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Opinião

Três impactos da venda de dados do transporte público em São Paulo

Que tipo de informações o Bilhete Único armazena? O que motiva João Dória a vendê-las?

Leonardo Dias *

Publicada em 15 de março de 2017 às 08h02

O prefeito de São Paulo, João Doria, anunciou a intenção de oferecer a base de dados de 15 milhões de usuários do Bilhete Único para a iniciativa privada. Mas que tipo de informações o Bilhete Único armazena? Ao se cadastrar no sistema da prefeitura, o usuário preenche uma ‘pesquisa de perfil socioeconômico, com seu endereço, idade, gênero. O uso do cartão possibilita também acesso à informações sobre trajetos e perfil dos passageiros de ônibus em determinadas linhas.

Publicidade cada vez mais precisa
Esses dados são muito importantes para os negócios. Eles auxiliam, por exemplo, o comércio a mapear o comportamento dos consumidores. Atualmente, quem investe em propaganda offline tem um feedback raso de seus investimentos. Uma empresa, por exemplo, que faz um anúncio em ônibus, não tem uma noção exata de quantas pessoas estão sendo impactadas, e tampouco sabe detalhes das características desse público. Dessa forma, os dados dos usuários do Bilhete Único mostrariam com precisão quantas pessoas estiveram no veículo, ou por onde passaram. Tudo isso é relevante para auxiliar os negócios e entender a dinâmica do usuário, ou até a do transporte da cidade.

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Aplicações cada vez mais voltadas à geolocalização
Com a venda deste banco de dados, torna-se mais atraente a análise de geolocalização, com aplicativos que informam deslocamento ou até condições econômicas dos usuários, por onde andam, por quais linhas trafegam, e em qual horário. Prever a movimentação do público e estimar quantas pessoas transitam em um local durante o dia é uma chave para aprimorar serviços como o transporte e o comércio. As Informações relevantes dos usuários do Bilhete Único tornam-se dados valiosos também para as empresas – que realizam análises avançadas, atendendo interesses comerciais.

Transporte 24 horas – e mais seguro
A própria natureza do serviço público envolve um grande volume de dados, pelo atendimento a milhões de cidadãos. Com acesso aos dados, é possível aprimorar os serviços oferecidos, aumentando a satisfação. No caso do transporte, um bom exemplo é sobre a relação dos custos e os gastos de uma viagem e do comportamento do usuário em relação ao número de veículos disponíveis é possível fomentar a operação de ônibus e metrô por 24 horas, com um custo bastante reduzido e eficiente, algo que hoje não existe em nossa cidade.


(*) Leonardo Oliveira Dias é co-fundador da Semantix



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