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Carreira

Qual a sua produtividade por segundo rodado?!

Todo grande líder compreende que precisa de um grande time e um grande time precisa de autonomia para que a empresa seja mais produtiva

Raul Cesar *

Publicada em 26 de junho de 2017 às 11h31

Sempre procurei ser um colaborador eficiente. No entanto, até há pouco tempo, centralizava todas as atividades em mim, sem delegar. De fato, conseguia entregar o que era requisitado, às vezes de maneira rápida. Outras com o prazo estourado, mas sem o acabamento adequado. Essa publicação começa em formato de confissão. Delegar foi um dos meus grandes desafios nos últimos anos! Passar pela disruptura de abrir mão do "só eu sei fazer isso” foi libertador, e... produtvo! 

Envolto em um ambiente de tecnologia e inovação, vejo que acabei acertando em corrigir minha postura o quanto antes. Cada dia mais, vejo o discurso da colaboração social, team work online, empresas planas (sem hierarquia) que apostam na inovação e no erro controlado para conquistar coisas novas. Isso só é possível quando os CEO’s abrem mão do direito à razão e decidem permitir que as ideias surjam das mais variadas formas.

David Velez, CEO da Nubank, comentou recentemente em uma entrevista que, nas empresas financeiras tradicionais, seus concorrentes tomam decisões porque alguém diz: “Eu tenho 40 anos de experiência nisso, por isso digo que o caminho que devemos seguir deve ser esse”. Na empresa que ele lidera ninguém poderia tomar decisões assim, porque poucos têm sequer 40 anos de vida. Em compensação, seus colaboradores (de 25 nacionalidades diferentes!) estão envoltos em uma gestão que delega as ideias... Então eu me pergunto: e a capacidade de tomada de decisão, o resultado?! 

O ganho de produtividade é imenso! Em vez de você ser o único responsável por fazer a máquina rodar, o todo trabalha em conjunto por você. Empresas de tecnologia criam células de conflito de propósito. A diversidade de opiniões gera conflito automaticamente, mas o saldo final é a inovação. 

Passo por esta experiência todos os dias. No meu ambiente corporativo, temos colaboradores de vários níveis de graduação, idades, com pouca e muita experiência. Como trabalhamos todos juntos, sem divisória ou salas, deparamos com problemas da engenharia que acabam sendo sanados pelo marketing, ou ainda, do comercial que foi atendido diretamente pelos CEO’s. Mas isso só é possível porque todos compartilham do mesmo espaço.

Estamos caminhando cada vez mais para uma sociedade que não se preocupa com o “quem sou”, mas “o que posso fazer melhor”. Recentemente, também em uma entrevista, Wilson Ferreira JR, presidente da Eletrobrás, contou que assumiu há seis meses uma estatal com uma dívida 9 vezes maior que seu ebitda (geração operacional de caixa da companhia). Por quê?! “Primeiro foi a honra do convite. Eu sou do tempo em que se você fosse chamado para a seleção brasileira, ficaria orgulhoso. Receber o convite para a Eletrobrás me fez sentir da mesma forma”, comentou Wilson. E qual a primeira frase que ele menciona na reportagem como sendo seu plano de ação para mudar a empresa?! “Nós precisamos implementar uma mudança cultural...mobilizar as pessoas para encontrar uma solução. A solução está lá dentro”.

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Toda cultura muito arraigada devora os planos estratégicos no café da manhã. Se os CEOs não forem os grandes agentes da mudança, começando por delegar a inovação e a tomada de decisão, passando por gerenciar erros controlados, não haverá relógio que dê conta de tudo o que precisará ser feito para atingir resultados satisfatórios. 

Todo grande líder compreende que precisa de um grande time e um grande time precisa de autonomia,  aliada à confiança de seus gestores, para executar tarefas com responsabilidade. 

Conseguir formar um time de alta performance, com certeza vai fazer você ser mais produtivo do que sozinho, embebido em suas certezas e afirmações. 

Talvez o primeiro passo seja como disse o próprio David Velez: "Contrate pessoas com a cabeça muito aberta e cheia de perguntas. Elas vão ajudá-lo a ser mais produtivo do que pessoas com muita experiência e a cabeça cheia de respostas”.

 

(*) Raul Cesar é Sales Specialist da startup curitibana Winov



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