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Opinião

Privacidade é prioridade entre usuários de serviços tecnológicos para a saúde

Na área de cuidados com a saúde, a confiança é um produto! E muito mais difícil de vender, conforme ficou claro aqui na SXSW 2017

Luiz Cieslak *

Publicada em 14 de março de 2017 às 12h58

A velocidade de adoção de inovações tecnológicas tem crescido exponencialmente e, com ela, surgem uma série de perguntas relacionadas à privacidade das informações, especialmente em relação aos dados relacionados à saúde. Diferentes níveis de conforto circundam a privacidade de informações de várias gerações, cada vez mais envolvidas com dispositivos móveis, ferramentas sociais, entre outras.

Para atender às preocupações das pessoas, primeiramente, é preciso entender seus verdadeiros medos e questões, e somente com esses dados em mãos conseguiremos continuar inovando.

Aqui  no SXSW 2017, a 23andMe apresentou o que tem aprendido com seus clientes e discutiu como essas informações podem ditar a próxima geração dos produtos digitais de saúde,  um tópico tão sensível e presente na maioria das sessões relacionadas aos cuidados com a saúde.

O tema vem crescendo à medida que aumentam o número de dispositivos conectados coletando informações de pacientes. Também há mais recorrências ao "Dr. Google" para entender condições, opções de tratamentos, uso de drogas e efeitos a longo prazo. Como você se sentiria se pesquisasse sobre uma determinada condição e visse um anúncio de um medicamento específico não relacionado ao seu interesse? O anúncio é exibido por causa das informações que foram fornecidas e os dados que foram coletados sobre você.

Nos Estados Unidos, um em cada oito pacientes não compartilham seus dados durante os primeiros cuidados médicos. Estes números são ainda piores se mirarmos para as doenças crônicas ou sexualmente transmissíveis. As pessoas simplesmente não se sentem confortáveis em deixar registradas informações sobre sua saúde que possam ser mantidas fora de seu controle ou sem entender como esses dados serão manuseados.

Os dados sobre sua saúde existirão para sempre, mesmo em seu primeiro registro médico ou em vários locais eletrônicos diferentes. E esses dados podem impactar o seu futuro de maneiras inimagináveis. A apresentadora compartilhou um estudo de caso sobre como o uso de informações genéticas causou a ruptura de uma família. As pessoas não compreendem totalmente as conseqüências dos dados compartilhados, bem como a maneira como as empresas e os regulamentos que requerem seu consentimento para uso dessas informações não explicam ou nem esclarecem como isso poderia afetá-lo. Quantos de vocês leram completamente os termos de acordo ou as políticas de privacidade?

saudedigital

A confiança é um produto! E muito mais difícil de vender para seus clientes. Isto porque exige transparência sobre como as informações estão sendo aplicadas e para quais finalidades. Mas acima de tudo, requer uma comunicação clara, compreendida pelo usuário e com impactos devidamente declarados em relação à aceitação dos termos. Sem letras pequenas, sem informações ocultas e absolutamente sem fazer nada com os dados que não foram previamente comunicados.

As pessoas estão normalmente dispostas a compartilhar dados e a participar em estudos ou novas abordagens, utilizando suas informações. Elas não podem ser surpreendidas pelo uso proposto, nem pela compreensão sobre onde as informações são armazenadas (o que a ciência está começando a utilizar), ou como usar as ferramentas e sites disponibilizados para eles.

 

(*) Luiz Cieslak é business director na CI&T nos Estados Unidos

 



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