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Opinião

Tecnologia quântica e o futuro no processamento de dados

Os computadores quânticos prometem um salto à frente em velocidade e em resolução de algoritmos, com potencial para quebrar a maioria dos métodos criptográficos usados atualmente

Luis Casuscelli *

Publicada em 05 de outubro de 2016 às 14h15

A teoria da relatividade especial, do físico alemão Albert Einstein, afirma que nada que tenha massa pode se mover mais depressa que a luz. Até onde os estudiosos sabem, o Universo segue esta regra. Mas... qual é o cenário diante da inexistência da massa? É aí que entram as tecnologias quânticas, surgindo como uma solução significativa e revolucionária. 

 A oferta de tecnologias quânticas tem o potencial de revolucionar amplamente um grande número de áreas da Tecnologia da Informação. Junto com os benefícios e oportunidades do imenso poder de processamento, porém, surgem as ameaças e os riscos à cibersegurança. Como preparar o setor financeiro, no qual o quantum terá um papel importante, para minimizar riscos como a quebra da criptografia e aproveitar as oportunidades?

 As perspectivas em relação ao volume de dados movimentados impressionam. Em 2020, chegaremos aos 40 zetabytes: 40 mil bilhões de bilhões de dados utilizáveis no mundo. Isso é mais do que o número de grãos de areia na Terra.

Os computadores quânticos prometem um salto à frente em velocidade e em resolução de algoritmos, com potencial para quebrar a maioria dos métodos criptográficos usados atualmente. Esse “criptodesastre” deve se tornar uma real ameaça daqui a 5 ou 10 anos, mas, quando chegar, será tarde demais para reagir com eficácia. Precisamos desenvolver estratégias de intercâmbio de informações que sejam capazes de resistir a ataques quânticos. Se o mundo não se preparar agora para esses riscos, haverá quebras generalizadas de segurança que colocarão em risco todo o sistema bancário – e não só ele.

 Nos da Atos acreditamos que as as instituições financeiras devem começar imediatamente a se preparar para computação quântica. Em termos de segurança, isso deve ser feito avaliando o risco do quantum e investimento em criptografia quântica confiável, por exemplo, em algoritmos seguros de criptografia quântica e redes QKD (Quantum Key Distribution - Distribuição Quântica de Chaves, em tradução livre). Já existem entidades prontas para fornecer esses serviços e empresas que estão apertando o passo para fazer o mesmo.

 Preparando-se para patentear
A capacidade de produzir e patentear algoritmos quânticos antes da chegada da computação deste tipo às Finanças dará uma grande vantagem às empresas. Nos estágios iniciais de implementação dos computadores quânticos em Finanças, a capacidade real de computação será a do hardware disponível. Neste contexto, a vantagem de uma empresa sobre as rivais virá do desenvolvimento de software. Acreditamos que o período crítico para isso será o dos próximos cinco anos. Depois desse ponto, não se poderá garantir a segurança da transferência de dados criptografados, pois o advento da computação quântica estará iminente.

O progresso de criação e desenvolvimento de computadores quânticos continuará devido à colaboração de pesquisas acadêmicas, como a Quantum Computing Hub (Reino Unido) e a QuTech (Holanda). No entanto, só com envolvimento acadêmico ou pesquisas particulares é que serão produzidos algoritmos quânticos com aplicação direta em Finanças.

quantumfuncionamento


Com 30 petaflops, mais de 30 milhões de bilhões de transações por segundo, o supercomputador Bull Sequana, já em operação na Europa, nos habilitará a fornecer o mais poderoso supercomputador do mundo. E nos permitirá chegar ao exaflop, um bilhão de bilhões de operações por segundo, o que alcançaremos por volta de 2020 — mas este é só o começo. Já estamos trabalhando em um projeto de computador que seus cientistas precisarão ter em 2025. Como as tecnologias atuais chegaram aos limites físicos do material (especialmente em termos de calor) e da velocidade da luz, estamos buscando uma ruptura tecnológica: o computador quântico para o horizonte pós-2030.

 

(*) Luis Casuscelli é diretor de Big Data e Security da Atos América do Sul



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