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Estratégia digital precisa partir da alta direção, diz pesquisador

Pesquisador alertou na Campus Party que se diretoria não compra ideia, não adianta ter pessoas brilhantes embaixo, que certamente ela não vai se vingar

Déborah Oliveira

Publicada em 31 de janeiro de 2018 às 15h03

O digital entrou no topo das prioridades das empresas. Essa estratégia, contudo, não irá adiante caso a cúpula diretiva das companhias, ou o board, não comprar a ideia. O alerta é do pesquisador, mestre e doutor em comunicação, Dado Schneider, que se apresentou na Campus Party, evento de tecnologia e internet que acontece nesta semana, em São Paulo.

“Tem de ser de cima para baixo”, afirmou. Como exemplo, ele citou o Magazine Luiza, que já na gestão do jovem Fred Trajano transformou a gigante do varejo, considerada hoje uma das mais digitais do País. 

“Se o pessoal de cima não compra a ideia, não adianta ter pessoas brilhantes embaixo que a estratégia não vai se espalhar. Com isso, gera-se um problema enorme na carreira de talentos: quanto mais moderno o profissional for em uma empresa que não é moderna, mais frustrado ele ficará.”

Empreendedorismo e dados
Ricardo Cappra, cientista de dados, dividiu o palco da Campus Party com Schneider para abordar temas relacionados ao digital. E, como não poderia deixar de ser, ele se aprofundou sobre a cultura de dados e sua relação com o empreendedorismo. 

Segundo ele, nos próximos anos, empreendedores que basearem suas decisões exclusivamente no feeling estarão fadados ao fracasso. “A empregabilidade vai privilegiar aqueles que tiverem provas ou conseguirem medir o que estão dizendo”, afirmou.

Schneider concordou com Cappra e acrescentou que conhece muitas empresas que acumulam informações, mas, ao final, não fazem nada com eles. “O grande legado de big data é o fato de ter dados precisos para tomar decisões mais assertivas”, sentenciou.

CampuspartyCIO2018

O pulo do gato na análise de dados, contudo, afirmou Cappra é traduzi-los para os negócios. “Costumo dizer que torturamos os dados até que eles confessem algo. Mas não adianta organizar os dados, se não tiver pessoas para traduzi-los”, orientou. O especialista lembrou que hoje está na moda a caça por cientistas de dados. Afinal, é um cargo que paga bem e tem status, mas encontrar um é como localizar um unicórnio.

“O cientista de dados perfeito é a junção de três competências: exatas, tecnologia e tradução de negócios. O conhecimento desse talento tem de ser tão profundo que é melhor encontrar pessoas que se complementem do que tentar ser esse profissional completo”, recomenda.

A preocupação com a tradução para a linguagem de negócios, inclusive, foi ressaltada por Cappra. É nesse momento que o analista de business intelligence (BI) e o cientista de dados têm trabalhar de mãos dadas. “O cientista trata os dados e o profissional de BI pergunta o uso dos dados”, explicou.



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