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Gestão

Procura-se meio milhão de profissionais de TI

O déficit de trabalhadores na área de TI em 2015, só no Brasil, foi 195 mil pessoas capacitadas e empregadas em tempo integral

Vandriani Misturini *

Publicada em 24 de novembro de 2016 às 07h11

Empresa de Tecnologia da Informação procura profissional com ou sem experiência, formado ou estudante de cursos na área de TI para contratação imediata. Remuneração: a combinar. Benefícios: ambiente de trabalho moderno, flexibilidade de horários, possibilidade de aprendizado e participação em projetos que estão ajudando a transformar a sociedade.

Parece um anúncio de emprego ideal, não? Pra muita gente, uma vaga dessas é daquelas oportunidades únicas, que não se repetem e precisam ser agarradas imediatamente — e ainda será disputada por muitos concorrentes. Mas isso é só impressão.

Esse anúncio é fictício, mas poderia estar em qualquer lugar que ofereça vagas e dificilmente seria retirado pelo preenchimento dela. O motivo, surpreendente para a maioria dos profissionais de áreas distantes do mundo da tecnologia, seria a demanda por mão de obra com um perfil raro de se encontrar: o profissional ultraqualificado.

Para termos uma ideia do tamanho do buraco na lei da oferta e da procura no RH das empresas de TI, o estudo Network skills in Latin America, desenvolvido pela consultoria IDC a pedido da multinacional Cisco, mostra que até 2019, faltarão quase 450 mil profissionais para preencher postos de trabalho abertos na região. 

O problema atinge o Brasil, enquanto maior país do continente, que já apresentou déficit de trabalhadores na área em 2015: faltaram 195 mil pessoas capacitadas e empregadas em tempo integral. Mas porque isso acontece?

Enquanto recrutadores, percebemos que a maior dificuldade para encontrar profissionais é a justamente a falta de qualificação. No passado, para trabalhar com tecnologia era fundamental que o candidato a uma vaga tivesse bagagem acadêmica exclusivamente na área de TI.

Hoje, há muitas opções que, por conta da evolução da sociedade e do mercado de trabalho, acabam convergindo ou dependendo da tecnologia, o que dá uma sensação equivocada de que isso é suficiente para ser contratado como um especialista no segmento. 

equipe

É preciso compreender que as soluções avançaram muito e, apesar de as redes serem cada vez mais ubíquas – isto é, estarem invisíveis e onipresentes –, o conhecimento para ser um profissional desejado tem que ser mais profundo.

É preciso reunir várias habilidades: bom relacionamento, comunicação, autonomia e criatividade são alguns deles. Entender as mudanças que já estão acontecendo por meio da cloud computing, internet das coisas e big data também é fundamental.

O mundo de hoje tem pouca semelhança com o de dez ou 20 anos atrás. Mas a busca constante pelo conhecimento nunca fica desatualizada.


(*) Vandriani Misturini é administrador, MBA em Gestão de Pessoas e Coordenador de Recursos Humanos da IPM Sistemas



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