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3 estágios da colaboração: em qual deles sua empresa está?

Por mais boa vontade que a sua equipe tenha para desenvolver um trabalho colaborativo, fica muito difícil fazer isso quando eles não sabem exatamente para onde estão indo, ou como vão saber se chegaram lá

Cláudio Barizon *

Publicada em 06 de maio de 2018 às 17h15

Muitas pessoas acreditam que, no que se refere à colaboração, as empresas se dividem em duas categorias: aquelas em que a equipe trabalha de maneira colaborativa e aquelas em que não. Entretanto, não é bem assim. Existe, pelo menos, mais um tipo de empresa; e arrisco dizer que é nessa categoria que a maioria se encontra: aquela na qual existe a colaboração genuína.

A divisão, portanto, seria:

1. Empresas em que as equipes não trabalham de maneira colaborativa. Apenas uma minoria aceita admitir que essa é a situação e, quando isso acontece, geralmente é um indicativo de que as coisas realmente vão mal.

2. Empresas em que as equipes aparentam trabalhar de maneira colaborativa, na superfície; porém, em um nível mais profundo, é possível notar que a colaboração não é tão fluida assim. Esse é o caso de grande parte das empresas. A preservação da imagem da marca exige que o “trabalho de equipe” esteja lá na parede, entre os valores da organização. Infelizmente, na prática, ele não é muito encontrado.

3. Empresas em que existe a colaboração genuína.

Mas, afinal, o que vem a ser essa tal colaboração genuína? E como é possível saber quando o trabalho colaborativo é apenas um jogo de aparências? 

Nos bons e nos maus momentos
O grande segredo da colaboração genuína é que ela existe nos bons e nos maus momentos. Isso significa que, mesmo quando surgem obstáculos ou quando o resultado do trabalho é, de alguma forma, um fracasso, a equipe se mantém unida. 

E, quando estamos falando em equipe aqui, não quer dizer apenas a equipe propriamente dita: aquela que atua numa mesma sala ou célula ou que responde a uma mesma gestão, por exemplo. Estamos falando das pessoas envolvidas para entregar um trabalho, uma operação, um projeto, independentemente da área em que atuam. Ou seja, o conceito de equipe aqui está relacionado ao grupo de pessoas envolvidas para entregar um objetivo.

O oposto, como você deve imaginar, é aquela situação em que os problemas levam conflito. Pessoas jogam a responsabilidade nos braços uns dos outros, e o foco no trabalho é substituído por uma forte necessidade de proteger a si mesmo.

Pelo bem maior ou por si mesmo?
Um outro ponto que merece destaque, quando falamos em colaboração genuína, é a motivação por trás do trabalho em equipe. Muitas vezes, o interesse é meramente pessoal. Trata-se de um meio para atingir um fim bem específico: ganhar sua comissão, conquistar uma promoção ou proteger seu emprego. E isso é compreensível. Boa parte das pessoas não cresceu vendo o trabalho como nada além de uma forma de colocar o pão na mesa.

Mas aí você tem aquele colaborador que faz o seu melhor, não apenas pelos seus próprios interesses, mas por uma forte vontade de colaborar para o sucesso da empresa e de gerar valor para o cliente. Ter um desses colaboradores já é ótimo; ter vários deles é o que forma uma equipe onde existe colaboração genuína. Esse colaborador sabe que ele, sozinho, pode fazer alguma diferença. Mas é com os seus colegas que ele vai alcançar o maior impacto. Por isso, ele está aberto a receber e oferecer ajuda. Ele não vê essa troca como uma ameaça; em vez disso, ele a enxerga como uma oportunidade!

Metas claras e alinhadas
Nós falamos o suficiente sobre o que é a colaboração genuína. A sua pergunta, neste momento, provavelmente é a seguinte:  o que posso fazer para promover a colaboração genuína em minha empresa? São muitas as possíveis respostas.

Não seria possível abordar todas elas em nada menos do que um livro — e um bem grande. Então, vamos nos concentrar em uma estratégia apenas: a definição de metas claras e alinhadas.

Por mais boa vontade que a sua equipe tenha para desenvolver um trabalho colaborativo, fica muito difícil fazer isso quando eles não sabem exatamente para onde estão indo, ou como vão saber se chegaram lá. Quer entender melhor? Vamos usar a analogia do barco. Se você colocar várias pessoas em um barco no meio do oceano, com comida e água para dois dias, é claro que todos eles vão querer chegar à terra o quanto antes. Mas, se você não disser a eles qual é a direção em que devem remar, eles podem rodar em círculos no oceano até os suprimentos acabarem. Isso é o que acontece com uma equipe que não tem metas claras e alinhadas. O gestor que deseja incentivar o trabalho colaborativo pode começar por aí.

colaboração

Mas como apresentar metas à sua equipe? Como você pode compartilhar metas que favoreçam a colaboração genuína? O primeiro passo é a comunicação. Alguns gestores não informam à equipe quais são as metas a serem perseguidas e atingidas. Estão sempre cobrando “melhoria”, “eficiência”, “rapidez”; mas estes são conceitos abstratos. Sua equipe precisa de algo mais preciso. É por isso que boas metas sempre envolvem números.

O segundo passo é implementar formas de acompanhar o progresso em relação à meta. Nesse ponto, a transformação digital ocupa um papel importante. Com a implementação de softwares de gestão, capazes de armazenar, processar e organizar dados, fica bem mais fácil obter os relatórios gerenciais que permitem avaliar o desempenho da equipe. Mas se não houver software, transparência e um quadro na parede ajudam!

O terceiro passo é o feedback. Entenda que o sucesso é resultado de um processo; e esse processo só pode avançar quando existe feedback adequado para o aprendizado e evolução. É ele que permite ao seu colaborador entender quais são as práticas que ele deve manter e quais ele deve modificar. Aliás, o feedback também é uma forma de atentar o funcionário para o seu comportamento, se ele estiver caminhando na contramão do trabalho colaborativo, e incentivá-lo a corrigir essa postura. Se a sua equipe não desenvolve uma colaboração genuína, não descarte o feedback como maneira de resolver esse problema!

Esses três pontos — comunicação, métricas e feedback — são a ponta do iceberg, no que se refere ao estabelecimento de metas. E as metas, por sua vez, são apenas um dos aspectos envolvidos na fomentação do trabalho colaborativo de verdade. Mas já é um bom ponto de partida para o gestor que se preocupa com o nível de colaboração em sua equipe ou em sua empresa.

No mais, o que podemos dizer é que a colaboração genuína não pode ser obtida da noite para o dia. Ela envolve mudanças profundas na cultura organizacional e, muitas vezes, na própria maneira como os colaboradores encaram sua vida profissional. Mas, se você quer chegar lá no futuro, precisa dar o primeiro passo hoje. Então, que tal dar esse passo, seguindo as dicas que você conferiu aqui? Bom trabalho!

 

(*) Cláudio Barizon é COO da Zehnk Technology, autor do Manifesto Trabalho Colaborativo e do livro "Que Tipo de Líder Você é?"



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