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Opinião

Sua empresa tem uma gestão de dados eficiente?

Confira os principais sintomas observados quando uma empresa não possui uma gestão de dados que estabeleça as condições necessárias para que consiga extrair real valor desses dados

Bergson Lopes *

Publicada em 01 de fevereiro de 2017 às 07h53

A adoção de novas soluções e tecnologias ligadas a Internet das Coisas, Inteligência Artificial e, mais recentemente, o Blockchain tem despertado o interesse dos executivos de TI. Algumas empresas já iniciaram ações para implementar essas soluções no curto/médio prazo.

Boa parte dessas empresas consideram os dados como elementos cruciais em suas estratégias. Afinal, se a qualidade dos dados não for satisfatória, as informações serão incompletas, conflituosas, caras e inconsistentes, trazendo enormes transtornos ao cumprimento das estratégias.

Dados são considerados ativos, e como tal, devem ser gerenciados. Este clichê, muito comum na década de 90, retornou com força total nos últimos anos, quando surgiram os primeiros projetos de Big Data, Analytics e Transformação Digital. Contudo, algumas dessas iniciativas não alcançaram o êxito esperado, pois a baixa qualidade dos dados comprometia tanto o desenvolvimento dos projetos, quanto o resultado final, com as soluções já em ambiente produtivo. Afinal, sem o estabelecimento de uma gestão efetiva dos dados, não há como esperar uma boa qualidade dos mesmos.

Com o objetivo de antecipar a identificação deste tipo de problema, elaborei uma lista com os principais sintomas observados quando uma empresa não possui uma Gestão de Dados eficiente. São eles:

1º - As áreas de negócio da empresa não participam da Gestão dos Dados: Uma das premissas fundamentais da Gestão de Dados é a gestão compartilhada dos dados entre a TI e as Áreas de Negócio. Para isso, é fundamental que profissionais das Áreas de Negócio atuem e sejam formalmente reconhecidos como os representantes de suas áreas nessa gestão. Além disso, a existência de estruturas de apoio à Governança de Dados como, por exemplo: Comitê Executivo e Comitês Táticos de Gestão de Dados colaboram para o amadurecimento desta prática na empresa.

Se as ações para a Gestão de Dados não levam em conta a participação das áreas de negócio, certamente, os dados não estarão totalmente alinhados com as necessidades estratégicas da empresa.

2º - As definições dos conceitos de negócio não são homogêneas na empresa: O estabelecimento de um Glossário de Termos, com as definições dos principais conceitos de negócio, disseminados e compreendidos uniformemente por todos os colaboradores da empresa é uma das primeiras ações a ser tomada quando a Gestão de Dados é implementada.

A ocorrência de diferentes definições para conceitos comuns ao negócio, indica que a organização não priorizou o estabelecimento de um vocabulário único, sem ambiguidades, constituído pelos principais conceitos de negócio.

Termos de negócio com definições não homogêneas acabam por gerar diferentes expectativas, regras e ações para um mesmo propósito. Em alguns casos, novos silos de dados são construídos, trazendo enormes prejuízos para a empresa.

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3º - As regras sobre os dados não existem ou não são totalmente conhecidas: As políticas de dados são documentos específicos, definidos de forma consensual por TI e Negócio. Visam estabelecer as principais regras e direcionamentos sobre o uso e a gestão dos dados na organização. Ou seja, juntas formam a “regra do jogo”, a “constituição” dos dados da empresa. Devem ser constantemente revisadas e publicadas para todos os envolvidos nas atividades com os dados.

 A ausência ou desconhecimento dessas políticas trazem enormes instabilidades e incertezas para os envolvidos nas especificações, implementações e demais utilizações dos dados no ambiente corporativo.

4º - Ausência de uma Arquitetura de Dados Corporativa: Em um mundo cada vez mais integrado, a necessidade de desenvolver soluções aderentes ao modelo arquitetural da organização é crucial. Desta forma, as empresas estarão aptas a prover mudanças na velocidade determinada pelo negócio.

A ausência de modelos de dados corporativos, alinhados à estratégia da empresa e elementos das demais arquiteturas como processos, aplicações e tecnologias, indica que a empresa não possui uma Arquitetura de Dados estabelecida.

Desta forma, em vez de desenvolver as aplicações orientadas a arquitetura, a empresa desenvolve de forma arcaica, orientada a demanda, levando em conta somente os requisitos de uma única área de negócio ou demandante, muitas vezes a “toque de caixa”, sem uma visão abrangente do conjunto de negócios, processos e tecnologias que devem ser considerados em uma solução global, flexível e definitiva. 

5º - A empresa possui ferramentas para apoiar a Gestão de Dados, porém ainda não são plenamente utilizadas: É fato que sem o apoio das ferramentas, algumas funções da Gestão de Dados são prejudicadas, incluindo a Qualidade de Dados e o Gerenciamento dos Dados Mestres (MDM). Entretanto, ao iniciar o processo de aquisição de uma ferramenta, é importante que a empresa já tenha estruturado um trabalho para implementar alguns princípios básicos da Gestão de Dados, como alguns já mencionados neste post.

Sem isso, encontraremos cenários onde a ferramenta foi instalada, porém sua utilização esbarrou em problemas típicos como: falta de definição das regras e critérios para qualidade dos dados - ausência dos gestores (responsáveis) das informações, incompatibilidades tecnológicas, etc.

De forma geral, o processo para aquisição dessas ferramentas é bastante longo. Portanto, se a empresa começou a pensar na aquisição de uma ferramenta, ainda há tempo suficiente para estruturar minimamente uma Governança de Dados, a fim de orientar a escolha e adoção das ferramentas adequadas.

Chegamos em um estágio onde poucos projetos falham em razão do conhecimento tecnológico, porém ainda temos o péssimo hábito de negligenciar considerações ligadas à Gestão e aos Negócios. A Gestão de Dados, compartilhada entre TI e Negócio, estabelece as condições necessárias para que as empresas consigam extrair o real valor dos dados, transformando os mesmos em sabedoria empresarial.

 

(*) Bergson Lopes é vice-presidente do Capítulo Brasileiro da Data Management Association (DAMA Brasil), CEO da BLR DATA e autor do livro Gestão e Governança de Dados


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