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Corporate Venture é opção para inovar e gerar valor nas grandes empresas

A Raízen Combustíveis e a Porto Seguro são bons exemplos de empresas que já estão colhendo os frutos da inovação aberta e participativa gerados por suas aceleradoras

Carla Matsu

Publicada em 29 de abril de 2018 às 10h07

Em um cenário no qual os ciclos de inovação se mostram cada vez mais curtos, manter-se na linha da frente entre os competidores é um trabalho que envolve muito atores. Mas se há alguns anos grandes empresas viam nas startups uma mancha incômoda no horizonte, hoje as duas cederam para se refletirem uma na outra. E, para todos os efeitos, a coinovação tem dado certo. E muito.

Prova disso são as ofertas cada vez mais frequentes de programas de aceleração vindo de nomes consolidados no mercado. A Raízen Combustíveis e a Porto Seguro são duas delas. Durante o IT Forum 2018, que acontece de 27 de abril a 1º de maio final de semana na Praia do Forte, Bahia, Fábio Mota, diretor de Tecnologia da Informação da Raízen, e Ítalo Flammia, diretor da Oxigênio Aceleradora, da Porto Seguro, compartilharam suas experiências a partir das iniciativas das duas aceleradoras que lançaram.

E por que recorrer a startups quando já se é uma grande força no mercado? Os benefícios são variados. Para Flammia, essas pequenas empresas oferecem uma espécie de atalho para acessar inovações. Algo que Mota, à frente do hub de inovação Pulse, lançado há cerca de um ano pela Raízen, concorda. “O posto de combustível não mudou, mas eventualmente esse negócio vai mudar, se não acabar”, sentencia. A joint venture, criada a partir da união da Shell e da Cosan, conta com duas unidades principais de negócio – produção de açúcar e etanol e cogeração de energia e a distribuição e comercialização de combustíveis.

“Nossa divisão de energia renovável demorou para acontecer. Mas o negócio de energia limpa vai tornar o mundo autossustentável mais rápido do que a gente pensa”, pontua o executivo para chegar ao propósito da Pulse: “Temos o compromisso de monitorar o mercado para saber o que está acontecendo para efetivamente apresentar para a área de negócios. Aí a decisão é dela de entender se é algo bom ou não, se trata de uma ameaça, se é preciso trabalhar melhor”, explica. Localizada em Piracicaba, interior de São Paulo, a Pulse oferece um espaço de inovação e mentorias estratégicas para jovens empresas com afinidades próximas a Raízen.

Empreendedorismo dentro de casa
Já a Oxigênio Aceleradora reside em São Paulo, capital. Em seu espaço, passaram 29 startups no programa chamado Ignição – que busca startups em fase inicial. Ítalo Flammia fala com entusiasmo da iniciativa responsável por gerar 170 oportunidades de negócio dentro da Porto Seguro. Para o executivo, o ecossistema das startups proporciona um efeito colateral positivo para as grandes corporações: o intraempreendedorismo. A Porto Seguro lançou um projeto para instigar seus funcionários: eles podem tirar uma licença não-remunerada para utilizar o espaço da Oxigênio e focar em projetos seus.

“Ajudamos o talento a criar o seu negócio e ele pode ir embora”, conta Flammia. “Compro um problema com gestores. Porque quem faz isso, geralmente é o melhor recurso da área de negócios. E eles reclamam que eu ajudo o profissional a ir embora”, brinca o executivo que diz que o movimento é circular – porque uma vez que um ex-funcionário se lança ao ecossistema de startups, ele volta como cliente da Porto. “Se eles tiverem uma cabeça aberta pensando inovação, eu tenho muito mais valor agregado para a empresa”, complementa.

Fomentar o interesse
Mas há desafios, claro, nessa relação. É preciso adaptar-se. “Os empreendedores, eles pensam pequeno, eles querem vender para o mundo, conquistar o mundo, valer bilhões de dólares”, provoca Mota. “Mas estamos mal-acostumados, porque pensamos que só porque somos grandes, eles vão aceitar o que a gente pede”, diz o diretor do Pulse. Mas não é o que acontece. A saída, então, é gerar interesse para atrair uma nova geração de empreendedores, ainda mais quando se olha para o mercado de agronegócio, relativamente carente da atenção de startups.

“Quem está fazendo algo para a cana-de-açúcar aqui? Ninguém. Não é algo de interesse comum. Então se eu não gerar esse interesse nos empreendedores eles não vão, eventualmente, criar algo que possa nos ajudar. Estamos nos esforçando muito para não só fazer a cana-de-açúcar conhecida, como os problemas que este nicho enfrenta, para daí sim vir as grandes soluções”, diz Mota.

Dada a alta taxa de mortalidade das startups, é também um desafio identificar quais são aquelas que potencialmente podem agregar valor ao negócio. No caso da Pulse, das cinco selecionadas no primeiro ciclo, uma fechou as portas. “É um mundo muito incerto”, reflete Mota.

“O processo de seleção é um processo de mineração, você pode jogar muitas coisas boa fora. Por isso, é preciso ser muito cuidadoso. Mas das 1,2 mil startups que se inscrevem. Rapidamente, se elimina 50%, porque são projetos muito embrionários. O jogo começa com 600 startups, aí temos de trabalhar para tirar cinco ou sete por ciclo”, diz Flammia, que reforça que a atual área estratégica de TI nas empresas tem também a vocação de provocar e mostrar o valor da tecnologia – e as startups são um bom canal para materializar isso.



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