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O que a compra da Red Hat pela IBM significa para o mercado de cloud

O mérito da fusão é dar às empresas uma razão enorme para fazer uma pausa nos planos completos de nuvem pública e dobrar as apostas na nuvem híbrida

Da Redação, com Matt Asay/Infoworld

Publicada em 30 de outubro de 2018 às 12h13

Para aqueles que não estão prestando atenção, 2018 é o ano do código aberto. Isso pode parecer um pouco estranho, uma vez que o código aberto é protagonista há décadas, mas em um mundo onde o software é mais importante do que nunca, empresas como a IBM e a Microsoft estão pagando bilhões de dólares para reinventar seus futuros através das comunidades de desenvolvedores e suas ferramentas open source.

O maior negócio de todos, é claro, e também um dos maiores acordos de tecnologia de todos os tempos, é a aquisição da Red Hat pela IBM por US $ 34 bilhões.

A aquisição é a maior do mercado de software, à frente de outras de impacto, como a compra do LinkedIn pela Microsoft, por US$ 26,2 bilhões, em 2016, a aquisição do WhatsApp pelo Facebook, por US$ 22 bilhões, em 2014, além da aquisição da Vertias pela Symantec, por US$ 13,5 bilhões, em 2004. 

Em comunicado divulgado no último domingo (28/10), a presidente e CEO da IBM, Ginni Rometty, foi categórica: a aquisição é um game changing para a companhia. "Muda tudo sobre o mercado de nuvem", destacou a executiva, que afirmou também que a IBM se tornará a fornecedora de nuvem híbrida número 1 do mundo, oferecendo às empresas a única solução de nuvem aberta que irá liberar todo o valor da nuvem para seus negócios.

 É quase certo que a CEO da IBM, Ginni Rometty, está errada ao sugerir que o acordo “redefine o panorama da nuvem”. Isso não acontecerá. O mérito da fusão é dar às empresas uma razão enorme para fazer uma pausa nos planos completos de nuvem pública e dobrar as apostas na nuvem híbrida.

IBM tenta brilhar no mercado de cloud
A IBM tem falado sobre sua transformação há anos, mas nesses mesmos anos tem registrado receitas decrescentes, lucros decrescentes e relevância cada vez menor. Em todos os mercados considerados prioritários, do Watson à SoftLayer, a IBM supervalorizou ofertas  e sub-entregou resultados.

A Red Hat, por sua vez, foi all-in no Kubernetes, logrando relevância para o mecanismo de orquestração de containers. Embora a Red Hat não tenha uma oferta de nuvem pública para competir com um Amazon Web Services ou o Microsoft Azure, criou um negócio OpenShift em rápido crescimento que dá às empresas uma maneira de navegar em seus ambientes híbridos e multicloud .

A Red Hat vem fazendo exatamente o que a IBM esperava fazer. Em vez disso, a IBM falhou na nuvem pública e depois se esforçou para criar uma história de nuvem híbrida confiável. A Red Hat pode dar-lhe o último  lugar à mesa nesse segmento. É por isso que o acordo faz muito sentido.

Independência
Com a aquisição, que será concluída apenas após aprovação de órgãos reguladores dos países envolvidos -, a Red Hat se tornará uma entidade distinta dentro da divisão Hybrid Cloud da IBM, liderada pelo atual CEO, Jim Whitehurst, que está se juntando à equipe de liderança da IBM.

Arvind Krishna, vice-presidente sênior da IBM Hybrid Cloud, disse que a aquisição do principal fornecedor mundial de tecnologia de código aberto é um divisor de águas para a IBM e mudará o mercado de nuvem. "Somos os dois melhores provedores de nuvem híbrida, e ajudaremos as empresas a ir além da economia de eficiência de suas implantações iniciais de nuvem, até o próximo capítulo da nuvem, que trata de transferir aplicativos de negócios para a nuvem", comentou. 

Krishna garantiu que a IBM manterá a cultura, liderança e as práticas da Red Hat. "É importante lembrar que a IBM há muito tempo é uma defensora da comunidade de código aberto, começando com nosso investimento de US$ 1 bilhão no Linux há 20 anos", lembrou o executivo.

Está claro que um dos pilares que a IBM está pregando nesse primeiro momento é o de independência para a Red Hat.

hibrido

Código aberto preservado
Portanto, desenvolvedores que gostam da abordagem de código aberto da Red Hat não precisam se preocupar com a venda da companhia para a IBM. A IBM foi a empresa que primeiro tornou o código aberto (e especificamente o Linux) seguro para o uso corporativo.

A Microsoft merece o crédito por adotar o Linux no Azure depois, mas a única razão pela qual as empresas se preocupam com o Linux hoje é por causa do que a IBM fez em 2001, apostando US $ 1 bilhão no Linux.

Não, o ethos open source da IBM não é tão insistente (ou, às vezes, dogmático) quanto o da Red Hat. A IBM é mais Apache do que a Free Software Foundation em seu comportamento - mais pragmática.  Portanto, a aquisição da Red Hat pode dar à IBM um motivo para abraçar de forma mais agressiva o código aberto.

Vale lembrar que os desenvolvedores estão fazendo com que a AWS , o Microsoft Azure e o Google Cloud Platform cresçam de maneira muito mais rápida do que os fornecedores de nuvem híbrida, como a Red Hat e a IBM.

Ah, e esses grandes fornecedores de nuvem pública também fizeram uma parceria com a VMware (ou, no caso da Microsoft, têm uma forte história híbrida mesmo sem o VMware) para atender às necessidades de nuvem híbrida. A fusão, portanto, pode incluir IBM e Red Hat nesse cenário. 

Como afirma o fundador do Drupal, Dries Buytaert , “a nuvem híbrida está apenas agora se preparando para o crescimento”. De fato, a nuvem híbrida realmente não é sobre os adotantes iniciais. É sobre empresas mainstream, de movimento mais lento, que querem ser jovens e descoladas, mas não sabem como fazê-lo. Isso, a propósito, descreve a esmagadora maioria das cargas de trabalho corporativas. Enquanto bolsões de empresas conseguiram saltar para a nuvem pública através de seus desenvolvedores, a maioria de aplicativos estão atolados em infraestrutura legada e precisarão de uma abordagem híbrida para chegar à nuvem. Para tal, uma combinação IBM-Red Hat faz muito sentido.

“Para a maioria das corporações, a nuvem híbrida é o único caminho prático para a nuvem”, comenta o vice-presidente executivo da Red Hat, Paul Cormier. 

Ironicamente, essa ênfase na nuvem híbrida foi ativada por um presente de código aberto de um dos principais provedores de nuvem: a plataforma Kubernetes, do Google . É a Kubernetes, e os conttainers que ela orquestra, que estão dando aos desenvolvedores uma nova maneira de enviar cargas de trabalho para a nuvem. Como afirma o ex-executivo da Hortonworks, Shaun Connolly , “Essa mudança sinaliza o ponto de inflexão pelo qual os containers (e a Kubernetes) agem como a camada sobre a qual todo novo valor é criado (não Windows, não Linux). A verdadeira escolha híbrida é permitida por este novo modelo.

Em suma, nem todo desenvolvedor pode empurrar suas cargas de trabalho para a nuvem. Os containers ajudam, mas os containers também dão às empresas a chance de tomar uma medida provisória para a adoção completa da nuvem pública, e essa é a nuvem híbrida. 



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