Recursos/White Papers

Gestão

Fugindo do efeito Kodak

Mudar a cultura de uma empresa para se tornar digital é um dos grandes desafios atuais do mercado para a manutenção da competitividade

Fernando Zendron *

Publicada em 31 de agosto de 2018 às 08h24

A Transformação Digital, termo que se tornou popular nos últimos anos, consiste na mudança da estratégia, estrutura, cultura e processos de uma empresa utilizando o alcance e o poder da tecnologia. É uma reformulação estrutural nas organizações que tem como premissa a tecnologia como modelo de negócio. 

Transformar-se digitalmente não é apenas entregar ferramentas digitais e frameworks de produtividade. Isso é parte da evolução, mas a mudança tem que ser global. Exemplo claro disso são as empresas que nasceram digitais, como o Nubank e as companhias tradicionais que possuem áreas de tecnologia e inovação, como os bancos tradicionais. 

Sendo assim, a Transformação Digital é uma renovação do DNA do negócio e uma adequação de processos, gestão e até reorganização de departamentos para definir novas estratégias de mercado que derivem da tecnologia. É uma mudança intrínseca necessária para que qualquer empresa cresça e se consolide agora e no futuro, fugindo do efeito Kodak de obsolescência.

Mas para pensar digitalmente é importante levar em consideração a conexão entre os profissionais de TI, realizadores dos projetos, com os executivos e os profissionais de negócios, mobilizando tanto as partes operacionais, quanto a estratégica de cada companhia. Dessa forma, é necessário entender exatamente o que significa essa transformação, qual o seu impacto na sociedade e como aplicá-la nos processos de uma empresa.

A Transformação Digital será essencial para a manutenção de um negócio nos próximos cinco ou dez anos. Prazo que pode até ser otimista para algumas áreas do mercado. O que difere é o que público espera e a capacidade de adaptação da empresa. Foi no mundo corporativo que a tecnologia começou como um apoio à operação, sendo o meio que acompanha indicadores como objetividade, além de oferecer aos seus clientes experiências inovadoras, destacando a sua marca da concorrência.

Alguns exemplos são Grupo CVC, Magazine Luíza, Porto Seguro, Gerdau e XP Investimentos, companhias que podem até ser consideradas como referências em seus setores. Porém, elas chegaram neste nível apenas depois de se transformarem digitalmente. Esse não é um caminho fácil, principalmente em grandes corporações onde há resistência a modificações. De qualquer forma, o desfecho da insistência em um novo pensamento é automatizar e aperfeiçoar processos rotineiros, trabalhando com uma visão tecnológica para a tomada de decisões.

Empresas que investem em inovação e se preocupam em modernizar a adaptar a cultura organizacional garantem a felicidade de seus colaboradores. De acordo com a pesquisa realizada em 21 estados, no ano passado, pelo consultor de carreiras Fredy Machado, para seu livro "É possível se reinventar e integrar a vida pessoal e profissional", cerca de 90% das pessoas está infeliz em seus trabalhos. Desse percentual, 36,52% dos profissionais estão infelizes com o trabalho que realizam e, 64,24% gostariam de fazer algo diferente do que fazem hoje para serem mais felizes.

Um estudo da London School of Economics, realizado em 2016, concluiu que os afastamentos por doenças psicológicas causaram perdas de US$ 246 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) por ano em todo mundo e de US$ 63,3 bilhões (R$ 206 bilhões) no Brasil. Segundo Machado, pessoas mais felizes produzem 33% a mais que as infelizes. Para ele, a solução é definir um propósito de vida e trabalhar em uma empresa com os mesmos valores.

transformacaodigital

Portanto, quando pensamos em negócios é preciso ser imprevisível, não pensando apenas no lucro, mas sim no propósito das mudanças. As hierarquias dentro das empresas acabam atrapalhando a fluidez dos processos. Às vezes, é preciso muitas autorizações e reviews para se colocar um projeto em prática. Uma empresa que passou por uma transformação digital tende a ter pequenas startups dentro dela. Sendo assim, diversos projetos podem ser colocados em prática com menos tempo do que estamos habituados. Essa autonomia empodera o colaborador, e o estimula para tomar suas próprias decisões e desenvolver algo customizado ao cliente que tenha também os seus valores. Uma maior autonomia não anula o planejamento, mas dá espaço para a experimentação.

 

 

(*) Fernando Zendron é diretor de Digital Labs da Sciensa, plataforma aceleradora de transformação digital



Reportagens mais lidas

Acesse a comunidade da CIO

LinkedIn
A partir da comunidade no LinkedIn, a CIO promove a troca de informações entre os líderes de TI. Acesse aqui