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Opinião

Amazon Go, onde o varejo e a Internet das Coisas se encontram

O interesse não está atrelado necessariamente ao aumento das vendas, mas sim à fidelização do consumidor, tornando o processo de compra uma nova experiência, com muito mais qualidade e diversão

Publicada em 04 de janeiro de 2017 às 07h10

O consumidor entra na loja, aproxima o smartphone de um sensor para se identificar, recebe notificações com ofertas personalizadas, escolhe os produtos que deseja comprar, aproxima novamente o celular do sensor e sai da loja. A fatura chega minutos depois em sua conta.

Esta sequência de passos do consumidor na loja descreve uma nova experiência de compra, em que a praticidade e a comunicação em tempo real são um diferencial.  Em um cenário de revolução tecnológica em que o mundo físico se aproxima cada vez mais do mundo virtual, o termo Lojas do Futuro tem se tornado tópico recorrente na agenda de grandes varejistas. A recente notícia da inauguração de um piloto da Amazon Go, loja física em que os clientes farão suas compras sem precisar passar em caixas, concretiza ainda mais esta grande tendência.

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O conceito “Just Walk Out” (Apenas saia, em português), criado pela marca, é uma estratégia inovadora que vem sendo adotada pelo varejo físico como uma forma de se reinventar e não perder seu espaço para o E-commerce. O perfil do consumidor mudou. As novas gerações estão acostumadas com a conectividade e são sedentas por informação e praticidade. Dessa forma, é preciso investir em tecnologias que permitam uma interação em tempo real com o cliente e que possibilitem unir o melhor do varejo tradicional (o toque, o ver e as sensações atreladas à aquisição de um produto) com a praticidade do varejo virtual (autoatendimento, promoções personalizadas, redução de burocracias no processo de compra, fim das filas).

Neste sentido, o interesse por iniciativas como a da Amazon Go não está atrelado necessariamente ao aumento das vendas, mas sim à fidelização do consumidor, tornando o processo de compra uma nova experiência, com muito mais qualidade e diversão.

No Brasil, os varejistas têm investido em tecnologias de Internet das Coisas como forma de aproximar o offline do online. Este conceito veio para delimitar uma nova fase na era digital, em que dispositivos e objetos inteligentes são interligados entre si e com as pessoas.

Inseridos nesta lógica de Internet das Coisas, os beacons são um exemplo de tecnologia que vem sendo testada por grandes varejistas. Neste contexto, os beacons funcionam como pequenos dispositivos como uma espécie de GPS Indoor, capaz de se conectar ao smartphone do consumidor. Através desta tecnologia, é possível enviar mensagens e ofertas personalizadas para o consumidor, transmitir informações sobre o produto, analisar o caminho do cliente na loja, entender o seu comportamento (departamentos mais visitados, por exemplo), otimizar o layout da loja e auxiliar na tomada de decisões estratégicas.

Outra tecnologia que vem sendo implementada em lojas piloto no Brasil é o Magic Mirror, uma inovação tecnológica que promete revolucionar o processo de experimentação de roupas, acessórios e maquiagens pelos consumidores. Através desta tecnologia, o cliente poderá navegar por um catálogo virtual no espelho do provador, simular a utilização das peças selecionadas, checar a disponibilidade destas peças no estoque e adicioná-las ao seu carrinho de compras.Todos estes benefícios contribuem para a fidelização e para o envolvimento do cliente.

Contudo, apesar de todas as vantagens oferecidas por estas tecnologias, é preciso assegurar que a entrada no mundo das Lojas do Futuro e da Internet das Coisas ocorra de maneira controlada. Para que isso aconteça, o investimento na segurança da informação é indispensável, já que estas inovações possuem grande carga de dados confidenciais.

Ainda, para minimizar as diferenças em relação ao varejo virtual não basta investir apenas em inovações tecnológicas. O varejo tradicional deve buscar potencializar os motivos que ainda levam os consumidores para a loja física. Mesmo as novas gerações ainda prezam pelo contato físico com os produtos antes da compra e, por isso, é preciso tornar esta experiência mais agradável. Possuir um atendimento de qualidade, pessoas treinadas e que entendam as especificidades dos produtos, investir na automatização dos processos de previsão de demanda e estoque para garantir a sua disponibilidade na loja, além de melhorar a exposição dos produtos e possibilitar que o consumidor avalie a sua experiência na loja são exemplos de pontos primordiais para o sucesso deste segmento nos próximos anos.

 

 

(*) Érika Caldas é engenheira de Produção pelo CEFET (RJ) e consultora na Bridge Consulting



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