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Transformação Digital: Questões culturais são o maior obstáculo

Novo estudo da Capgemini, em parceria com Brian Solis, revela uma grande desconexão entre líderes e funcionários em relação à visão sobre a cultura digital em suas organizações

Da Redação

Publicada em 11 de outubro de 2017 às 11h04

A cultura corporativa como um dos maiores obstáculos na jornada para que suas empresas se tornem uma organização digital, comprova o estudo The Digital Culture Challenge , realizado pela Capgemini, em parceria com o consultor Brian Solis. Como resultado, as companhias correm o risco de ficar para trás em relação aos seus concorrentes no atual ambiente digital. Além disso, os dados mostram que este desafio se tornou ainda mais difícil para as organizações, com aumento em 7% desde 2011 – quando a Capgemini iniciou pesquisa com esse tema.

Empregados não veem a cultura de sua empresa como digital
O relatório, que ouviu mais de 1,7 mil entrevistados de 340 organizações em oito países, revela uma significativa diferença de percepção entre os líderes seniores e os funcionários em relação à existência de uma cultura digital dentro das empresas. Enquanto 40% dos executivos do alto escalão acreditam que seus negócios já dispõem de uma cultura digital, apenas 27% dos empregados entrevistados concordaram com esta afirmação.

Os entrevistadores pediram aos respondentes que avaliassem a cultura digital de suas empresas com base em sete atributos: suas práticas de colaboração, inovação, cultura aberta, mentalidade digital, agilidade e flexibilidade, foco no cliente e de uma cultura baseada em dados. As informações reunidas no relatório, por meio de uma série de entrevistas, ajudaram a identificar algumas das razões por trás desse gap na cultura digital, que mostra como executivos seniores não comunicam uma visão digital clara para a empresa, além da ausência de modelos digitais e da falta de KPIs alinhados aos objetivos de transformação digital.

Cyril Garcia, líder de Serviços Digitais e Membro do Comitê Executivo do Grupo Capgemini, explicou: "As tecnologias digitais podem trazer um novo valor significativo, mas as organizações só conseguirão desbloquear esse potencial e alcançar a sustentabilidade se tiverem uma cultura digital correta, inserida e implementada. As empresas precisam adotar uma abordagem que promova o engajamento, a capacitação  e inspire os funcionários, promovendo as mudanças na cultura em conjunto com os colaboradores e trabalhando para eliminar a distância entre a alta direção e os demais funcionários. Essas companhias, que fazem da cultura digital um pilar estratégico, ampliarão suas relações com os clientes, atrairão os melhores talentos e se estabelecerão para o sucesso no mundo digital de hoje".

As principais descobertas da pesquisa mostram que há uma profunda desconexão entre líderes e funcionários em todas as dimensões da cultura digital. 

·  A inovação ainda não é uma realidade para muitas organizações. Apenas 7% das empresas entrevistadas sentem que sua empresa está apta a testar novas ideias e a implementá-las rapidamente. Este número reverbera o sentimento dos funcionários em relação à cultura de inovação, com apenas 37% dos entrevistados afirmando que as companhias para as quais trabalham têm uma cultura de inovação, experimentação e risco, contra 75% dos executivos seniores. Esses números indicam que as empresas precisam recompensar a tomada de riscos e criar um ambiente onde os funcionários tenham liberdade para experimentar.

· Existe uma forte discordância nas práticas de colaboração. As descobertas revelam uma divisão entre líderes e funcionários do baixo escalão em relação às práticas de colaboração. Entre os altos executivos, 85% deles acreditam que suas organizações promovem a colaboração internamente, enquanto apenas 41% dos empregados concordam com esta premissa.

· Os líderes acreditam ter uma visão digital, mas os funcionários discordam. A pesquisa encontrou diferenças consideráveis entre o que os executivos e os empregados percebem como uma visão digital clara. Para os entrevistados em cargos de liderança, 62% afirmaram ter uma estratégia bem definida para atingir seus objetivos digitais, com apenas 37% dos funcionários concordando.

O relatório destaca ainda que as empresas estão falhando ao tentar engajar os funcionários na jornada para a mudança de cultura. A participação dos empregados é crucial para que se desenvolva uma cultura digital efetiva e para acelerar a transformação cultural da organização. Neste sentido, a liderança e a gestão intermediária são fundamentais para traduzir a visão digital mais ampla em resultados empresariais tangíveis e, inclusive, para recompensar comportamentos digitais positivos.

Ian Rogers, líder digital (Chief Digital Officer, em Inglês) da gigante de consumo LVMH, afirmou: "O momento de ruptura para uma organização é quando finalmente incorpora o fato de que a transformação digital não é uma questão técnica, mas uma mudança cultural".

Líderes da cultura digital se destacam dos demais
A pesquisa identificou um grupo de precursores (front-runners) da cultura digital (34% das organizações pesquisadas), que performaram de modo bastante consistente nas sete dimensões da cultura digital e cuja liderança conseguiu, em grande parte, alinhar a organização à cultura desejada. O Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos obtiveram uma forte representação de organizações com esse perfil de liderança em cultura digital (63%, 60% e 56%, respectivamente), enquanto os setores automotivo (43%), de bens de consumo (38%) e de telecomunicações (32%) alcançaram a maior proporção por indústria.

Esse grupo de precursores da cultura digital tende a contratar de maneira diferente em comparação com seus concorrentes que dispõem de uma movimentação digital mais lenta, conscientemente dando preferência a profissionais com traços comportamentais como criatividade e autonomia ao recrutar – 83% dos front-runners, em comparação com 29% das contrapartes digitais mais lentas; ajustando descrições de funções e KPIs para se alinhar à transformação digital global (75% em comparação com 17%); e conciliando sua estrutura de compensação com os objetivos de transformação digital (70% contra 13%).

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Como criar uma cultura digital?
Desenvolver uma cultura digital e impactar a mudança requer paciência, tenacidade e vigilância constante. O novo relatório apresenta alguns elementos-chave necessários para que as organizações sejam capazes de adotar uma cultura digital efetiva: 

· Implementar agentes de mudança digital e empoderar empregados em direção à cultura digital

· Desenvolver novas KPIs que foquem em comportamentos

· Tornar tangível a mudança cultural digital

· Investir em conhecimentos digitais relevantes

· Comunicar claramente uma visão digital e contar com um envolvimento visível da liderança

· Usar a colaboração digital para aumentar a transparência e para engajar os empregados

·  Adotar uma abordagem de pensamento voltado a sistemas para a mudança cultural

"Para competir no futuro, as empresas devem investir em uma cultura digital que seja capaz de alcançar a todos na organização. Nossa pesquisa indica que a cultura é o principal inibidor ou o catalisador para a transformação e a inovação digitais. Muitos executivos acreditam que sua cultura já seja digital, mas quando você pergunta aos funcionários, eles não concordam. Esta lacuna revela a falta de uma visão digital, de estratégia e de um plano de execução tático estabelecidos desde o topo da organização", explicou o consultor Brian Solis.

"Cultivar a cultura digital é uma forma de negócios que entende como a tecnologia está mudando comportamentos, o trabalho e a dinâmica de mercado. Isso faz com que todos cresçam para competir de forma mais efetiva em um ambiente de negócios que se transforma", completa.

Metodologia de pesquisa do estudo
Este estudo fornece informações sobre os desafios que as organizações têm enfrentado para construir uma cultura digital. O relatório abrange os pontos de vista de 1, 7 mil entrevistados de 340 organizações em oito países. O grupo de participantes foi dividido em 20% de executivos seniores, 40% dos entrevistados da gerência intermediária e 40% de empregados que não estão em funções de supervisão, de cinco setores da indústria: automotivo, financeiro (bancos e seguradoras), bens de consumo, varejo e telecomunicações. 

Além disso, a Capgemini realizou uma série de entrevistas focais com acadêmicos, altos executivos da indústria e funcionários. Entre os países representados estão Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Reino Unido e Suécia,. A pesquisa foi realizada entre março e abril de 2017.



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