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Opinião

Como o limite entre físico e digital afeta seu dinheiro

Surge uma nova era surge no setor de serviços financeiros. Conheça o impacto que estas inovações podem causar no seu bolso

Nicholas D. Evans *

Publicada em 19 de agosto de 2017 às 07h00

Quando pensamos em rupturas digitais, podemos dizer que todos os setores de atividade estão sendo afetados de uma maneira ou outra, mas uma das maiores mudanças no futuro pode acontecer no setor de serviços financeiros. Bitcoin e Blockchain vêm à mente imediatamente, bem como inteligência artificial para proporcionar um melhor atendimento e vantagens competitivas, mas existem inúmeras outras mudanças já acontecendo ou prestes a acontecer em breve.

Isso é particularmente verdade na Europa, onde a Diretiva Revisada sobre Serviços de Pagamento (PSD2) foi concebida para criar um setor de pagamentos europeu mais seguro e mais inovador por meio da legislação. Mais importante, isso está gerando um efeito com alto potencial de mudanças sobre o segmento de serviços financeiros porque exige que os bancos deem acesso às contas online dos clientes e serviços de pagamento a fornecedores terceirizados, forçando-os a repensar seus modelos de negócio e os ecossistemas em que operam.

Outra área da inovação e de grandes mudanças em curso no setor de serviços financeiros tem a ver claramente com pagamentos móveis. Temos testemunhado uma série de iniciativas ao longo dos anos em carteiras digitais e depósitos digitais, mas isso é só o começo. O setor bancário bem como a indústria de alta tecnologia continuam fazendo experiências com a arte do possível, particularmente em torno do limite físico-digital cada vez mais indefinido na área de pagamentos e processos de negócios redesenhados.

Seguem seis exemplos de como a tecnologia de pagamento e processos de negócios associados estão evoluindo:

CVVs digitais - A Oberthur Technologies, empresa francesa de segurança para pagamentos digitais, introduziu um CVV (Card Verification Value - Valor de Verificação de Cartões) dinâmico em substituição ao CVV estático convencional. O CVV é o familiar código de segurança de três dígitos localizado na parte traseira dos cartões. O CVV dinâmico, que utiliza um gerador de números aleatórios para atualizar o valor, tenta reduzir as fraudes com cartão, alterando o código a cada hora ou com uma frequência até maior. Como as transações com cartão "não presenciais" respondem por 65% de todas as fraudes com cartão, essa tecnologia pode ser uma útil contribuição de segurança já que um CVV comprometido terá agora uma vida útil limitada.

Carteiras digitais - O Apple Pay é um exemplo bem conhecido - entre outros como Android Pay, Masterpass, Microsoft Wallet e Samsung Pay - do uso de carteiras digitais para fazer pagamentos móveis. No exemplo do Apple Pay, os cartões de crédito ou débito são armazenados eletronicamente e podem ser recuperados rapidamente para fazer pagamentos usando o recurso Touch ID da Apple. O processo de pagamento acontece em questão de segundos, e a assinatura biométrica empregada para autenticar o usuário e iniciar o pagamento dispensa o uso de assinatura física. Nesse exemplo, o cartão físico é digitalizado, e o processo de pagamento é bem simplificado.

Dispositivos wearable de pagamento - Um número crescente de dispositivos wearable, entre eles relógios inteligentes, pulseiras, faixas de monitoramento físico e mesmo casacos, está agora oferecendo métodos de pagamento com um simples deslizar do pulso. De acordo com a Juniper Research, pagamentos móveis e via dispositivos wearable deverão chegar a US$ 95 bilhões por ano até 2018. Como exemplo, o bPay da Barclays oferece uma variedade de dispositivos, incluindo pulseiras e chaveiros, que pode ser usada para fazer pagamentos no valor de £30 ou menores usando o aplicativo da bPay, que pode ser associado à maioria dos principais cartões de débito ou de crédito do Reino Unido.

Compras sem passar pelo caixa - A experiência de compra sem passar pelo caixa na Amazon está explorando a "visão computacional, a fusão de sensores e o aprendizado profundo" para permitir aos consumidores entrar em uma loja, escolher os itens e sair sem precisar enfrentar o caixa. Nesse exemplo, não são necessários dispositivos de pagamento porque as contas dos clientes da Amazon são cobradas logo depois de deixarem a loja.

Cartões de débito ou de crédito tradicionais podem estar associados a uma conta da Amazon, mas a exigência de um processo físico de pagamento na loja foi completamente eliminada.

futuro

ATMs sem contato – Falando sobre saques em dinheiro nos caixas eletrônicos, muitos bancos têm adotado retiradas sem cartão por meio das quais o dinheiro pode ser sacado de uma ATM usando a tecnologia Near Field Communication (NFC) em um smartphone. Implantado por grandes bancos, entre eles Bank of America, Chase e Wells Fargo, caixas sem contato já são usados por cerca de 20% dos 500 mil caixas eletrônicos nos Estados Unidos. Nesse exemplo, ainda estamos lidando com dinheiro físico, mas o processo de retirada é mais simples.

ATMs móveis - Desde 2015, o Idea Bank of Poland já oferece uma alternativa mais segura para os empresários fazerem depósitos à noite, equipando um BMW i3 com um ATM. Assim, o banco literalmente vai onde você está. O serviço é chamado por um aplicativo no celular do usuário e pode realizar depósitos e saques em dinheiro. De acordo com o Idea Bank, o depósito médio em um ATM móvel é três vezes maior do que em uma agência bancária. Nesse exemplo, o processo tradicional dos ATMs se inverteu completamente com o caixa indo até você e não ao contrário.

Fica evidente com esses exemplos que estamos na era de ouro da inovação dos serviços financeiros. Depois de mais de 65 anos dos cartões de crédito tradicionais (o primeiro cartão de uso geral foi emitido pela Diners Club em 1950), de 50 anos de máquinas de dinheiro (começando com os caixas-robô do Barclays em 1967) e de quase 20 anos de pagamentos sem contato (começando com a ExxonMobil Speedpass em 1997), quase tudo será reinventado.

Para estrategistas corporativos e tecnólogos, as opções são muitas e variadas. É possível reinventar modelos de negócio, redesenhar processos e aplicar poderosas combinações de novas tecnologias para desenvolver inteiramente novas proposições de valor para os clientes. Quais tecnologias e abordagens prevalecerão no curto e longo prazos? Qual é sua inovação fintech favorita até agora? Conte o que você pensa.

 

 

(*) Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys



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