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Presidenciáveis têm pouca familiaridade com o tema Transformação Digital

Quatro candidatos estiveram presentes ao Seminário Brasil 2022, realizado pela Abes, para abordar suas propostas para o setor de TI

Da Redação

Publicada em 21 de agosto de 2018 às 11h35

O tema "Investimentos em Tecnologia" é fundamental para o futuro do Brasil. Consolidando uma agenda de políticas públicas, o país poderá se beneficiar enormemente da Economia Digital – a transformação tecnológica capaz de impulsionar um crescimento mais robusto, tanto na área econômica quanto social. Pensando nisso, associações da área de Tecnologia da Informação (Abes, Assespro, Fenainfo e Brasscom) convidaram os presidenciáveis melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto a apresentarem suas propostas sobre três temas importantes para o setor:  inovação, transformação digital e um ambiente de negócios estável. 

Só quatro candidatos estiveram presentes: José Maria Eymael, do Democracia Cristã, Henrique Meirelles, do MDB, João Amoedo, do Novo e Kátia Abreu, representando o candidato Ciro Gomes, do PDT. A senadora é vice na chapa de Ciro. 

Ao fim de cada fala, os quatro candidatos receberam a versão resumida do o estudo "Brasil 2022 - Independência digital ou a morte competitiva", elaborado pelo Think Tank, que traz recomendações do setor para o futuro presidente da república. "São ações bastante objetivas e viáveis de serem implementadas em uma gestão", comentou Vanda Scartezini, conselheira da Abes e uma das organizadoras do estudo. "São quatro metas viáveis de serem alcançadas em quatro anos. Mas elas partem de uma proposta zero, comum a todas: coordenação das estratégias e das ações para a Transformação Digital do país", explicou. Segundo Vanda, o estudo completo será enviado à equipe do candidato ou dos dois candidatos com maior viabilidade de chegar ao Planalto. 

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De modo geral, os candidatos presentes demonstraram pouca familiaridade com o tema transformações digital e centraram suas falas mais nos temas tributação, empreendedorismo e tributação. 

O primeiro a falar foi José Maria Eymael, do Democracia Cristã (DC), antigo Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Boa parte da fala do candidato referenciou sua atuação como Deputado Constituinte, onde foi um dos integrantes da comissão que tratou do sistema tributário. 

Na opinião de Eymael o próximo presidente terá que ter obsessão pelo desenvolvimento do país. "Fazer um Brasil pujante, líder no mundo, respeitável pelas nações", enfatizou. E ter foco, considerando que o pressuposto da Transformação Digital é a educação. "Hoje não se vive sem os dados", completou. Para isso, e para tornar o ambiente de negócio menos suscetível a incertezas ' e preciso ter planejamento, segundo o candidato. "É preciso ter o conceito sempre antecedendo a ação. Não se pode mais ter um país com uma administração errática. Vai em um sentido. Vai em outro. Muda o que se fez. O planejamento tem que ser uma marca do próximo presidente", disse.

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Na sequência, foi a vez de Henrique Meirelles,  candidato do MDB, que começou discorrendo sobre sua experiência como presidente presidente internacional do BankBoston, onde participou a concessão de um empréstimo para um gigante da área digital, como presidente do Banco Central e, mais recentemente, como ministro da Economia.  O cenário internacional, segundo ele, deixa claro que um ambiente regulatório e uma economia estáveis são absolutamente cruciais para que startups prosperem. "Elas só têm que enfrentar as suas próprias questões, a sua própria qualidade, sua própria capacidade de inovação e a concorrência. O que já é bastante", comentou. 

Comentando sobre medidas de curto prazo que podem melhorar o ambiente para a inovação e a transformação digital, Meirelles disse que pretende criar um gabinete digital vinculado diretamente à Presidência da República, ampliar o ensino técnico para qualificar mão de obra, adotar políticas específicas dentro do próprio governo, colocando tecnologia como premissa básica para as políticas públicas fiscais, de saúde e de segurança, por exemplo, usar o poder de compra do setor público para fortalecer empresas nacionais e reduzir o intervencionismo do estado no ambiente de negócio.  "Nós temos que ter um governo que respeite o mercado", afirmou Meirelles.

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Terceiro a falar, João Amoedo,  candidato do Novo, defendeu o liberalismo econômico, ressaltando que é para avançar como país e incentivar a inovação é preciso acabar com problemas como dificuldades para abertura de empresas, insegurança  jurídica, elevado custo de capital, carga tributária complexa e um sistema concorrencial muito fechado para o mundo. "Um ponto determinante é a insegurança jurídica. Mesmo agora na campanha, algumas propostas trazem essa insegurança jurídica ao setor empresarial. Por exemplo, a legislação trabalhista foi um avanço, mas infelizmente vemos alguns candidatos dizendo que vão revogá-la", exemplificou. "Antes de revogar qualquer coisa a gente deveria ver a experiência prática, do que está funcionando e do que não está", comentou. Agir de forma diferente faz os investidores se retraírem no Brasil.

Amoedo também vê a digitalização do próprio governo, e na melhoria de gestão decorrente dela,  um fator atrativo para a transformação digital do país e o desenvolvimento de startups competitivas.  "Mais de 99% dos cidadãos na Índia têm uma identidade digital única, enquanto no Brasil a gente vem digitalizando documento por documento",  exemplificou o candidato, lembrando que dificultamos as coisas, quando deveríamos simplificar. E um caminho para simplificar é copiar o que deu certo em outros países. "Israel investe quase 4,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Tem uma quantidade maior de startups do que a Europa como um todo , e é um exemplo de incentivo ao investidor e ao empreendedor", comentou. O candidato também aposta no ensino de tecnologia já no ensino básico.

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Última a falar, Kátia Abreu, representando o candidato Ciro Gomes, do PDT, fez questão de ressaltar que o programa de governo está sustentado em transformar o Brasil em um estado e um país de base tecnológica. "Não estamos falando apenas de uma política pública, um programinha de governo. Estamos falando de medidas que vão sustentar todo o governo com base em uma perspectiva de futuro", disse. E como exemplo de aplicação da ciência e da tecnologia como pilar de uma  política de estado mencionou a criação a Embrapa.  "Nós temos obrigação de entender o cenário, estudar e atualizar o país", disse, lembrando que a criação da Embrapa foi um passo decisivo para transformar o país em um grande produtor de alimentos. Há 40 anos, segundo ela, éramos grandes importadores de alimentos e a produtividade no campo era muito baixa. "Em 28 anos nós aumentamos a nossa produtividade em 220% só com pesquisa, ciência e tecnologia. E não aumentamos a áreas cultivada. Desmatamos três vezes menos do que seria necessário se não tivéssemos criado a Embrapa", disse.

Nesse sentido, o programa da de Ciro Gomes aposta na inclusão do ensino de tecnologia na educação básica, no fortalecimento do ensino técnico e no fomento dos pólos regionais de inovação . "É importante demais nós acabarmos com o preconceito e reduzir a distância entre mercado, academia e universidades pelo melhor do País. Essa integração é super importante para que possamos produzir a inovação que tenha impacto direto na sociedade. Casar pesquisa e interesse público", afirmou.  

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