

Mas hoje esse ritmo mudou, e não apenas por conta da tecnologia, mas porque as gerações mais recentes entenderam que a evolução ocorre a partir de novas alternativas para fazer o que já fazíamos. Quer entender melhor?

Recentemente vimos a notícia de que outra grande empresa americana, a Toys R Us, entrou na justiça com um pedido de concordata. Triste, mas será que essa situação não poderia ter sido prevista e revertida há alguns anos? Uma loja do porte da Toys R Us não poderia ter investido em um marketplace para brinquedos, por exemplo? Ou talvez em uma outra forma de chegar aos seus consumidores, e que poderia ter mantido a empresa no mercado. Nesse momento é que a questão ‘como eu posso olhar essa oportunidade e transformá-la em um negócio melhor para a minha empresa?’, deveria ter surgido.

Bebendo da fonte
É impossível falar de inovação e não citar a sua ‘nascente’: o Vale do Silício. O lar de tantas empresas como Netflix, Apple, Facebook, LinkedIn e Tesla, respira, mesmo que de modo clichê, a inovação. E lá sim é um lugar para se buscar ideias, ou melhor, desenvolvê-las.

Ainda que outros polos tecnológicos e de inovação existam e carreguem uma ótima fama, não há como compará-los ao Vale. Você pode até criar, inovar e mexer com o mercado, mas para viver e beber da fonte, é preciso ir até lá. E podemos ir além, por que não investir em um centro de pesquisa e desenvolvimento por lá? Hoje, empresas como Ford, Wal-Mart e Johnson & Johnson (empresas tradicionalmente distantes do Vale do Silício), entre muitas outras, já têm seu espaço próprio de pesquisa no Vale, e isso se deve ao ambiente favorável às boas ideias. Se por aqui ainda engatinhamos achando que o carro autônomo ainda é um sonho a La Jetsons, saiba que o Fórum Econômico Mundial de Davos, já projetou que em 2025, ao menos 10% dos carros americanos serão autônomos.

E não há problema se você decide investir na China, Alemanha, no Polo Digital de Recife ou em San Pedro Valey, em Minas Gerais, mas como o Vale do Silício, outro lugar não há.


 

(*) Antonio Loureiro é CEO e sócio-fundador da Conquest One


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