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Como lidar com as ameaças disruptivas?

A CIO compilou algumas sugestões, baseadas no depoimento de CIOs que já estão lidando com a disrupção

Da Redação

Publicada em 19 de janeiro de 2018 às 10h08

Os conceitos de tecnologia disruptiva e inovação disruptiva, que se espalham como vírus benignos no universo do empreendedorismo, foram cunhados pelo professor Clayton M. Christensen, da Harvard Business School, em duas obras que ficaram famosas – o artigo "Disruptive Technologies: Catching the Wave", de 1995, e o livro "The Innovator’s Solution", de 2003. Desde então, a palavra "disruptiva" parece dotada de poderes mágicos, capazes de assegurar, de antemão, charme e sucesso a um empreendimento.

Agora, a disrupção digital vem desencadeando um rearranjo intenso no mundo dos negócios. Além de mudar modelos de negócios, está influenciando cadeias de valores e fragilizando barreiras entre indústrias. Os disruptores mais bem-sucedidos empregam o que alguns teóricos chamam de “perturbação disruptiva”, na qual várias fontes de valor - custo, experiência e plataforma - se fundem para criar novos modelos de negócios e ganhos exponenciais.

Por outro lado, o ritmo de disrupção, o tempo que ela leva para aparecer e provocar impacto, tende a ser muito mais lento do que a percepção geral sugere e, portanto, abre espaço para as empresas atuais reagirem.

Diante deste cenário, como os CIOs devem reagir? A CIO compilou algumas sugestões, baseadas no depoimento de CIOs que já estão lidando com a disrupção.

1 - Facilitar a inovação
O CIO precisa conduzir os processos inovadores, capazes de aumentar a vantagem competitiva e a rentabilidade da empresa.

A tecnologia deve ser sempre um facilitador, nunca uma barreira. Isto exige que o CIO esteja vários passos à frente no entendimento do estado da arte da tecnologia e das iniciativas da concorrência.

O CIO precisa identificar oportunidades, orientar e apoiar os seus colegas para transformá-las em realidade. O responsável tem de  ser um líder organizacional, não um chefe de TI. è uma mentalidade e não uma posição.

2 - Aprender com os novos intervenientes
A primeira coisa que os CIOs devem fazer é estarem atentos e receptivos a novos intervenientes nos setores das suas organizações, sem se importarem com a dimensão desses agentes. Há mais benefícios no reconhecimento e aprendizagem sobre o que estão inovando na área de atuação dos CIOs  do que em ignorá-los.

Mas se manter bem informado sobre os novos desenvolvimentos do mercado já é uma tarefa considerável por si só e não pode ser apenas da responsabilidade do CIO.

3 - Vasculhar o horizonte
Os CIOs devem reservar um tempo para explorar o horizonte ou olhar para futuros cenários da tecnologia. Questionarem-se sobre os impactos que as inovações terão nos clientes, na cadeia de abastecimento, nas receitas, nos lucros, entre outros.

Trocarem suas percepções com o CEO e outros executivos C-level. Educá-los a respeitos das novas tecnologias, com as quais precisam estar minimamente familiarizados.

E, por fim, tomarem a iniciativa.

Não esperem que as disrupções aconteçam, sejam disruptores!

4 - Pensar como se estivessem conduzindo uma startup
Pensem nos segmentos verticais e nos mercados onde a empresa está presente. Como incomodariam o líder de mercado, se fossem um novo concorrente, ou mesmo como fariam uma disrupção de toda a indústria?

Organizem sessões regulares internamente para avalioar que rupturas são pertinentes. Em alguns casos é útil capacitar uma equipe, separada daquela responsável por manter a operação da empresa, encarregada de buscar a inovação.

5 - Promover uma cultura disruptiva
Os CIO precisam de criar continuamente uma cultura capaz de promover as rupturas positivas. Mesmo que em pequena escala, isso pode ser fundamental para quebrar uma rotina e um ciclo, no qual, de outra forma, as pessoas se manteriam estagnadas numa função de trabalho, aceitando a situação vigente.

Em última análise, incentive a empresa a reinventar suas próprias soluções e processos.  Trate de romper com as melhores inovações tecnológicas da empresa, que já não gera resultados tão bons assim,  antes que um concorrente o faça.

6 - Ganhar agilidade
Se as organizações procurarem lidar com a ameaça de novos protagonistas, gastando muito tempo vendo o que estão fazendo, para só depois reagirem, correm o risco de serem demasiado lentas: é raro as grandes organizações serem ágeis o suficiente, para competir com uma mudança verdadeiramente disruptiva no mercado.

Concentram-se muito na sua própria abordagem para repensar os seus melhores produtos e serviços, inovando-os. Isso é alcançado trabalhando a cultura e a mentalidade da organização.

7 - Ouvir mais os novos trabalhadores
Algumas semanas após novos membros entrarem na organização, perguntem-lhes o que mudariam nela. Em seguida, questione-os se a empresa é suficientemente ágil para experimentar as mudanças propostas.

Os novos trabalhadores não estão comprometidos com a cultura e o modus operandi da empresa. Podem ajudar na implantação de tecnologias de vanguarda.

8 - Evite o “sonambulismo”
Há um risco real de os líderes de mercado ou concessionárias de serviços avançarem de forma “sonâmbula” para uma mentalidade conservadora e ou protecionista. Mentalidade leva a uma crescente aversão à inovação.

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9 - Inspirar a equipe de TI
Existe a necessidade de garantir que a equipe de TI permaneça forte e colaborativa, envolvida na gestão quotidiana dos sistemas, contribuindo para a geração de valor para o negócio, permitindo e fazendo a mudança. Os CIOs devem envolver realmente sua equipe, desenvolvê-la e mantê-la estimulada.

Inspire e cultive o grupo. Instaure uma cultura de colaboração.

10 - Ser facilitadores
O papel dos líderes de TI das organizações está a evoluindo rapidamente, afastando-se de um curador de hardware e software, aproximando-se  do agente responsável pela adoção de modelos de negócios disruptivos. Identificar a combinação de vetores de disrupção não é fácil, mas o ritmo de mudança é de tal, que o risco de ignorá-los pode ser fatal.

O CIO tem um ponto de vista único  sobre toda a empresa e deve desenvolver as competências para detectar tecnologias disruptivas e fornecer formas de os colegas poderem adotá-las. Este é um ponto de inflexão no papel de liderança tecnológica e não deve ser desperdiçado.

11 -Ter uma plataforma de tecnologia ágil
Em termos práticos, seja capaz de criar e adoptar soluções capazes de levar a empresa a reagir rapidamente às mudanças do mercado, ou a antecipá-las.

12 - Envolver as áreas de negócio
Tornem-se conselheiros confiáveis e respeitados do negócio através da entrega de mudanças práticas e eficazes, do ponto de vista do custo, e dos  benefícios gerados para o negócio, claros e demonstráveis. Para serem CIOs de sucesso, procurem envolver-se totalmente com todas as partes interessadas nas mudanças e seus resultados.

13 - Evitar atalhos perigosos
Atalhos são, muitas vezes, um caminho válido para repensar e recriar processos de negócios para gerar mais eficiência, corte de custos e uma nova experiência ao cliente digital. Mas cada inovação de modelo e processo de negócios deve, ainda, navegar com cuidado entre as ilhas da legalidade, privacidade, segurança e proteção.



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