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Desde 2014 as empresas de TI do Rio demitem mais do que contratam

No estado, já a partir de 2015, houve uma queda de 4% (menos 930 postos), enquanto São Paulo e Brasil cresceram 1%. Já nos primeiros nove meses deste ano, a retração foi geral. O Rio de Janeiro perdeu mais 8% (1.573)

Da Redação

Publicada em 02 de dezembro de 2016 às 09h28

Estudo do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro (TI Rio), traçando um panorama do mercado de trabalho em software e serviços do Rio de Janeiro, não tem boas notícias para os profissionais cariocas. Nem para os CIOs, que vem aumentando a contratação de outsoursing em todo o país. As empresas de software e serviços de TI do Rio de Janeiro têm perdido participação no mercado nacional, ano a ano e desde 2014 demitem mais profissionais do que contratam. A afirmação é baseada na análise de dados da Rais e do Caged. No período de 2007 a 2015, por exemplo, enquanto o número de postos de trabalho para profissionais do setor no Brasil cresceu 9,4%, no estado o índice ficou em 6,4%.

No estado, já a partir de 2015, houve uma queda de 4% (menos 930 postos), enquanto São Paulo e Brasil cresceram 1% (1.228 e 2.126, respectivamente). Já nos primeiros nove meses deste ano (2016), a retração foi geral. O Rio de Janeiro perdeu mais 8% (1.573); São Paulo 2%(1.910) e o Brasil 1% (2.327).

demissões

No período entre 2014 e setembro deste ano (2016) apenas três atividades contrataram mais do que demitiram: a que agrega portais, provedores de conteúdo etc, com 33% (55); a de desenvolvimento/licenciamento de software customizados, 9% (57) e a de desenvolvimento/licenciamento não customizado, 4%(75). Os outros seis grupos demitiram: reparação/manutenção de telecomunicações, desenvolvimento sob encomenda, consultoria em TI, reparação/manutenção de equipamentos e periféricos de TI, tratamento de dados, provedor e hospedagem e suporte técnico, manutenção e outros serviços.

No período foram menos 1299 profissionais, sendo que a proporcionalmente os mais afetados foram os de nível gerencial, com perda de 6% (226) dos postos. Depois, na mesma proporção, 3%, estão os níveis superior (1.033) e técnico (1.015).

"Ainda precisamos aprofundar mais as análises mas, seguramente, entre as causas, estão a crise provocada pela queda de atividade de toda a cadeia de óleo e gás relacionada à Petrobras e a falta de incentivos para o setor", afirma o professor Luiz Carlos Sá de Carvalho, diretor do TI Rio e coordenador do estudo.

As atividades de alta complexidade têm concentrado a maior parte dos profissionais, sendo que a “consultoria em TI” é uma das que está em linha ascendente, saindo de 5050 em 2014 para 6.275 em 2015. Próximo a ela, mas na descendente, estão as dedicadas às atividades de desenvolvimento sob encomenda, que saiu de 6.150 postos em 2014 para 5.265 em 2015. Outro exemplo de ligeiro crescimento está no grupo de tratamento de dados, provedor e hospedagem, de 2.154 para 2.429. Na base e com uma tímida elevação está o grupo de portais, provedores de conteúdo, etc que sai de 289 para 338 profissionais.

O número de empresas no estado também teve um incremento menor (4,7%) comparado com os 6,5% no Brasil e 6,9% em São Paulo. Outro dado que revela as consequências das desvantagens para as empresas do Rio é o número de assalariados no setor, que teve um crescimento de 8,4% em São Paulo; 7,9% no Brasil e 4,6% no Rio de Janeiro.

A falta de incentivos que fizeram de Belo Horizonte, de Recife e de Florianópolis pólos importantes de geração de inovação na área de TICs também é apontada pelo presidente do TI Rio como o principal motivo para o fechamento de empresas. "Enquanto outras cidades adotaram políticas de incentivo à TI, aqui na capital do Rio, onde está concentrada a maior parte das empresas, ficamos apenas nas promessas”, se queixa Benito Paret, fazendo referência às alíquotas do ISS na cidade, que teve uma primeira proposta de redução encaminhada à Câmara dos Vereadores em 2007, substituída por outra em 2009, mas que nunca chegaram a ser votadas.

Paradoxalmente, um dado positivo para o estado é a comparação do valor das médias salariais dos profissionais especializados em TI que trabalham nas empresas do setor. O Rio lidera com R$5.641,00 e crescimento percentual de 1%; seguido por São Paulo, com R$5.497,00 e crescimento de 0,9% e Brasil com R$4.999,00, mas com crescimento percentual superior, em 1,6%. Na opinião do professor Luiz Carlos isso está relacionado à boa remuneração dos profissionais contratados por empresas usuários, especialmente do setor governo.

O estudo indica que, no Brasil, 406.566 profissionais de software e serviços trabalham em áreas de TI em empresas que têm outras atividades principais. Desses, 47.298 estão no Rio de Janeiro. A melhor média salarial desses profissionais está em São Paulo, com R$6.582,00 e crescimento de 1,8% entre 2007 e 2015. No Rio a média é de R$6.056,00 (1,7%) e no Brasil R$5.276,00 (2,8%).

Já quando são analisadas as remunerações pela complexidade das atividades, o Rio de Janeiro apresenta melhores salários na alta, com R$5.395,11, seguida por São Paulo, com R$ 5.099,19 e Brasil, com R$ 5.099,11; e na baixa, com R$ 2.813,16; enquanto São Paulo tem R$ 2.622,07 e Brasil R$ 2.661,10. Nas atividades de média complexidade São Paulo aparece com R$ 4.930,19; o Rio com R$ 4.717,15 e a média nacional fica em R$ 4.378,89.

Apesar disso, diante de poucas oportunidades de trabalho, o Rio Já começa a sofrer com a migração de profissionais qualificados para cidades de outros estados do país, redução da arrecadação de impostos pela retração de consumo de bens e serviços e de empregos, diminuição da capacidade técnica global etc. Portanto, não é apenas uma questão de cada empresa individualmente, embora estas muitas vezes não tenham alternativas.

Os principais resultados do estudo serão apresentados e debatidos na próxima segunda-feira, dia 5/12, às 17h30, no Clube Ginástico Português, localizado na Avenida. Graça Aranha, 187.



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