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Para liderar a Transformação Digital é preciso conquistar respeito e reputação

Não espere que alguém lhe peça para ser estratégico!

Cezar Taurion *

Publicada em 21 de novembro de 2016 às 08h11

A transformação digital demanda um novo olhar para TI. A tecnologia está cada vez mais inserida nos produtos, processos e modelos de negócio. Para fazer frente a estes novos desafios, uma vez que nunca passamos por tão rápidas e intensas transformações, o papel de TI e seu posicionamento na organização deve ser revisto. O modelo organizacional e o papel da TI que ajudou a empresa a chegar até onde chegou, não vai necessariamente ser a mesma que vai levá-la por outros caminhos. São necessários novos mapas.

É sintomático que alguns CIOs reportem que a posição da área é assim há muito tempo e que não veem movimentos da empresa em repensar se, no momento atual, de mudanças rápidas, este posicionamento continua válido. A alta direção e o board não podem ficar inertes e devem analisar se, frente à transformação digital, o atual posicionamento de TI ainda faz sentido.

Nenhuma indústria está livre de rupturas provocadas pela digitalização do tudo. Se a alta administração não tiver uma resposta racional e adequada do porquê do atual posicionamento de TI, e a mantiver desta forma por simples legado, estará criando um perigoso risco para o negócio. O posicionamento de TI não deve ser rígido. Pode e deve variar de acordo com as demandas do cenário de negócios e o cenário atual exige respostas rápidas e mudanças no status quo das empresas, muitas vezes transformando modelos de negócio. A posição atual da TI a dá poder suficiente para liderar esta transformação?

Por exemplo, se a empresa está passando por um processo de realinhamento estratégico, uma TI subordinada ao CFO ou ao COO terá flexibilidade e condições de colaborar ativamente neste redesenho?

Uma pergunta chave que costumo fazer aos CEOs e que denota quão importante para a estratégia e inovação eles percebem a TI e seu CIO, é se eles acreditam que a saída dele da empresa para um concorrente fará diferença ou não. Um teste é deixar seu CIO ir para concorrência: tem cláusula de impedimento? Se não, a TI não está envolvida nas estratégias do negócio, mas apenas suporta as suas demandas. Independente da pessoa do CIO, se o CEO pensar que o CIO é um profissional intercambiável, cuja substituição não afeta o negócio, me parece claro que sua visão é de uma TI operacional.

Ajustar os negócios da empresa para um mundo que se torna digital, com clientes cada mais exigentes, que viralizam suas opiniões, é um negócio muito sério para praticamente todos os setores. Buscar executivos que naveguem bem neste novo mundo não é uma tarefa fácil e por que os CIOs atuais não podem se candidatar? Não estão fadados a perder relevância, a não ser que fiquem inertes.

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O que os CIOs precisam fazer para reverter esta situação? O primeiro passo é começar a pensar como executivo de negócios e não como tecnólogo. Devem mostrar que são capazes de atender as crescentes demandas e de se concentrar em novos negócios tanto quanto na excelência da operação diária. Devem começar a influenciar a alta administração da importância de TI e de sua contribuição para o negócio no mundo digital. Precisam conquistar respeito e reputação para liderar as transformações digitais na empresa.

Um primeiro passo é mudar algumas atitudes como:

a) Não falar em “clientes internos” ao se referir aos seus colegas C-level. Não ficar na postura de prestador de serviços ao negócio. O grande cliente de TI é o cliente lá fora, que gera receita. Seus colegas C-level são parceiros nesta empreitada.

b) Evitar referir-se “ao negócio” quando fala do restante da empresa. TI não é entidade estranha ao negócio mas é parte integrante ou é o próprio negócio.

c) Ter visão, missão e proposição de valor. E aqui, como sugestão,  a declaração de missão da TI de uma empresa americana, que na minha opinião pode servir como referência : “ We are innovative business leaders for XXX and our brands, who anticipate technology trends and adapt to merging opportunities while delivering core functions flawlessly”.

Prestem atenção a “innovative business leaders”, “ anticipate technology trends” e observem que “delivering core functions flawlessly” é a última frase. Para muitas áreas de TI, esta última frase é a sua principal, e muitas vezes única, missão...

d) Assumir que o papel do CIO deve mudar de “run the IT organization” para “ensure that the enterprise, as a whole, achieves strategic value from the use of technology and information”. Isso significa mudar a mentalidade muitas vezes cristalizada de ser guardião do templo, de tentar controlar tudo, para manter as coisas seguras e estáveis, para se tornar mais ágeis, rápidos e correr mais riscos. Propor coisas novas e não mais se intimidar com o novo. Uma pergunta típica do CIO guardião é: “ mas, isto já foi feito em outra empresa?”. Sua reação natural é que se a resposta for não, ele não vai em frente... Mudar para ajudar a empresa a testar novas ideias é mudar este mind set.

A questão é que se o CIO vai descobrir como evoluir neste novo contexto. Este fato irá ditar o quão relevante ele será.

Não espere que alguém lhe peça para ser estratégico! Seja e aja como CIO estratégico. Assim, fará realmente parte do C-level da organização. Não terá apenas um cargo honorífico.

 

(*) Cezar Taurion é CEO da Litteris Consulting, CEO da ThinPost e autor de seis livros sobre Open Source, Inovação, Cloud Computing e Big Data



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