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Opinião

Bem-vindos à era da Edge Computing

É hora de potencializar a arquitetura de computação em nuvem, oferecendo maior disponibilidade e acesso aos dados, resultando em uma melhor experiência de computação e custos reduzidos

Maria de Lurdes *

Publicada em 26 de agosto de 2016 às 11h23

Ingressamos na era da Internet of Things (IoT), na qual teremos 25 mil milhões de dispositivos conectados até 2020, segundo o Gartner, incluindo equipamentos móveis, aparelhos inteligentes, sensores, automóveis ou máquinas industriais. Nossas vidas cada vez mais conectadas já começam a provocar a necessidade de potência computacional como nunca antes, bem como conectividade e qualidade de serviço, especialmente em questões de latência.

Isto leva a que haja um maior número de data centers a serem colocados junto dos usuários ou da fonte de dados (“edge”) versus a abordagem mais tradicional onde os data centers estão remotos e geograficamente distantes do usuário. Ao mesmo tempo, redes de telecomunicações móveis e redes de dados estão convergindo para uma arquitetura de Cloud Computing.

Para dar suporte às necessidades presentes e futuras, a potência de computação e de armazenamento têm sido retirados da rede para reduzir o tempo de transferência de dados e aumentar a disponibilidade.

A Edge Computing introduz funcionalidades de aquisição de dados e funções de controle, armazenamento de conteúdos de banda larga e aplicações junto do usuário final e dos dispositivos (como smartphones, tablets, sensores). É inserida em um ponto lógico de uma determinada rede (internet ou rede privada), como parte de uma arquitetura de computação em nuvem.

No geral, existem três tipos de soluções:

‒ Dispositivos locais: concebidos para acomodar um objetivo específico, como o de executar um sistema de segurança, armazenando um conteúdo de vídeo local em um DVR. A implementação é “imediata” e adaptável a aplicações domésticas ou pequenos escritórios.

‒ Data Centers localizados (1-10 racks): construídos para oferecer capacidades significativas de armazenamento e de processamento. São fáceis de implementar em ambientes já existentes. Quase sempre estãos disponíveis como sistemas de configuração sob medida, pré-concebidos e depois implementados no local.

 Estes sistemas (1-10 racks) são adaptáveis a todas as aplicações que requerem baixa latência e/ou elevada largura de banda e/ou requisitos de segurança e disponibilidade.

– Data Centers regionais: geralmente têm mais de 10 racks e estão localizados junto dos usuários e das fontes de dados, sendo posteriormente centralizados na nucem. Devido à sua dimensão, têm capacidades de armazenamento e processamento maiores que as dos data centers localizados (1-10 racks).

Mesmo que sejam pré-fabricados, levarão mais tempo para serem produzidos do que os outros devido à necessidade provável de construção, licenciamentos e a questões de conformidade. Necessitarão também de unidades de arrefecimento e de potência dedicadas.

Os negócios e a economia de consumo de hoje são conduzidos pelo acesso aos dados, fazendo com que a proteção da disponibilidade e a con fiabilidade da rede cresçam em importância. Com a informação fluindo entre diferentes dispositivos conectados, a velocidade de processamento e a latência tornam-se preocupações da maior importância para as organizações já que estas competem em um ambiente empresarial que exige que os dados sejam compartilhados e analisados em tempo real.

Então, o que significa mesmo viver no limite? Vejamos três aplicações de Edge Computing e seus respectivos benefícios:

– Distribuição de conteúdos de banda larga: níveis de latência elevados criam congestionamentos que impedem que os dados preencham a capacidade da rede. O impacto da latência e da largura de banda da rede pode ser temporário (poucos segundos) tal como uma luz de um semáforo, ou constante como uma fila de trânsito em hora de  pico.

A maior probabilidade de congestionamento da rede está nos conteúdos de vídeo de banda larga. Vídeo on demand, TV 4K e streaming de vídeo são as aplicações com maior aumento de largura de banda.

De forma a aliviar o congestionamento das redes e melhorar o streaming dos conteúdos de banda larga, os fornecedores de serviços estão a ligar um sistema de computação na Internet que mantem o conteúdo mais perto do usuário. Isto permite que o conteúdo seja rapidamente implementado em vários utilizadores ao duplicar o conteúdo em múltiplos servidores e direcionando o conteúdo para os utilizadores com base na proximidade.

– Edge computing como agregação de IoT e ponto de controle: as tecnologias que, no futuro, irão permitir tornar tudo “inteligente” – cidades, agricultura, carros, saúde, etc. – requerem uma implementação massiva dos sensores da Internet of Things (IoT). Estes são definidos como objetos ou nós não computacionais, com um endereço IP.

Como o preço dos sensores continua em declínio, o número de equipamentos IoT conectados vai disparar. A Internet das Coisas Industrial (IIoT), que inclui o aproveitamento de sensores de dados, o controle de comunicação máquina-a- máquina e tecnologias de automação, vai gerar grandes volumes de dados e aumento do tráfego na rede.

Sistemas de TI industriais proprietários e tecnologias de rede estão migrando para sistemas de TI comerciais (abertos) que comunicam através de redes IP (Internet Protocol).

– Aplicações locais: a Edge Computing transforma a computação em nuvem  em uma arquitetura mais distribuída. A principal vantagem é que qualquer tipo de disrupção é limitada a apenas a um único ponto de rede em vez da rede inteira. Por exemplo, um ataque Distributed Denial of Service (DDoS) ou uma quebra de energia de maior duração estarão limitados ao equipamento de Edge Computing e às aplicações locais presentes nesse equipamento, em vez de impactar todas as aplicações que correm em um data center centralizado, mesmo na nuvem.

edgecomputing

Empresas que migram para nuvens púlicas podem tirar partido da Edge Computing para uma maior redundância e disponibilidade. Aplicações críticas para o negócio ou aplicações necessárias para operar as principais funções do negócio podem ser replicadas localmente. Imaginemos uma pequena cidade que compartilha o mesmo fornecedor de água como principal fonte.

Se este fornecedor de água sofrer uma interrupção na principal rede de distribuição e fornecimento, existirá um tanque de água de emergência localizado na cidade.

O exponencial crescimento de dados, impulsionados pela IoT, tem provocado grandes preocupações nas organizações e dificuldade em entender onde e como gerir e processar da melhor forma os seus dados.

Esta quantidade crescente de dados necessita ser processada e analisada em tempo real e a Edge Computing vem ajudar a transportar a tecnologia para um novo nível. Pode responder a desafios de latência, ao transferir os dados para mais perto do usuário final, permitindo às empresas tirar maior partido das oportunidades.

Estamos a falando de potencializar a arquitetura de computação em nuvem, oferecendo maior disponibilidade e acesso aos dados, resultando em uma melhor experiência de computação e custos de dados reduzidos.

 

(*) Maria de Lurdes é vice-presidente para o negócio de datacenter na Schneider Electric EMEA South. Este artigo foi publicado originalmente na Computerworld Portugal



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