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Opinião

Assistimos hoje ao despertar da Inteligência Artificial

Uma das grandes forças que nortearão nosso futuro

Rodrigo Parreira *

Publicada em 13 de março de 2017 às 09h23

Jogos de tabuleiro sempre foram considerados desafios para o desenvolvimento da inteligência artificial. O xadrez, em particular, sempre foi visto como um marco importante: seria possível algum dia um computador derrotar um humano? Bem, esse fato ocorreu em 1997 quando o supercomputador Deep Blue, desenvolvido pela IBM, venceu um match contra o campeão mundial Garry Kasparov, para muitos considerado o maior jogador de xadrez de todos os tempos.

Mas o fato é que o Deep Blue não jogava como um humano. Analisava posições com “força bruta”, identificando todas as possíveis variáveis e calculando em grande velocidade. Uma pessoa não joga assim. Um bom jogador vê padrões, descarta possibilidades e pensa muitas vezes de forma intuitiva. De lá pra cá, softwares que jogam xadrez passaram a ser comuns, acessíveis e, reconhecidamente, com níveis técnicos superiores a todos os jogadores humanos da história.

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Mas há um jogo clássico onde a “força bruta” e a mera capacidade de processamento não são suficientes para definir um ganhador. Trata-se do Go. De origem milenar chinesa, as primeiras referências surgem há mais ou menos 2.500 anos, é um jogo no qual peças brancas e pretas (chamadas “pedras”) são posicionadas em um tabuleiro de 19x19. Ele é estático, ou seja, quando as peças são posicionadas, não mais podem ser movidas. O objetivo é dominar, ao final da partida, o maior espaço (área) no tabuleiro. Quando um conjunto de pedras de uma determinada cor for completamente cercado por peças do oponente, elas são removidas do tabuleiro e aquela área passa a ser controlada por quem efetuou o cerco.

E o Go sempre foi um dos grandes objetivos perseguidos por aqueles que desenvolvem sistemas de inteligência artificial. Por que? Ao contrário do xadrez e de outros jogos, a quantidade de posições que podem ser geradas em uma partida de Go é tão grande que não é possível imaginar sistemas computacionais analisando todas as variantes cabíveis. Para se ter uma ideia, o número de possíveis posições em uma partida excede as estimativas que definem o número de átomos do universo!

Resumindo, é um jogo em que o processo de tomada de decisão é baseado, em muitos casos, em conceitos que nós chamamos de “intuição”, e não, puramente, na análise lógica e na extrapolação de posições. Estimava-se que algoritmos jogadores de Go seriam capazes de vencer profissionais por volta de 2030, apesar dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) associados ao seu desenvolvimento, impulsionados, hoje em dia, principalmente por dois gigantes da tecnologia: Google e Facebook.

Eis que, em 2016, a equipe do Google anunciou, por meio da publicação de um artigo na revista científica britânica Nature, que seu algoritmo AlphaGo foi capaz de derrotar, em um match, o campeão mundial de Go, o coreano Lee Sedol, também considerado por muitos o maior jogador da história. Trata-se de uma grande ruptura de paradigma, na qual, pela primeira vez, máquinas começam a ser capazes de avaliar situações e decidir utilizando características humanas - e, inclusive, errando em alguns casos.

alphago

A esse novo conceito estão associadas iniciativas como o Watson, algoritmos capazes de entender a linguagem natural humana (incluindo gírias, palavrões, entonações, etc.) e que já atingem resultados notáveis. É o despertar da inteligência artificial (IA), uma das grandes forças que irão moldar o nosso futuro.

Esses avanços serão determinantes no médio prazo para o processo chamado de “Quarta Revolução Industrial” e que envolve, sobretudo, a integração de elementos físico-digitais a processos produtivos e operacionais. Por isso, algumas empresas estão deixando de ser puramente fornecedores de tecnologia da informação e comunicação para também oferecer serviços complementares. Quando olhamos a partir da perspectiva de onde nos encontramos, inteligência artificial comercialmente disponível ainda parece algo distante. Mas tenho certeza de que em um horizonte de cinco a dez anos, sistemas inteligentes serão gradualmente incorporados às cadeias produtivas, gerando impactos econômicos, sociais e políticos, em âmbito global ainda difíceis de imaginar e avaliar.

O importante para as empresas é não perder de vista o objetivo de estar ao lado de seus clientes, com um entendimento claro das tendências de evolução tecnológica e a missão de ajudá-los nesses processos de transformação, sempre com uma postura pragmática, isenta e focada no negócio. Um grande desafio para todos nós. O futuro está bem mais perto do que parece.


(*) Rodrigo Parreira é CEO da Logicalis Latin America



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