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Cinco previsões para as Telecomunicações na América Latina em 2018

Como devem evoluir a infraestrutura e os serviços de rede no continente

Hector Silva *

Publicada em 07 de fevereiro de 2018 às 22h30

O crescimento explosivo previsto para a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) e a natureza diversificada dos aplicativos exigem que as operadoras de rede projetem estruturas mais evoluídas, capazes de ir além das metodologias estabelecidas hoje. 

Dispositivos inteligentes, software e virtualização vão permitir o acesso em alta velocidade e com baixa interação humana, simplificando a vida das operadoras de rede em áreas como entrega, agregação e orquestração de serviços, garantindo alto desempenho para os aplicativos de missão crítica de uma cidade inteligente. Uma maneira de fazer isso, é por meio da evolução do 5G, que vai possibilitar melhoramentos significativos de performance e a capacidade das operadoras de redes móveis criar partições virtuais – ou emendar – a rede para garantir a vários aplicativos a performance necessária. 

Confira cinco tendências para a área de telecom no continente em 2018.

1. As redes metro e de acesso vão evoluir à medida que os provedores de serviços se planejarem para o 5G e a Internet das Coisas (IoT)
Quando olhamos para o futuro da IoT e do 5G, vemos que será necessária uma nova arquitetura de rede com maior capacidade de escalar recursos e flexibilidade. Cada ponto da rede precisará iniciar uma transformação para dar suporte à demanda de dados esperada. Atualmente, algumas das principais decisões a serem tomadas estão ligadas às redes metro e de acesso.

Enquanto o 5G ainda está a alguns anos de distância e a IoT cresce continuamente, os provedores de serviços reconhecem que são as redes metro e de acesso que possuem o maior potencial para dar suporte ao 5G e a IoT. A penetração do 4G LTE permanece baixa na América Latina, mas mesmo assim as redes móveis ainda necessitam de maior capacidade na borda. Independentemente do 4G LTE ser adotado primeiro ou ser completamente ignorado com o salto para o 5G sendo feito diretamente do 3G, os requisitos de rede serão os mesmos. Portanto, em 2018, com essas evoluções em mente, os investimentos serão feitos em plataformas altamente escaláveis e programáveis que agreguem o tráfego de dados na periferia da rede.

2. Redes de Fornecimento de Conteúdo: as análises levarão conteúdo aos usuários de forma mais eficiente
Em 2018, veremos mais ênfase nas Redes de Fornecimento de Conteúdo (CDN), para que seja fornecido conteúdo aos usuários da maneira mais eficiente possível. Isso significa não apenas aproximar o conteúdo - algo que temos visto, à medida que os data centers são trazidos mais para perto das cidades e posicionados na borda da rede, aumentando a capacidade e o desempenho.

Com isso em mente, os provedores de serviços implementarão soluções avançadas de software de análise, que utilizam big data e aprendizado de máquina para processar dados sobre a rede e permitir que os provedores de serviços operem de acordo. Isto poderia incluir a compreensão da capacidade atual de utilização de uma rede com base em padrões e tendências de tráfego para prever possíveis estrangulamentos. Isso permitirá aos provedores de serviços planejar melhor as atualizações de capacidade, armazenar conteúdo de vídeo em cache e receber dados em tempo real sobre a saúde da rede, a fim de evitar falhas operacionais e, em última instância, saber quanto o conteúdo que percorre a rede afeta o seu desempenho. Todas essas etapas garantem que a qualidade da experiência da rede permaneça intacta à medida que mais usuários passem a consumir conteúdo da nuvem, como programação popular no Netflix ou música do Spotify.

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3. A automação resolverá os desafios no ambiente real de múltiplos fornecedores
À medida que as redes se tornam mais complexas e dinâmicas, os prestadores de serviços não precisam somente escalar suas redes para atender ao crescimento, mas também fazer ajustes em tempo real para lidar com demandas de tráfego crescente e muitas vezes imprevisíveis. Em ambientes de múltiplos fornecedores, a análise de redes ópticas por meio de planilhas - uma abordagem estática, de alta utilização de mão de obra e propensa a erros - para gerenciar recursos e serviços de rede é uma opção tediosa. As redes automatizadas que identificam tendências, automatizam os fluxos de trabalho manual e resolvem potenciais problemas da rede antes que aconteçam, desempenharão um papel crítico ao capacitar os provedores de serviços a aumentarem a eficiência em quase todos os aspectos das operações comerciais, ao mesmo tempo em que otimizam as experiências dos clientes e aceleram o tempo de colocação no mercado.

Em 2017, vimos a automação de certos aspectos das redes de múltiplos fornecedores, como a descoberta de serviços ou a criação de serviços em vários domínios, por meio da qual os provedores de serviços começaram a ver os resultados reais que lhes deram uma ideia do quanto suas operações poderiam ser simplificadas. Agora, vendo os benefícios da automação, o próximo passo será assegurar que eles estendam esses recursos definidos por software a outros sistemas operacionais e de negócios, como a garantia de serviços e a inovação. Em 2018, os provedores de serviços se expandirão para casos de uso mais sofisticados, oferecendo novos serviços ou adicionando novos fornecedores ou domínios virtuais ao mix. As possibilidades serão infinitas.

4. TI e Telecomunicações continuarão a convergir
Os provedores de serviços de telecomunicações sempre usaram técnicas de TI para transformar o hardware e software de seus fornecedores em serviços vendáveis de rede. O enorme crescimento em termos de data centers, computação em nuvem e virtualização está forçando a convergência dos mundos da TI e das telecomunicações. Eles, agora, serão interdependentes uns dos outros e precisarão estabelecer um relacionamento forte e produtivo para sobreviver.

A expectativa é ver ainda mais interação entre esses dois grupos em 2018, com uma colaboração mais próxima e, em alguns casos, a consolidação, em um único cargo, das responsabilidades anteriormente exercidas por várias pessoas.

5. O papel do data center como um componente crítico da rede
Em 2017, o papel do data center era claro: ele atuava como “cliente” na rede. Em 2018, ficará evidente que, à medida que os aplicativos e o conteúdo continuem a ser posicionados mais próximos do consumidor, a rede precisará evoluir. A chave será implementar data centers flexíveis e dinâmicos e que estejam estreitamente interrelacionados com as redes de pacotes e ópticas subjacentes, para criar uma rede verdadeiramente nativa da nuvem.

Essa tendência levará à hierarquização da nuvem, na qual os data centers estarão situados no núcleo da rede, na periferia e no interior das redes de acesso (ou seja, Micro Nuvem), para atuarem como uma única entidade de malha de computação e infraestrutura para todos os dispositivos móveis, residenciais e clientes empresariais. Esta configuração exigirá novos níveis de desempenho, autoatendimento de banda larga e recursos sob demanda que só podem ser atingidos quando uma rede é criada para dar suporte à próxima onda de demanda de dados.

 

(*) Hector Silva é CTO da Ciena



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