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Opinião

Seis coisas que o Vale do Silício precisa parar de fazer em 2017

Eu te amo, Silicon Valley, mas há algumas coisas que você continua fazendo que exaspera a todos nós

Mike Elgan, Computerworld/EUA

Publicada em 05 de janeiro de 2017 às 07h05

O Silicon Valley é um lugar incrível para a inovação. Uma Mecca geek. Um destino para nerds profissionais - a capital tecnológica do mundo.

Muitos dos produtos e serviços que transformaram o nosso mundo para melhor foram gerados aqui. Os smartphones de hoje, sites sociais, motores de busca e serviços de economia compartilhada centrados em aplicativos como Uber e AirBnB foram todos sonhados por jovens visionários em cidades como Cupertino, Mountain View, Palo Alto, Menlo Park, São José e São Francisco.

Apesar dos melhores esforços dos planejadores urbanos de todo o mundo, o Vale do Silício não pode ser replicado. O milagre do Vale do Silício não é produto de incentivos, zoneamento, universidades ou planejamento. É o produto da cultura - uma mistura perfeita de utópicos, hippies, homens de negócios, pesquisadores, hackers, inventores... e um mindset imperial.

Mindset que tem um lado sombrio. E agora que a tecnologia é completamente mainstream, o lado negro é mais aparente e afeta e irrita mais pessoas.

Aqui estão as sete coisas que o Vale do Silício precisa parar de fazer em 2017.

1. Pare de usar a palavra 'D' (disrupção)
O pessoal do Silicon Valley e os empresários falam sobre "disrupção" como um objetivo primário para seus negócios.

Aqui no Vale do Silício, a palavra "disrupt" é o código para corrigir algo.

A suposição é que algo lá fora é profundamente falho e, aplicando um pixel de poeira do Silicon Valley - aplicativos, algoritmos ou inteligência artificial -  o que é falho pode ser corrigido para uma maneira melhor de fazer as coisas.

Fora do Vale do Silício, a palavra "disrupção é o código para quebrar algo.

Se você possui uma pequena empresa de transporte de carga, por caminhão, e um empreendedor do Vale do Silício começa a falar sobre "disrupção" da indústria de caminhões, ele está falando sobre como esmagar seu negócio e tirar seu sustento para se tornar um bilionário.

Silicon Valley, pare de tentar transferir a riqueza dos muitos para os poucos. Pare de tentar varrer da terra as indústrias tradicionais. Em vez disso, procure um negócio vantajoso para todos que beneficie o maior número possível de pessoas.

2. Pare de fingir que várias empresas digitais não são empresas de mídia
Eu estou falando principalmente do Facebook, e todas as empresas que invejam o Facebook. Se os usuários publicarem ou compartilharem conteúdo em seu site e fizerem alguma coisa com esse conteúdo - classificá-lo por algoritmos ou filtrá-lo, excluí-lo por relaciná-lo a  temas censuráveis ​​ou oferecer "top stories" -  você é uma empresa de mídia. Você não é como a companhia telefônica. Você é como uma empresa jornalística, com todas as responsabilidades sociais e editoriais que a acompanham.

O Facebook é o principal hipócrita neste reino. É um filtro agressivo do conteúdo do Feed de Notícias, mostrando uma fração das mensagens enviadas por amigos usando critérios secretos criados para aumentar o "engajamento" e, nesse processo, determinar quais de seus relacionamentos você está mantendo e quais você deve abandonar. Censura fortemente postagens baseadas em seus valores ou nos valores de seus críticos que os envergonharam no tribunal da opinião pública.

O Facebook é a maior fonte de notícias na história da humanidade. Mas quando confrontado com o seu papel na propagação de notícias falsas, primeiro levantou as mãos e disse, "hey, não somos uma empresa de mídia".

(Após a pressão pública, voltou atrás, e anunciou que trabalhará com FactCheck.org, PolitiFact, ABC News, Associated Press e Snopes.com para identificar e rotular histórias falsas como tal.)

Muitas empresas do Vale do Silício querem as duas coisas. Elas querem ser disruptivas e/ou deslocar organizações de mídia tradicionais e ganhar toda a influência, poder e dinheiro, mas então afirmam não têm qualquer responsabilidade pela qualidade da informação entregue ao público.

Eu digo: Pare de fingir que não é uma empresa de mídia. Assuma a responsabilidade, ou saia do negócio de distribuição de conteúdo.

3. Pare de lançar cópias
Parece que a maioria das startups de software nos dias de hoje estão lançando produtos que copiam aplicativos que existem há anos, sem nenhum conjunto de recursos diferenciados.

Eu amo  o Product Hunt . É uma ótima maneira de descobrir os aplicativos mais recentes (e outras coisas) e colocar o seu dedo no pulso do software do Vale do Silício. Para cada aplicativo exclusivo, útil, poderoso e interessante no Product Hunt, existem vários aplicativos chatos, feitos para serem cópias baratas.

Sério? Estamos em 2017 e você está vivendo em um apartamento de dois quartos com oito pessoas no Vale do Silício para fazer um aplicativo de notas que substitua o post-it ou um site de escrita on-line minimalista? Essas ideias do app foram tentadas e falharam mil vezes. Pense em algo novo!

goals2017

4. Pare de nomear o seu produto ou empresa com um "LY" no final
Então você tem um aplicativo de destaque. Você tem que chamá-lo Outlinely? Será que um aplicativo de atendimento ao cliente precisa ser chamado Customerly? E eu nem quero saber o que Zittly é. (Eu não estou brincando, estes são os nomes reais de aplicativos que surgiram no mês passado). 

Se quiser mais conselhos, criarei um aplicativo chamado Advicely.

5. Pare de adquirir empresas e produtos apenas para matá-los
As empresas do Vale do Silício tendem a adquirir startups promissoras. Às vezes apenas para matá-las, sem cerimônia - não porque estejam falhando, mas justamente por estarem tendo sucesso.

Alguns dos melhores aplicativos e sites já criados foram adquiridos quando estavam se tornando populares, e terminaram. Voc6es lembram do Posterous, Pownce, Dodgeball, reMail, Nextstop e Friendfeed? Eram todos os aplicativos inovadores, poderosos, bem projetados ou serviços que foram encerrados de propósito somente porque eram muito bons.

Pare com isso, Silicon Valley. Pare de usar seus bilhões para esmagar a inovação para seu próprio ganho.

6. Pare de matar grandes recursos que os usuários adoram
Nos últimos anos, as principais empresas do Vale do Silício tomaram características brilhantes que todo mundo estava desfrutando, matando-as igualmente sem cerimônia.

O Google Fotos é um ótimo exemplo. Quando o Google iniciou a remoção de partes do Google+ , os recursos de fotos foram removidos e  alocados em um serviço separado, o Google Fotos.

Antes, os apps de fotos do Google tinham ótimos recursos de edição. Agora, você dificilmente pode fazer qualquer coisa para imagens usando as ferramentas de edição além de corte, ajuste "luz" e "cor" e escolher uns filtros feios. Ironicamente, o Google detém o  Snapseed , que é de longe a melhor ferramenta de edição de fotos móvel.

Outro exemplo é o MacBook Pro. Uma das melhores e mais amadas características nos laptops da Apple nos últimos anos era o conector MagSafe,  que usava um ímã para conectar o cabo elétrico. Se alguém chutasse o cabo acidentalmente, ele desligaria sem destruir seu laptop. O mais recente MacBook Pros usa carregamento USB-C. A Apple removeu uma grande característica para perseguir sua obsessão de redução da quantidade de  buracos no laptop.

Pare com isso, Silicon Valley. Se você é bom o suficiente e sortudo o suficiente para sair com um recurso que todo mundo ama, não o mate.

Estamos em 2017. Apenas pare já.

 

PS: se você tem alguma sugestão para a lista de atitudes que o Silicon Valleydeveria rever e deixar, compartilhe nos comentários.



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