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Gestão

Apostas para a TI em 2017

Cada empresa tem que achar seu próprio caminho entre as direções possíveis, mas uma escala é obrigatória: a mudança cultural

Da Redação

Publicada em 22 de março de 2017 às 09h06

Após um período de recessão da economia brasileira, 2017 promete ser um ano de recuperação dos investimentos e retomada do crescimento, principalmente para empresas de tecnologia.

De acordo com pesquisa realizada pela Freeform Dynamics em parceria com a CA Technologies, 71% dos alto executivos brasileiros sinalizaram que dedicarão ao menos 20% de seu investimento voltado para TI às iniciativas de transformação digital. Com esse maior investimento em iniciativas de Transformação Digital, a principal expectativa do empresário brasileiro é abrir novos mercados (44%). Outros desejos expressados pelos entrevistados foram ampliar produtividade (44%) e aumentar a satisfação de seu consumidor (43%).

A pesquisa aponta ainda que a Transformação Digital é vista por 60% dos executivos brasileiros como uma estratégia coordenada de negócios, impactando todas as áreas das empresas – número acima da média global de 55%. No entanto, apesar de impactar o negócio das empresas como um todo, a decisão pela adoção de iniciativas ainda está concentrada prioritariamente nas mãos dos CEOs (29%) e CIOs (37%).

Na média global, os setores que mais valorizam a transformação digital como um programa estratégico são as empresas de telecomunicações (66%) e de serviços financeiros (65%). Por outro lado, os segmentos menos aderentes à tendência são de bens de consumo (48%) e saúde (47%).

De acordo com o GartnerGroup, estima-seque os gastos globais com a área de TI devem crescer 2,9% nesse ano, totalizando US$ 3,4 trilhões. A pesquisa também mostra que a área de software e serviços de TI é a principal responsável por esses investimentos.

Visando a expansão, as empresas estão buscando cortar custos desnecessários, e em muitos casos, as economias obtidas estão sendo investidas em TI para melhorar processos e ter agilidade e segurança das informações.

Nesse contexto, Leandro Turbino, diretor de Vendas da Micro Focus Brasil, aponta três tendências para a área de TI em 2017:

1. Internet das Coisas está na lista de ameaças à segurança cibernética 
Na opinião de Turbino, 2017 é o ano em que a segurança da Internet das Coisas ocupará o seu lugar no topo da lista de ameaças de segurança cibernética a nível nacional e global. Com o crescimento exponencial de dispositivos móveis, a tendência é o aumento da exploração de vulnerabilidades nos sistemas de segurança das empresas e também em ambientes industriais, representando ameaças para as organizações.

Alguns ataques no fim do ano demonstraram que um número relativamente pequeno de dispositivos IoT comprometidos pode ser usado para executar ataques extremamente significativos. Com o uso cada vez maior de IoT, a escala potencial de um ataque bem coordenado poderia ser usado para apresentar uma ameaça muito real para a infraestrutura do país, como em serviços bancários online, serviços de emergência e comércio em geral.

Como resultado, devemos esperar que a segurança da IoT se torne rapidamente parte da agenda de segurança nacional e que os governos comecem a avaliar o papel da legislação e dos padrões de segurança para dispositivos conectados à Internet.

2. O fim da TI Bimodal 
A Micro Focus acredita que os sistemas de software não devem ser divididos em duas categorias distintas para gerenciamento e controle. A reutilização do que já funciona minimiza o risco do negócio e também suporta práticas de software modernas. Estas não são coisas separadas, mas sim uma cadeia de valor integrada que opera em muitas velocidades diferentes.

O mundo sempre está em transformação e ela é imediata. Nesse modelo, as empresas constroem lentamente a estabilidade dos sistemas, enquanto lançam coisas novas a cada dia, e essa disparidade não caminha ao lado das demandas dos negócios, processos e mudanças organizacionais exigidos pelas transformações aceleradas que vivemos.

transformacaodigital

3. DevOps se tornará NoOps
Toda a área de TI está lutando por uma digitalização mais rápida, com um maior envolvimento com os clientes por meio dos serviços, extraindo valor dos recursos de informações e permitindo uma nova força de trabalho móvel.

A tendência DevOps é alimentada pela necessidade de inovar rapidamente, mas a inovação também conduz a uma necessidade de operações mais responsivas. Os fornecedores de "NoOps" gostariam que acreditássemos que a melhor solução para os problemas é remover operações inteiramente usando serviços de nuvem para apoiar uma digitalização mais prática. A nuvem, ao invés de se tornar uma ameaça existencial para as operações, é na verdade libertadora, permitindo a agilidade e uma mudança de foco em resultados de tecnologia para resultados de negócios.

As operações de TI tem a experiência para traduzir as prioridades de negócios em métricas operacionais para apoiar os resultados bem sucedidos e a melhoria contínua que os negócios necessitam - um passo crítico considerando como os consumidores itinerantes podem ser. Esta é a próxima progressão lógica em DevOps - completando o "último passo" de entrega de software por meio de uma equipe de operações que garante a prestação satisfatória de serviços, independentemente de a infraestrutura estar na nuvem ou no data center corporativo.

Reset cultural
A maioria dos analistas concorda em ao menos um ponto: cada empresa tem que achar seu próprio caminho, mas alguns erros já cometidos servem de lição.

Estratégias digitais isoladas em departamentos como marketing (esse é um erro crasso: assumir que estratégia de negócios digitais é simplesmente uma estratégia de marketing digital) ou tratar os canais digitais como entidades à parte, desconectadas das demais operações, gera conflitos e até mesmo situações caóticas.

Estruturas organizacionais, processos e tecnologias separadas para os canais físicos e os digitais, geram confusão e atritos pela disputa dos recursos econômicos. Há casos de empresas de varejo que tratam o mesmo cliente como se fossem dois clientes diferentes, o do canal físico e o do canal digital. Isso é tudo que o cliente absolutamente não quer!

Claramente, muitas empresas precisam de um “reset”. A estratégia digital deve ser holística e não departamental. O “reset” vai servir para dar um novo início, repensando como os modelos operacionais funcionam, sejam na captação à retenção de clientes, nos processos internos, nos modelos organizacionais e nas tecnologias adotadas. Significa sair de uma empresa de cultura analógica para uma digital.

"A mudança cultural é um obstáculo que muitas vezes é o mais difícil de superar", comenta Cezar Taurion,  head de Digital Transformation da Kick Ventures. Mudar o “mindset” executivo moldado a gerenciar uma empresa que orquestra uma cadeia linear, onde a empresa é o centro e os clientes e parceiros ficam em sua órbita, e passar a fazer parte de um ecossistema, não é simples. Significa expor o negócio de uma forma que esses executivos não estão acostumados.

Outro obstáculo é que muitas empresas ainda veem a sua TI apenas como suporte e apoio operacional. Assim, ser digital para muitas delas é criar um app, que muitas vezes apenas simula um desktop em suas funcionalidades. 

"É essencial integrar as duas pontas de uma estratégia digital, a que chamo de experiência do cliente e a da excelência operacional", comenta Taurion.



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