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Opinião

A Internet das Coisas nos aproxima do Cyborg

Em pouco tempo, roteiros de ficção científica dos seriados dos saudosos anos 70, como o Homem de Seis Milhões de Dólares, poderão se transformar em realidade

Omarson Costa *

Publicada em 22 de fevereiro de 2016 às 07h05

Na década de 70, um seriado norte-americano de TV, de grande sucesso, antecipava os rumos da tecnologia ao prever a possibilidade de conectarmos dispositivos inteligentes ao corpo humano.

Cyborg, o Homem de Seis Milhões de Dólares, teve origem na história de Steve Austin, interpretado pelo ator Lee Majors, um ex-astronauta americano que sofreu um sério acidente aéreo e, para sobreviver, foi submetido a uma cirurgia de reconstrução em que recebeu implantes biônicos no braço direito, nas duas pernas e no olho esquerdo, ganhando uma força descomunal, a capacidade de correr a 97 km/h e uma visão com alcance 20 vezes maior, além de funções infravermelhas.

Após a operação, Steve Austin passou a trabalhar para a OSI (Escritório de Inteligência Científica) como um agente secreto. Quando Cyborg mexia com nossas fantasias infantis de ter superpoderes e casar com a Mulher Biônica, sequer passava por nossa mais fértil imaginação que um dia existiria uma rede mundial de computadores -na época os mainframes ainda ocupavam grandes salas e as máquinas menores estavam apenas começando a surgir- que se conectaria em nuvem e teria altíssima capacidade e velocidade de transmissão de dados, interligando máquinas, pessoas e coisas.

A Internet das Coisas (IoT) está transformando em realidade roteiros de ficção científica dos saudosos anos 70 que quando criança só sonhava mesmo existir no cinema e na televisão. As possibilidades para empreender no desenvolvimento de novas tecnologias para vestir ou carregar junto ao corpo são infinitas. Basta acessar o DNA da inovação e não reprimir a criatividade para começar a explorar oportunidades de negócios que ainda irão transformar, e muito, acreditem, a forma como nos comunicamos entre nós e com objetos inteligentes.

Quando a internet nasceu em 1983, apoiada no protocolo IPv4, a quantidade de dispositivos conectados chegava a 4,3 bilhões. Quantas coisas poderemos interligar na Internet das Coisas? O limite está atrelado ao IPv6, com capacidade para conectar 340 undecilhões de objetos, o que, segundo a Cisco, permitiria distribuir 100 endereços para cada átomo na Terra. De acordo com o IDC, até 2020 o mercado de IoT terá um um crescimento anual de 13% e chegará a US$ 3,04 trilhões. Deste total, cerca de 30% será de dispositivos wearable, respondendo por US$ 11 bilhões.

Estamos assistindo uma corrida veloz para o lançamento de novas tecnologias e produtos conectados em Body Area Networks (BAN) através de sensores de radiofrequência (e outras tecnologias de conexão de dispositivos) que captam e analisam dados para trazer informações ao usuário, como sobre seu estado de saúde e o desempenho na academia, ou acionar comandos, como abrir a porta de casa, ligar o carro ou enviar uma mensagem para pedir socorro médico.

Quem não se lembra do seriado americano Agente 86 (Get Smart nos Estados Unidos)? Nos episódios, o personagem Maxwell Smart, interpretado pelo ator Don Adam, abre portas e usa infinitas bugigangas nas suas investigações, como seu impagável sapatofone. As principais aplicações de IoT que estão sendo criadas em wearable devices são voltadas para saúde e fitness, mas considerando o estágio em que já chegamos e onde poderemos chegar não é preciso ser um futurólogo para prever que um dia Cyborg sairá das telas para circular entre nós.

Seja ele equipado com membros biônicos e conectado em redes computacionais que ajudarão a executar tarefas cotidianas ou mais complexas a partir da análise de dados compartilhados por usuários de tecnologias vestíveis ou, quem sabe, utilizando microchips implantados sob a pele.

Munido de Google Glass, Apple Watch, pulseiras e implantes de sensores miniaturizados (quem sabe até mesmo olhos e membros biônicos), o corpo passará a ser um centro gerador de dados e ordens transmitidas para outras coisas que, integradas em cloud, farão os objetos automatizar tarefas que nem mesmo perceberemos que estamos realizando. Um diabético receberá uma dose de insulina aplicada por um pequeno objeto quando a taxa de açúcar chegar em níveis de risco. Uma criança que se perder no parque de diversões poderá ser facilmente localizada porque o tênis que usa é monitorado via satélite.

Se uma pessoa estiver na iminência de sofrer um ataque cardíaco, o relógio inteligente irá enviar um alerta ao plano de saúde, que acionará uma ambulância equipada para receber dados sobre as condições de saúde do paciente enquanto o médico está a caminho do local do socorro. A cafeteira começará a funcionar assim que um sensor costurado ao pijama informar que você já levantou da cama. Um deficiente físico poderá voltar a caminhar a partir de estímulos recebidos de eletrodos implantados pelo corpo.

Não tenha dúvida, caro leitor, que tem muito empreendedor por aí pensando e colocando na prancheta alguma engenhoca que nunca habitou nossa mais fértil imaginação, mas que depois de ser inventada se tornará tão essencial quanto ligar seu smartphone e acessar a rede Wi-fi mais próxima para ir virtualmente ao banco (com que frequência vai na agência hoje?), fazer uma compra (perder tempo na fila do caixa não faz mais o menor sentido, não é mesmo?), chamar um carro (para que ligar para o ponto de táxi?) ou encontrar o melhor caminho na volta para casa (quem aí ainda carrega aquele grosso Guia de Ruas no porta-luvas?).

E então? Já pensou qual será o próximo killer product na Internet das Coisas que vai conectar o corpo a redes em nuvem? Quem entrar de corpo (e alma) neste negócio irá fazer história. Steve Jobs inventou o iPhone e encantou uma legião de fãs. Mas sua criação certamente se tornará um brinquedo de criança perto do que ainda iremos vestir e implantar no corpo humano. Está pronto para assumir o papel de Steve Austin?

 

 

(*) Omarson Costa é formado em Marketing, tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações


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