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Mas afinal, o que é Design Instrucional?

As empresas que desejam engajar os colaboradores em seus treinamentos precisam considerar múltiplos fatores. Confira

Leidiane Vieira *

Publicada em 09 de fevereiro de 2018 às 16h50

Você já observou que a forma como as pessoas consomem conteúdo passou por uma incrível transformação nos últimos anos? Antes da popularização da Internet, era muito mais difícil ter acesso às informações e a produção e distribuição de conteúdo ficavam restritas a uma pequena parcela da população. A Internet alterou não somente a forma de disponibilização das informações, mas também o modo como interagimos com o mundo. Nos dias atuais, temos acesso a uma imensa quantidade de dados em alta velocidade e interagimos com eles de maneira cada vez mais dinâmica e participativa.

Considerando esse cenário, você acha que os treinamentos corporativos tradicionais têm a mesma efetividade? Certamente que não! As empresas que desenvolvem estratégias de educação corporativa precisam considerar o contexto atual no momento de projetarem suas soluções em capacitação. Precisamos lembrar que, além da plataforma utilizada, a forma como o conteúdo é trabalhado interfere diretamente no processo de aprendizagem. É justamente neste ponto que percebemos a importância do Design Instrucional na adaptação de conteúdos, principalmente quando disponibilizados em plataformas de ensino a distância.

Mas afinal, o que é Design Instrucional? Segundo Andrea Filatro, Designer Educacional, esse conceito pode ser definido como o processo de desenvolvimento de experiências de aprendizagem. Trata-se de uma metodologia de planejamento que consiste em identificar um problema de aprendizagem e criar, implementar e analisar uma solução para esse problema. Mas como garantir que o conteúdo promova engajamento e motivação considerando os hábitos mais comuns das pessoas na atualidade?

Primeiramente, precisamos investigar a fundo o contexto e a cultura do público relacionado ao projeto que será elaborado. Temos que identificar as necessidades da instituição com a qual estabelecemos parceria e, principalmente, procurar conhecer os nossos destinatários. Para gerar envolvimento, é fundamental que a solução projetada atenda aos objetivos do público-alvo, ao invés de satisfazer somente aos interesses da instituição. As pessoas precisam criar identificação com o projeto desenvolvido. Dessa forma, a análise do contexto é extremamente importante para conseguirmos criar um ambiente mais propício à aprendizagem.

O segundo aspecto da caracterização do público-alvo que devemos cada vez mais considerar é o estilo de aprendizagem. Neste ponto, percebemos a necessidade de analisar a rotina de vida das pessoas antes de começar a desenvolver o roteiro de aprendizagem. Primeiramente, devemos entender a importância de reduzir a carga cognitiva das informações. Para isso, torna-se imprescindível dividir o material em partes menores, possibilitando que ele seja recebido por etapas e promova uma melhor fixação na memória dos aprendizes. Esse método é conhecido como Microlearning e caracteriza-se pela estratégia de fragmentar o conteúdo em uma série de curtos blocos de informação, de forma a criar sequências com pequenas interações, também chamadas de Pílulas de Conteúdo. A utilização do Microlearning torna-se muito eficiente no atual contexto em que vivemos, no qual as pessoas dificilmente param para ler textos muito extensos. Lembre-se que a busca pela praticidade é a constante do momento!

Outra estratégia que deve ser empregada é a diversificação na forma do conteúdo. Quando se utiliza formatos diferenciados, como vídeos, imagens e infográficos, o material fica muito mais engajador e dinâmico, o que facilita o processo de aprendizagem. Esse tipo de diversificação se enquadra no princípio da multimídia. Pesquisas na área da Educação comprovam que os alunos aprendem mais ou melhor quando textos e imagens são combinados, em vez de apresentados separadamente. Isso porque, quando a informação é exposta em mais de uma modalidade sensorial, são ativados outros sistemas de processamento e a capacidade da memória de trabalho é estendida. Por isso, o processo de aprendizagem é otimizado quando textos e gráficos, por exemplo, são apresentados de modo integrado.

Soma-se a isso o fato de que é necessário atentar para os conceitos da Andragogia, que pode ser definida como um conjunto de metodologias e abordagens orientadas para o aprendizado de adultos. O adulto se interessa mais pela experiência do que pela teoria, ele requer desafio, precisa gerir o seu próprio aprendizado e compreender a importância prática do assunto a ser estudado. Assim, a adaptação de conteúdo para esse público precisa ser feita de forma direta e objetiva. As informações abordadas nos processos de treinamento devem ajudar o adulto a aprender e se autodesenvolver, mas, acima de tudo, elas precisam ser apresentadas de modo atrativo.

Devemos lembrar sempre que a motivação é essencial neste segmento. Devido a isso, é extremamente importante questionar se o formato de aplicação dos treinamentos é suficientemente envolvente. A gamificação, por exemplo, é uma excelente forma de promover engajamento. Ela consiste no uso de elementos, técnica, mecânica, design e pensamentos baseados em games em contextos diferentes de jogos. O objetivo é aprender a partir dos games e identificar os elementos que podem melhorar uma experiência de aprendizagem, gerando motivação e envolvimento. E funciona, pode acreditar!

treinamento

Assim, as plataformas digitais para treinamento corporativo, principalmente aquelas que são disponibilizadas em dispositivos móveis, ajustam-se à forma como as pessoas consomem informação no dias atuais e, portanto, são mais eficientes. Essas plataformas possibilitam que o conteúdo tenha diversos formatos e seja disposto em pequenos blocos. Além disso, elas proporcionam aos seus usuários uma maior autonomia sobre o próprio aprendizado (aprendizagem autônoma) e ainda podem ser acessadas em diversos momentos e lugares.

As empresas que desejam engajar os colaboradores em seus treinamentos precisam considerar todos os fatores aqui apresentados. A conclusão é simples: as pessoas não estão a fim de consumir conteúdo como o faziam há pouco tempo. E a tendência é que os hábitos de consumo fiquem cada vez mais ligados à tecnologia e às peculiaridades do ambiente digital em relação ao formato dos conteúdos. Sem sombras de dúvida, as consultorias de soluções educativas que não se atentarem para esse cenário irão ficar obsoletas. Melhor se reinventar enquanto há tempo!


(*) Leidiane Vieira é mestre em Comunicação e Diretora de Conteúdo da Qranio



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