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Inovar é antes de tudo aprimorar a percepção, acreditam CIOs

Líderes de TI da Avon, Cocamar e Pfizer contam suas estratégias para transformar tecnologia e sensibilidade em inovação

Solange Calvo

Publicada em 10 de julho de 2018 às 15h47

CIOs no mundo todo pregam que a devastadora transformação digital, que não deixou pedra sobre pedra em ambientes ortodoxos de TI, muito além do uso de tecnologias disruptivas, depende fundamentalmente de pessoas, da sua mudança de mentalidade, sensibilidade e apetite por inovação. É o que também pensam os líderes de TI da Avon, Cocamar e Pfizer.

Para fomentar a inovação nas áreas de TI e disseminar essa cultura no coração das áreas de negócio, é preciso que seus líderes promovam a união de talentos, competências, habilidades e gerações, em um objetivo comum, rumo a um novo patamar da tecnologia da informação. Em equipes multidisciplinares, a inovação nasce pela interação e união de percepções diferenciadas. A tecnologia é meio. 

Na Avon, a estratégia para obter insights com o objetivo de acelerar a inovação é a proximidade com as áreas de negócio, de acordo com Roberto Marucco, vice-presidente de TI Latam da Avon. “Deslocamos profissionais da nossa equipe para ficar durante dois a três dias nas áreas de negócio. Assim, eles identificam bem de perto as necessidades que podem instigar inovações no setor. É preciso sentir as dores”, revela.

Marucco alerta para o fato de a inovação não ter de ser necessariamente algo grandioso, em projetos suntuosos. “Muitas vezes, pequenas melhorias em processos são vitais para gerar significativa produtividade, e rapidamente proporcionar ganhos tangíveis e intangíveis para nossas revendedoras.”

Um exemplo citado por Marucco, que agilizou processos de venda, foi a comunicação das revendedoras Avon com suas clientes por meio do WhatsApp. Hoje, elas agilizam pedidos por meio digital, eliminando a papelada que muitas vezes implicava em erros ao digitar as informações de pedidos, entre outras. “E a ideia do recurso vem da interação, da percepção das dores dos processos.”

Outro caminho para garimpar a inovação na empresa de cosméticos é por meio da avaliação de campanhas realizadas. Ao final delas, ele diz, profissionais de TI passam um dia com revendedoras, para identificar todos os pontos que podem ser melhorados para a próxima, tendo o digital como protagonista dessa ação. “Nessas oportunidades, identificamos muitos insigths valiosos.”

Mais do que aprimorar a comunicação, a inovação fortalece e empodera o relacionamento de mais de 1,5 milhão de revendedoras Avon, de acordo com Marucco, tornando o negócio altamente produtivo.

A inovação, segundo o executivo, é altamente estratégica para a companhia, considerando que o seu tipo de negócio impõe ter sempre algo diferente para apresentar ao mercado. E hoje, esse procedimento tem de ser veloz.

“É preciso estar presente em todos os canais de contato com as clientes, pois favorece atuação das revendedoras. Assim, a TI suporta frentes como mídias sociais (para relacionamento e retenção), relação do marketing one to one, e desenvolvimento de aplicativos (apps) que possibilitem consultas a históricos e imputs de pedidos, entre outros recursos.”

Chatbot é outra inovação que ajuda no relacionamento e na interação das revendedoras. “Muito importante porque gera satisfação, além de captar insights, que serão base para melhoria de processos, desenvolvimento de produtos etc”, diz. Para toda essa evolução, a Avon investe em tecnologias disruptivas como inteligência artificial (AI, na sigla em inglês), machine learning e big data analytics.

Transformação de negócios e pessoas
Para Andrea Pereira, diretora de Business Technology da Pfizer do Brasil, a inovação é um compromisso e está no DNA da empresa, e vem desde as descobertas constantes de novos medicamentos. “A TI busca a inovação e estimula a companhia a pensar fora da caixa. Isso porque é uma área que, por natureza, está intimamente ligada a essa vertente”, reitera.

Andrea destaca que o digital acelerou, e muito, essa busca por inovação. “Dessa forma, democratizou a tecnologia, a colocando nas mãos das pessoas, transformando modelos de negócios. Hoje, estamos todos nos reinventando”, diz.

A área de TI da Pfizer tem atuação global, pulverizada por meio de células locais. A inovação, portanto, vem de todos os cantos, também por meio de parcerias com importantes atores da transformação digital, como IBM com o a sua tecnologia cognitiva, o Watson. 

“Temos investido em centros de excelência, com recursos disruptivos como inteligência artificial, aplicativos móveis e blockchain. Nossa área global Emerging Technology realiza pesquisas constantes por novas tecnologias ligadas ao setor de saúde, por exemplo. É um comprometimento contínuo.”

Pesquisar e compartilhar resultados é para Paula uma forma de inspirar e interagir com as áreas de negócios e disseminar o quanto a TI é importante para o desenvolvimento da companhia. Mas alerta: “Aqui não se pensa apenas em produto, mas também como agregar valor a ele. E assim temos de pensar nas pessoas, ter essa percepção. Somente por meio do valor agregado ao produto, é possível promover o encantamento do paciente pela nossa marca. E essa sensibilidade é importante em qualquer indústria.”

Resultado dessa percepção é a iniciativa inovadora “BeLive”. Direcionado aos pacientes que são tratados com a medicação Lyrica, da Pfizer, é um wearable integrado a um aplicativo compatível com IOS e Android que funciona como um diário digital do paciente. O BeLive é apresentado ao usuário por meio do seu médico e tem acesso/apoio por meio do Programa de Relacionamento com o Paciente da empresa. 

É simples e intuitivo de usar: o paciente classifica seus níveis de dor, ansiedade e qualidade do sono em uma escala de zero a dez. Além disso, o wearable inclui geolocalização e registra automaticamente o número de passos e distância, bem como horas de sono. 

Os dados são registrados no aplicativo e o paciente pode gerar um relatório para compartilhar com seu médico. Essas informações podem ser acessadas pelo médico, por meio de um aplicativo, agilizando tomadas de decisão e estratégia da medicação. “A solução foi criada internamente e unimos competência com uma startup que já havia desenvolvido essa pulseira para outros fins”, diz.

Outra ação importante na Pfizer foi a criação de um Comitê Digital, formado por 28 líderes de diferentes áreas de negócio. “O objetivo é identificar e entender as demandas prementes, mas a integração das áreas é um outro ganho inestimável”. Além disso, a Pfizer Brasil passou a contar recentemente com um espaço em sua estrutura interna para fomentar a inovação, o Laboratório de Inovação, criado no final de janeiro deste ano.

“É um ambiente inteiramente moderno e disruptivo, com capacidade para reunir 20 pessoas, normalmente heads das áreas, que se tornam multiplicadoras da cultura da inovação em seus times.” Lá, as sessões se dividem entre palestras com especialistas do mercado, apresentações de tecnologias disruptivas, entre outras atividades de aculturamento e disseminação do conhecimento. “De pessoas para pessoas.”

lâmpada

Inovação, questão de compromisso
Nessa trilha, a TI na Cocamar tem buscado parcerias com empresas com DNA inovador, participando de eventos, feiras, viagens e buscando conhecimento do que está emergindo no mercado. Além disso, realizando e participando de projetos que tenham a inovação como guia, com o objetivo de trazer resultado ao negócio.

“A inovação ainda é um grande desafio, porém já é um compromisso na empresa. Nossa diretoria instiga essa cultura e fomento de ideias, criando incentivo e ambiente propício”, diz Paula Cristina Agulhas Rebelo, gerente TI e Gestão da Cocamar.

A companhia entende que o melhor investimento é na formação de times multidisciplinares para provocar ideias disruptivas, frutos da união de diferentes perspectivas. “Temos um time composto por profissionais de várias áreas, com diferentes cargos, habilidades, competências e gerações. Trocamos ideias em reuniões semanais sobre o que está acontecendo no mundo, o que estão lendo, os problemas importantes do negócio e ameaças que o negócio enfrenta”, relata.

Esse grupo ganhou o nome de “Mindset de Inovação”. “Nele, criamos uma árvore de oportunidades de melhoria, com o objetivo de pavimentar a criação de projetos disruptivos ou até mesmo dentro de outras ferramentas aplicáveis (Lean, Pmbok). Se for um projeto de inovação, utilizamos o framework ORK para desenvolvê-lo. Já estamos com 11 projetos de inovação em construção”, antecipa.

Um desses projetos, segundo Paula, está incubado em uma aceleradora externa e mais outros três seguem em um trabalho conjunto com startups.

As áreas de negócio também estão buscando inovação e trabalhando próximas à TI, trocando informações, enriquecendo o conhecimento nessa mão-dupla: TI mergulhando nos objetivos de negócios e as áreas de negócio entendendo como a tecnologia pode ajudar a acelerar processos e colocar em prática projetos. Questão de sensibilidade.



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