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Geração Y: maioria dos profissionais desconhece políticas de TI

As empresas precisam estar preparadas para mostrar aos jovens que nem todas as aplicações tecnológicas podem ser incorporadas ao ambiente corporativo, pelo fato de trazerem riscos à segurança e à privacidade

Rodrigo Afonso, repórter do COMPUTERWORLD

Publicada em 22 de abril de 2009 às 11h43

Um estudo conduzido pela Accenture com jovens norte-americanos mostra que a Geração Y começa a trazer um risco para as empresas ao utilizar soluções tecnológicas tipicamente pessoais - como redes sociais, mensagens instantâneas e SMS (mensagens curtas de texto) - para o trabalho, mas sem entender as regras para uso dessas ferramentas no ambiente corporativo.

Segundo o levantamento, mais de 60% dos jovens desconhecem as políticas de suas companhias em relação à tecnologia da informação ou não têm incentivos para seguir essas regras.

Com isso, mesmo sem a aprovação da empresa, muitos jovens utilizam tecnologias no trabalho que não são fornecidas pelo empregador. Dentre elas, estão os celulares (39%), mensagens instantâneas (27%) e redes sociais (28%).

Para Roldofo Esenbach, analista da Accenture, essa realidade pode ser facilmente transportada para o mercado brasileiro. “Esses jovens, representantes da Geração Y, nasceram com tecnologia, acesso virtual, ferramentas de compartilhamentos e de troca de ideias. É natural que eles queiram encontrar esse mesmo cenário no ambiente de trabalho, mas a realidade não é bem essa”, afirma Esenbach.

De acordo com o analista, o ponto crítico envolve a vulnerabilidade de dados críticos. “Esses jovens precisam ter mais informação sobre as consequências de se divulgar informações corporativas. A falta de maturidade com relação ao risco da falta de privacidade permeia suas vidas pessoais. Quando isso é transportado para o mundo corporativo, o risco se multiplica”, diz.

Ricardo Basaglia, gerente da divisão de TI da Michael Page do Brasil, afirma que não há como evitar o choque que um profissional da Geração Y vai sentir ao entrar em uma empresa do modelo tradicional. “Um jovem acostumado com o iPhone, onde instala e retira aplicativos com extrema facilidade, vai sentir um grande impacto quando tiver de lidar com um ERP totalmente travado. Ele sabe qual o potencial da tecnologia, mas ainda não tem como entender por que a empresa necessita daquele sistema e não percebe que as mudanças são muito mais lentas no lado corporativo”, afirma.

Na visão do consultor, é desleal comparar a velocidade da internet e o ambiente corporativo. Enquanto a grande rede pode funcionar na base da experimentação, a empresa só pode incorporar tecnologias que estiverem 100% testadas e funcionais. “O processo de educação desses jovens passa por deixar isso muito claro para eles, até porque em pouquíssimos ambientes profissionais ele vai encontrar exatamente o que deseja em termos de tecnologia e de facilidades de comunicação”, complementa.

Segundo Robert Andrade, analista da consultoria Robert Half, é um desafio grande mostrar limites a esses jovens e mantê-los motivados ao mesmo tempo. “A empresa tem que definir sua política de acesso a informações e precisa divulgar isso para os jovens. Ao mesmo tempo, a gente percebe que aos poucos os jovens estão mais conscientes sobre a necessidade de manter a privacidade. Até as redes sociais estão implementando opções mais seguras”, afirma.

Para Andrade, ainda que precise tirar ferramentas dos jovens, as empresas precisam compensar com outros benefícios, como áreas de convivência, treinamentos e até mesmo na oferta de maneiras alternativas para que os jovens possam continuar se comunicando e trocando informações.

Como os demais analistas ouvidos pela reportagem, Andrade concorda que as empresas devem procurar entender um pouco melhor a dinâmica de trabalho dos jovens e estudar formas de garantir um pouco mais de flexibilidade no que diz respeito ao uso das novas tecnologias, ainda mais diante dos números do estudo da Accenture, que indica que 52% dos jovens afirma que a utilização do estado da arte em tecnologia é um fator importante na hora de escolher um trabalho.




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